OLIVIA
Já haviam se passado dois dias desde que Xander tinha voltado e, para mim, cada um deles pareceu uma eternidade, pois, a cada visita, ele permanecia menos tempo, embora continuasse indo e vindo com frequência, quase sempre me deixando com mais perguntas do que respostas. No entanto, dessa vez havia algo diferente nele, já que parecia mais tenso, carregando uma energia nervosa que antes não existia, e, por mais que eu não conseguisse identificar exatamente o que causava aquilo, eu sentia.
De certa forma, aquela tensão me dava esperança, já que, se ele estava preocupado, era porque minha família, meus entes queridos, se aproximavam de me encontrar. E, por outro lado, o estresse evidente mostrava que seus planos, cuidadosamente preparados, estavam se desfazendo, o que era assustador e, ao mesmo tempo, um sinal luminoso no meio da escuridão.
Assim, ele voltou mais uma vez, parando na soleira da porta do quarto e me encarando com aquele sorriso estranho e maníaco, enquanto os olhos, selvagens, pareciam refletir o peso das próprias intenções começando a esmagá-lo.
— Sabe… — Começou, com a voz tingida de uma doçura doentia. — Eu pensei que teríamos mais tempo juntos. — Disse, aproximando-se com um passo lento que fez meu coração disparar e a presença dele se tornar sufocante, até deter-se junto aos meus pés e erguer o rosto, fitando-me com olhos frios e calculistas. — Mas, infelizmente, nosso tempo se esgotou.
Meu coração despencou, pois não sabia se ele ia me deixar ali ou se havia algo pior por trás daquelas palavras, e o pânico me atravessou diante da possibilidade de aquele ser o fim.
Prendi o fôlego quando ele se aproximou mais um passo e, naquele instante, percebi a agulha, o que fez meu pulso acelerar enquanto um arrepio de pavor se espalhava por mim. Por abominar o fato de terem se tornado parte habitual da minha vida, eu já havia aprendido a odiar agulhas e, percebendo minha reação, Xander sorriu de canto, como se saboreasse o meu medo.
— Esta é a última, eu prometo. — Avisou com um sorriso que fez o meu estômago revirar… "Como se eu tivesse escolha ou pudesse impedi-lo…"
Sem mais nada dizer, cravou a agulha nas minhas costas, do mesmo jeito das outras vezes, e, logo em seguida, contornou para ficar diante de mim, mantendo aquele olhar perturbador ao qual eu já começava a me acostumar, embora isso não o tornasse menos aterrorizante.
Ele manteve o olhar preso ao meu enquanto o efeito da droga se infiltrava, espalhando-se até deixar meus membros pesados e meu corpo tomado por um entorpecimento sufocante.
— Acho que deveria se deitar. — Falou, com uma calma quase exagerada, mas que carregava uma ameaça silenciosa capaz de me arrepiar, deixando-me sem entender por que queria que eu me deitasse.
A confusão me dominou e, antes que pudesse raciocinar, senti os efeitos do que quer que tivesse injetado se intensificarem, até que meus braços perderam toda a força, obrigando-me a lutar para me manter erguida, tentando me apoiar com as mãos, mas sem sucesso, à medida que a visão embaçava à medida que o corpo se recusava a responder.
— Acredite em mim, Olivia. Você vai preferir estar deitada. — Repetiu, com a voz doce demais para a situação.
Eu não consegui sequer responder, pois a cabeça pesava e os membros me traíam, fazendo-me inclinar para trás, enquanto meus olhos se arregalavam em pânico na tentativa desesperada de impedir a queda, mas, quando percebi, já era tarde, e bati no chão com um baque surdo, o corpo imóvel e a visão girando.
— Eu avisei. — A voz fria de Xander ecoou ao mesmo tempo que eu permanecia ali, indefesa, olhando para o teto, sem conseguir me mexer.
A saudade era impossível de descrever, e a avalanche de emoções quase me fez perder o controle.
— Marcus… — Sussurrei, com a voz fraca, incapaz de chamá-lo mais alto, mas sem conter o alívio que me invadiu, porque ele havia chegado na ilha, estava a caminho do meu resgate e, de alguma forma, eu acreditava que poderíamos sair daquela situação. E foi assim que eu quis vê-lo, sentir os braços dele me envolvendo e saber que tinha vindo para me levar de volta para casa.
Foi então que compreendi o motivo do nervosismo de Xander, pois Marcus provavelmente havia chegado com mais homens para me rastrear, e o medo em seus olhos se explicava melhor, já que ele sabia que o jogo chegara ao fim e que não havia mais escapatória. Cheguei a pensar que talvez fosse justamente por isso que ele tivesse feito algum acordo, acreditando que me levar ao cemitério e devolver-me à minha família fosse a única forma de evitar as consequências antes que a situação se agravasse para ele.
No entanto, Xander soltou uma risada seca, fazendo meu estômago afundar.
— Já está contando vitória antes do jogo acabar, é isso? — Provocou, com um tom carregado de escárnio. — Não comemore ainda. Afinal, você continua sendo apenas um animalzinho a caminho do abate.
Meu sangue gelou com aquelas palavras, e um arrepio percorreu todo o meu corpo, porque, embora o sorriso presunçoso dele fosse uma máscara para o próprio medo, isso não tornava a situação menos apavorante.
Logo, o peso daquelas palavras afundou no meu peito como pedra, apertando minha respiração, e, por mais que eu me agarrasse à esperança de que Marcus estava ali para me salvar, sabia que não seria fácil, já que ainda haveria luta, e Xander faria questão disso.

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