— Ela vai ficar bem? — As palavras escaparam antes que eu pudesse segurá-las, suaves e carregadas de uma preocupação que eu nem queria admitir.
Um sorriso surgiu nos lábios de Luke, e foi exatamente aquele sorriso que fez meu estômago revirar. Era um sorriso orgulhoso, mas tinha algo de errado ali.
— Garoto. — Disse ele, com um tom quase debochado. — Sua mãe é uma das melhores. Eu estou mais preocupado com aqueles caras do que com ela. Confie em mim, no nosso mundo, sua mãe é uma lenda.
Lenda? Uma lenda?
Eu não conseguia acreditar. Ele estava falando da minha mãe. A mulher que me criou, que sempre foi gentil, carinhosa, protetora. E ali estava Luke, como se estivesse falando de uma completa estranha, como se fosse algo banal.
— Uma lenda... — Repeti em voz baixa, o gosto da palavra amargo na boca.
Fitei ele com raiva, sentindo uma vontade crescente de socar a cara dele.
— Uma lenda? — Cuspi, com a voz carregada. — Eu não estou nem aí se ela é uma lenda no seu mundo. Minha mãe está lá fora, pode estar correndo perigo de verdade, e você está aí sorrindo como se fosse piada. Qual é o seu problema?
Luke apenas riu, sem se abalar com minha raiva.
— Você não entende, né? — Ele se recostou, cruzando os braços. — Sua mãe escolheu ser quem ela é. Sempre escolheu essa vida. É assim que ela foi feita para ser. Você pode ver ela como frágil, mas o mundo a enxerga de outro jeito.
Abri a boca para rebater, mas as palavras engasgaram na garganta. O que eu podia dizer? Luke tinha razão em uma coisa: minha mãe sempre escolheu aquela vida, mesmo que eu não estivesse por perto para ver. Mas aquilo não mudava o fato de que eu estava apavorado. Apavorado com a ideia de que a minha mãe, minha mãe frágil, estava no meio de uma guerra que já tinha deixado para trás anos atrás.
Estalei a língua, frustrado, virei de costas e fui até a porta. As palavras de Luke ecoavam na minha cabeça, mas não traziam nenhum consolo, só faziam o buraco no meu estômago aumentar ainda mais. Eu precisava fazer alguma coisa. Precisava consertar aquilo.
Tirei o celular do bolso e disquei para Marcus sem pensar duas vezes. O celular tocou três vezes antes de eu ouvir sua voz do outro lado da linha.
Engoli seco, tentando controlar a respiração. O tempo estava se esgotando. E quanto mais eu pensava nela, mais percebia que não havia nada que eu pudesse fazer. Ela ia fazer o que quisesse e tudo o que me restava era assistir.
— Cuide dela para mim. — Pedi, com a voz apertada de preocupação. — Só... Mantém ela segura, tá? Por favor.
Do outro lado, silêncio por um bom tempo.
— A gente vai cuidar disso, Nick. Pode deixar. Se concentra no que precisa ser feito.
Desliguei sem dizer mais nada, sentindo o peso de tudo nas minhas costas. Minha mãe estava por aí, correndo atrás do perigo como se fosse um vício, e eu não tinha como parar ela.
Mas eu nunca ia parar de tentar.

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