OLIVIA
Assim que saí da minha sessão de terapia, percebi que meu marido não estava por perto, enquanto as palavras trocadas ainda pesavam sobre o meu peito, embora uma sutil sensação de alívio começasse a se infiltrar, trazendo de volta uma leveza que eu não sentia havia semanas.
Como ele não estava por perto, sentei-me na cadeira do lado de fora, sentindo o ar fresco bater no rosto, em contraste com o calor que vinha se acumulando dentro de mim por tanto tempo, e peguei o telefone e disquei seu número — meu polegar hesitou antes de apertar ligar.
Não demorou para que ele atendesse, dizendo:
— Oi, amor. — Com uma mistura de preocupação e incerteza na voz. — Terminou?
— Sim. — Respondi suavemente, tentando disfarçar o cansaço que começava a se infiltrar. — Só estou esperando por você agora.
Eu não me importava de esperar, pois já tinha aceitado que a cura não era algo rápido e que a sessão, ainda que não tivesse abordado tudo o que havia acontecido, tinha ajudado, ou melhor, tinha sido um começo. Ainda havia muito não dito, mas, pelo menos, eu pelo menos tinha dado o primeiro passo, embora as emoções tivessem me dominado de tal forma que passei a maior parte do tempo chorando, restando pouco espaço para as palavras. Entretanto, falei sobre o que consegui: os medos, a dor e as cicatrizes que Xander havia deixado, mesmo que, na maior parte, elas estivessem enterradas bem fundo.
Eu não queria que Marcus, nem ninguém, soubesse a extensão real do que havia acontecido nas mãos de Xander, porque não podia permitir que vissem a fragilidade que ele havia cravado na minha alma. Depois de todo que passei no cativeiro, eles já me tratavam com uma espécie de cuidado delicado, como se eu fosse feita de açúcar e pudesse me derreter a qualquer momento, e, embora eu até entendia a preocupação deles, mas odiava a sensação de fragilidade. Odiava a ideia de ser vista como fraca, pois queria ser forte e seguir em frente, agindo como se nada tivesse acontecido, como se eu não tivesse ficado presa em uma ilha, lutando pela minha vida durante dias a fio.
Eu queria esquecer tudo, e isso incluía esquecer Xander, a ilha e cada detalhe, mas, acima de tudo, queria esquecer o medo que me corroera durante aquelas horas escuras, o terror de imaginar se algum dia voltaria a ver os meus filhos, sendo que só de pensar nisso um arrepio percorria a minha espinha.
Enquanto esperava, meus pensamentos se voltaram para eles, porque eram a luz da minha vida e o motivo pelo qual eu precisava continuar. A ideia de que eu poderia nunca mais vê-los tinha me atormentado durante aqueles dias na ilha, pois o cemitério, os cantos sombrios daquele lugar e a sensação sufocante de um fim iminente que rondava a cada canto. Xander tinha como objetivo me matar, caçando-me como um animal, e queria que eu morresse, com a sua voz ecoando na minha mente, cortante e cruel, prometendo o fim. Por isso, saber que eu tinha estado tão perto e, ainda assim, ter escapado fazia com que fosse surreal ainda estar aqui.
Mesmo depois de tudo, eu continuava acordando no meio da noite, coberta de suor e com o coração acelerado, revivendo tudo outra vez, enquanto os pesadelos não me davam trégua, atormentando-me sempre que eu fechava os olhos. Mas eu me recusava a deixar que me destruíssem e não permitiria que o medo definisse quem eu era, já que eu tinha suportado demais e sobrevivido a coisas demais para permitir que aquilo me quebrasse agora. Ao contrário, pretendia usar tudo isso, transformando aquela dor em força, pois a mulher que surgiria de tudo isso seria mais forte e mais resiliente do que eu jamais fora.
"Eu mostraria a todos os que pensavam que eu era frágil que Olivia Walker não tinha nada de fraca, e provaria que estavam errados!"
— Certo. — Respondi baixinho. — Preciso de uma massagem. Meu corpo inteiro está dolorido.
Não era mentira, pois, depois de tudo por que eu tinha passado, do concreto duro da tumba e do cansaço acumulado das viagens, não era surpresa que meu corpo se sentisse como se meu corpo tivesse sido moído, e eu estava dolorida em lugares que nem sabia que podiam doer, de forma que, provavelmente, uma massagem fosse a melhor coisa que eu poderia fazer por mim mesma naquele momento.
— É para já! — Disse ele, com o tom um pouco mais leve e o canto da boca se erguendo levemente. — Vamos.
Ele segurou a minha mão e, por um instante, tudo pareceu que poderia ficar bem, assim saímos do consultório juntos, lado a lado. Mas, mesmo tentando me concentrar no que tínhamos para fazer, eu não conseguia afastar a preocupação insistente, já que algo estava errado com ele e eu sentia isso no meu interior, embora me recusasse a insistir por enquanto.
Não havia espaço para que nós dois caíssemos ao mesmo tempo, não com tanto em jogo, e alguém precisava permanecer firme, pelo bem das crianças e para que seguíssemos adiante. Por ora, eu havia escolhido ser essa pessoa para ele, pois ele precisava de mim tanto quanto eu dele, e nós estávamos juntos nessa, por mais difícil que fosse.
Ao sairmos para o ar fresco, os sons ao redor pareciam abafados, como se eu os ouvisse através de uma espessa neblina, e o peso do que tínhamos vivido e do que ainda precisaríamos enfrentar continuava lá, mas eu me agarrava à esperança de que conseguiríamos superar. Juntos.

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