MARCUS
Eu me arrependi profundamente de ter ouvido, pois queria ter me mantido afastado, ficando fora disso e resistindo à tentação de ouvir a sessão de terapia de Olivia, mas, ainda assim, o impulso de entender o que aquele homem, Xander, havia feito com ela falou mais alto do que a razão. No fundo, precisava saber a dimensão do dano que ele havia causado à minha esposa, já que imaginava que fosse grave, porém nunca, nem nos meus piores pensamentos, cogitei que seria algo como o que ouvi.
"Como ele pôde paralisá-la daquele jeito e ainda forçá-la a deitar sobre um túmulo, como se estivesse preparando-a para a morte? E, como se não bastasse, trancá-la em uma catacumba, forçando-a a permanecer sozinha naquela escuridão sufocante… Será que ele tinha consciência da destruição psicológica que estava causando ou, ao contrário, essa era justamente a sua intenção desde o início, de modo que pudesse quebrá-la por completo?"
Agora tudo fazia sentido, porque eu compreendia por que ela havia surtado no hospital ao ver uma enfermeira segurando uma seringa e caminhando em sua direção. Naquele instante, a única coisa que ela enxergara não era uma enfermeira, mas sim Xander, vindo contra ela com o mesmo agente paralisante, pronto para aprisioná-la novamente e deixá-la indefesa, presa no próprio corpo.
Até Luke, o gângster mais implacável que eu conhecia, não seria capaz de algo tão perverso, tão calculadamente cruel, pois, embora tivesse a sua própria escuridão, aquilo estava em um patamar completamente diferente. Xander a obrigara a permanecer entre os mortos e, assim, forçara-a a encarar a ideia de que já estava morta, mesmo que ainda respirasse, como se quisesse que ela se sentisse parte daquele mundo antes mesmo da hora.
O simples pensamento me esmagou, de forma que parecia que as paredes do banheiro estavam se fechando ao meu redor, enquanto o ar parecia sumir, como se eu estivesse ficando sem fôlego.
Então, baixei a cabeça, apoiando-a entre os joelhos e sentindo o peso do meu coração se partir dentro do peito, de modo que as lágrimas caíram livremente e eu não me importava se alguém poderia me ouvir ou julgar, porque não conseguia conter a emoção crua que transbordava. "Como ele pôde fazer isso com ela? Como alguém poderia ser tão monstruoso?"
A raiva cresceu dentro de mim, queimando como um fogo que ameaçava me consumir de dentro para fora, de tal forma que me levantei com os punhos cerrados e, sem pensar, acertei um soco na porta, arrancando-a das dobradiças. Logo, uma fúria incandescente tomou conta da minha mente… "Xander não merecia continuar vivo, não depois do que fez com Olivia, nem após o terror e o trauma que lhe infligiu. Ele já não era um homem, e sim um monstro!"
Enxuguei as lágrimas dos olhos, com o rosto contorcido de fúria, e peguei o celular, enquanto as minhas mãos tremiam, mas ainda assim disquei o número de Nick. E não demorou para que a sua voz fria e controlada soasse do outro lado da linha.
— Marcus, aconteceu alguma coisa?
"Sim, algo tinha acontecido, porque aquele lixo, aquele animal, tinha ferido Olivia de um modo que eu mal conseguia explicar, destruindo-a da forma mais brutal que alguém poderia imaginar!"
— Ele a trancou numa catacumba, Nick, e fez ela deitar sobre um túmulo, drogada, presa no próprio corpo... — A minha voz falhou à medida que mais lágrimas caíam, tornando a dor insuportável. "A minha pobre esposa…" Eu conseguia imaginar como ela se sentira naquela situação.
Respirei fundo, tentando me recompor, enquanto a tempestade de dor, ódio e desespero, rugia dentro de mim, mas uma coisa estava clara: Xander havia cometido um erro fatal, pois tinha tocado na mulher errada e, por isso, pagaria o preço.
O celular vibrou na minha mão e, assim que vi o nome dela na tela, percebi que minha esposa provavelmente já tinha saído da sessão. Por isso, levantei-me depressa, ainda com o coração pesado, e caminhei até a torneira, deixando a água fria escorrer pelo rosto na tentativa de lavar, junto com ela, o peso de tudo aquilo. Contudo, por mais que tentasse me recompor, os meus olhos me traíam, porque estavam vermelhos, resultado de uma hora marcada por lágrimas demais, de forma que eu já podia ouvir a voz dela na minha mente, perguntando por que eu estava diferente.
"Droga!" Eu deveria ser forte por ela e manter o controle, mas me encontrava ali, desmoronando, chorando como uma criança indefesa. Então, passei as mãos pelos cabelos úmidos, tentando recompor-me, porque eu não podia permitir que ela me visse daquele jeito, não naquele instante…
— Já vou sair, amor. — Disse, com a voz mais trêmula do que eu queria admitir, antes de encerrar a ligação. Em seguida, fiquei encarando o meu reflexo no espelho e percebi que o homem que me olhava de volta parecia um estranho que eu mal reconhecia — fraco, vencido, quebrado por dentro… Pelo contrário, eu o odiava.
Senti que tinha falhado com ela, porque ela merecia alguém capaz de manter a firmeza, alguém que não se despedaçasse sob pressão e, no entanto, ali estava eu, quebrado.

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