ETHAN
Percebi que a pergunta o pegara de surpresa, o que era bom, já que ele não tivera tempo de refletir e inventar desculpas sobre o motivo de ter feito aquilo. Logo, serviu-se de uma dose generosa de álcool e a virou de uma vez, e em seguida murmurou:
— Por que perguntaria isso? — Ele sequer conseguiu me encarar e, por isso, compreendi que não gostava nem se orgulhava do que havia feito, ao contrário do que Luke parecia acreditar.
Sua hesitação me revelou que não o fizera com a facilidade que Luke dava a entender, pois o modo como desviava o olhar deixava claro o peso daquilo.
— As circunstâncias eram diferentes naquele momento, e eu fiz o que era necessário. — Aquilo soava vago demais… "Afinal, por que ele tinha que fazer?" Ninguém apontara uma arma para a cabeça dele exigindo que agisse assim, de modo que a desculpa não fazia sentido algum.
— Pare de inventar desculpas, Nick. Quero saber a verdadeira razão pela qual você fez aquilo. — Ele me lançou um olhar feroz e respondeu sem hesitar:
— Diante da barbaridade que ele cometeu com Olivia e do fato de ter mandado os homens dispararem contra a casa dela com meu filho exposto lá fora, não me restou outra opção senão puni-lo da maneira mais severa… Aquilo foi a gota d'água, portanto eu o queria morto!
Os olhos dele estavam vermelhos, frios e distantes e, olhando para eles, um arrepio percorreu minha espinha, de modo que percebi naquele instante que talvez eu tivesse medo do meu próprio amigo.
— Depois de arrancar a pele dele, eu quis estrangulá-lo com as minhas próprias mãos, porque queria encará-lo enquanto fazia isso… Queria ver a vida se esvair dos olhos dele e queria que deixasse de existir.
A raiva estava presente em cada detalhe, pois embora ele não gritasse nem elevasse o tom, seus punhos cerrados, os olhos gélidos e distantes e a voz firme e fria prometiam apenas perigo. Estava tudo ali, ou seja, a fúria ainda viva, e minha pergunta apenas a trouxera à tona.
Eu deveria ter escutado Luke e não ter feito nenhuma pergunta, contudo, ao mesmo tempo… "Como poderia ajudá-lo se não questionasse nada?"
— Nick, acalme-se. Sei que o que aconteceu deve ter te deixado incrivelmente furioso, porém o que você fez com aquele homem não é algo que uma pessoa normal faria.
Deixei minhas palavras pairarem no ar, permitindo que ele refletisse sobre o que fizera, esperando que percebesse o erro e talvez aceitasse encontrar um meio-termo, de forma que pedisse ajuda.
— Se isso for sinal de que não sou normal, paciência, porque a verdade é que quero repetir a mesma coisa quantas vezes forem necessárias para garantir que ele aprenda a lição, e, se acabar morto, será ainda melhor.
Fiquei atônito com o que ele dissera, mas logo pensei que aquelas eram apenas palavras de um homem tomado pela raiva e pela dor de pai, o que não significava necessariamente que ele realmente quisesse repetir aquilo.
— No fundo, sei que você não acredita nisso, e também penso que o que você precisa mesmo é de ajuda…
Ele riu.
— A minha ajuda veio desse hábito estranho, Ethan: toda vez que sinto raiva, vou direto ao porão e olho para a pele do Xander no congelador.
Dei um passo para trás, chocado com a revelação, já que não conseguia imaginar que tipo de jogo doentio Nick estava jogando.
— O quê? Quer saber mais sobre mim, Ethan?
Fiquei em dúvida se realmente queria ouvir o que ele ainda carregava, visto que era óbvio que precisava de ajuda séria.
Remoendo aquilo por tanto tempo, ele precisava apenas de um estopim, e Sandra e Xander acabaram sendo exatamente isso. "O que mais esse homem seria capaz de fazer?"
— Reconheço o motivo que te levou a agir, mas por que manter a pele guardada? Isso não é normal, cara… É doentio, e você, mais do que ninguém, deveria saber disso.
Ele riu novamente.
— Ah… Eu não consigo me desfazer da pele, porque sempre que a fúria pelo que aqueles dois fizeram ressurge, é nela que encontro alívio. É quase como uma terapia, um auxílio silencioso.
Eu não consegui permanecer ali por mais tempo, portanto contornei o balcão e corri para fora como um desesperado fugindo do inferno, enquanto o modo como Nick ria deixava claro que ele já estava perdido demais.
Em seguida, avancei pelas ruas como um insano em direção à casa de Olivia, rezando para chegar antes da partida, visto que a distância me castigava bem mais do que eu aceitava e, além disso, a espera se mostrava intolerável.
Ao chegar, vi o caminhão de mudança já saindo, então parei o carro diante de Luke, desci rapidamente e o puxei pela mão para longe dos demais.
— O que está fazendo aqui?
Ignorei a pergunta e continuei a arrastá-lo mais para distante, até que, quando achei que estávamos longe o bastante, parei.
— Acredite, o Nick não passa de um psicopata!

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