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Vingança Após o Divorcio romance Capítulo 293

NICK

— O que... O que você estava pensando? — Sussurrei entre os dentes, com a voz carregada de frustração e incredulidade, enquanto andava de um lado para o outro. Sentia meu sangue fervendo nas veias. Luke tinha acabado de me contar que minha mãe, a minha mãe, estava por aí, se comportando como uma adolescente, correndo atrás de encrenca. Atrás daqueles caras! Ela achava mesmo que ainda era uma rainha da máfia intocável? Será que não percebia o perigo daquilo tudo? Ela tinha se aposentado por um motivo. Só porque o meu pai não estava mais aqui, não queria dizer que ela podia simplesmente voltar para o jogo. Ela já não tinha mais idade para aquilo.

— Está agindo como se tivesse 25 anos de novo! — Continuei, mal conseguindo conter o tremor na voz. — Quem ela acha que é para sair atrás daqueles caras? Ela não está mais no campo! Não precisa se meter nisso.

O rosto do Luke ficou mais duro, os olhos se estreitaram enquanto eu desabafava. Ele não gostava de me ver daquele jeito, mas, sinceramente, eu não estava nem aí. Era da minha mãe que a gente estava falando. A mulher que sempre foi tudo para mim — frágil, doce, tranquila. Pelo menos era assim que eu via ela. Aquela que amava cuidar do jardim, ler seus livros, levar uma vida sossegada. A mesma que mal reagia quando eu ia até ela pedindo conselho sobre algum problema na escola. A que passava os fins de semana com as crianças, jogando jogos de tabuleiro ou fazendo biscoitos. Aquela era a minha mãe. Não uma lenda da máfia, muito menos uma criminosa fria e calculista.

A voz do Luke me tirou dos pensamentos. Ele falou firme, mas havia algo mais no tom dele, algo que eu não consegui identificar de cara.

— Nick, não levante a voz para mim! A gente está falando de Elodie.

Ele deu um passo para frente, com a mandíbula travada.

— Acha que eu não tentei? Eu fiz de tudo para impedir. Acha que eu não avisei? Ela é teimosa, você sabe disso. Quando a gente diz "não", aí é que ela faz questão de ir até o fim. Sempre foi assim.

Cresci ouvindo as histórias, as lendas sobre o passado dela. Escutei os sussurros de que, um dia, ela tinha sido alguém temida, uma mulher capaz de matar sem pensar duas vezes, se fosse para proteger quem ela amava.

Mas eu nunca conheci aquele lado dela. Para mim, ela sempre foi aquela que me cobria à noite, que cuidava dos meus machucados, que me ajudava a escolher roupa quando eu era criança. Eu não conhecia a mulher temida e respeitada no submundo.

A única que eu conhecia era a mãe que cuidava de mim, que falava baixo e me dava uma sensação de normalidade, de segurança. Ela era quem sorria quando eu ia contar sobre meu primeiro crush, quem me ajudava com o trabalho de casa. Não aquela rainha do crime de coração gelado das histórias que me contavam.

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