POV Isadora
Quando saímos do salão, agora marido e mulher, os aplausos e os sorrisos nos cercaram como uma onda quente. Eu me sentia leve, quase flutuando. Pela primeira vez em anos, estava em paz.
Dante apertava minha mão com força, como se não acreditasse que aquele momento era real. A cada passo, eu via flashes de expressões diferentes: Olivia chorando e rindo ao mesmo tempo, Caio batendo palmas animado, a mãe de Dante tentando manter uma postura séria mas claramente emocionada.
A música suave começou a encher o ambiente, anunciando a transição para a festa. E quando a porta se abriu para o salão decorado, meus olhos brilharam. Mesas cobertas por toalhas de linho branco, flores em arranjos altos, luzes cintilantes como estrelas suspensas no teto. Tudo parecia mágico, quase um sonho.
Eu respirei fundo, tentando memorizar cada detalhe. Era o nosso momento.
— Está pronta para dançar comigo? — Dante sussurrou no meu ouvido, inclinando-se de leve.
— Só se prometer não pisar no meu pé. — respondi, rindo.
Ele arqueou uma sobrancelha e me puxou até o centro, onde a primeira dança nos aguardava.
A melodia começou e eu me deixei guiar. Cada movimento era um reflexo da nossa história: tropeços, retomadas, abraços que salvavam. Meus olhos estavam grudados nos dele, e em certo momento, esqueci de tudo ao redor. Era como se só nós dois existíssemos.
Mas a perfeição nunca dura muito na minha vida.
Quando a música terminou e os aplausos ecoaram novamente, senti um arrepio estranho. O tipo de arrepio que não vem de frio ou emoção, mas de alerta. Meus olhos vagaram pelo salão, e foi aí que a vi.
Leyla.
De vestido vermelho, ousado demais para um casamento íntimo. Cabelos soltos, maquiagem impecável, sorriso debochado. Ela estava ali, parada perto da entrada, como se tivesse todo o direito do mundo de estar presente.
O sangue gelou nas minhas veias.
Eu não havia enviado convite. Nem sequer mencionei detalhes da cerimônia. Na verdade, fiz questão de manter tudo discreto, quase secreto, justamente para evitar presenças indesejadas.
— O que ela está fazendo aqui? — murmurei, quase sem ar.
Dante seguiu meu olhar e seu corpo enrijeceu instantaneamente.
— Você convidou essa mulher? — ele perguntou, baixo, entre dentes.
— Claro que não! — respondi, indignada.
Ele me puxou levemente para trás, como se quisesse me proteger. Mas antes que pudéssemos decidir o que fazer, Leyla já se aproximava, atraindo olhares curiosos e cochichos entre os convidados.
— Isa! — ela exclamou, abrindo os braços como se fosse uma velha amiga chegada. — Minha querida, você está deslumbrante.
Tentei manter a compostura, mas minha voz saiu fria:
— O que você está fazendo aqui, Leyla?
Ela piscou, teatral, e riu baixo.
— Como assim? Você me convidou, lembra? Uma daquelas nossas tardes de café… você disse que seria uma honra ter uma amiga de infância nesse momento tão especial.
Minhas sobrancelhas se arquearam automaticamente.
— Isso nunca aconteceu.
O sorriso dela não vacilou, mas seus olhos brilharam com malícia.
— Claro. Eu entendo… não é fácil olhar no espelho e ver quem realmente somos, não é, Isa? Mas tudo bem. Eu vou embora. Só não esqueça que as portas que você tenta fechar ainda têm frestas.
Com essas palavras, ela se virou e caminhou para a saída, seu salto ecoando no chão como um martelo.
O salão permaneceu em silêncio até que ela desaparecesse.
Quando finalmente me virei de novo, percebi que minha respiração estava acelerada, meu coração em disparada. Dante segurou meus ombros, tentando me ancorar.
— Isa, olha pra mim. — Ele ergueu meu rosto com a mão. — Esquece ela. Esse é o nosso dia. Não vamos deixar que estrague.
Eu assenti, mas a inquietação permanecia latejando dentro de mim. Porque eu sabia: Leyla não era o tipo de pessoa que simplesmente aparecia sem um plano. Aquela presença tinha um significado maior, um aviso silencioso de que a guerra ainda estava longe do fim.
Olivia, ainda ao meu lado, murmurou:
— Eu não gosto dela, Isa. Não confio em nada que venha dessa mulher.
— Sim... — respondi, com a voz mais firme do que me sentia.
Mas por dentro, a sensação era de que uma sombra havia atravessado minha festa.
Mesmo assim, a vida seguiu naquela noite. A música voltou a tocar, os convidados tentaram retomar o clima de celebração. Brindes foram feitos, discursos emocionados ecoaram pelo salão.
Dante me puxou de volta para a pista de dança, e por alguns minutos consegui mergulhar de novo naquele sonho. Mas, no fundo, a imagem de Leyla em seu vestido vermelho não saía da minha mente.
Ela estava ali por um motivo.
E eu precisava descobrir qual.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”