POV Isadora
Os dias se arrastaram como se o tempo tivesse aprendido a zombar de mim. Cada minuto parecia mais longo que o anterior. O corpo já não era meu: era peso, dor, ansiedade. Entre os sorrisos de Dante, as visitas de Olivia e as mensagens falsas de carinho de Leyla, minha mente era um redemoinho.
Mas naquela manhã, algo mudou.
Acordei antes do sol. O quarto estava em silêncio, exceto pela respiração calma de Dante ao meu lado. Quando tentei me levantar, uma fisgada atravessou meu corpo. Toquei a barriga e, no instante seguinte, senti a primeira contração forte. Era diferente de tudo o que tinha experimentado até então, intensa, arrebatadora, um chamado definitivo. E então, a bolsa estourou.
— Dante… — minha voz saiu trêmula, quase um sussurro.
Ele abriu os olhos de imediato, como se tivesse estado acordado o tempo todo. Bastou olhar para mim para entender.
— Isa… estourou? — perguntou, a voz carregada de nervosismo e ternura.
Balancei a cabeça, as lágrimas já marejando os olhos. — Acho que sim... sim!
Ele pulou da cama, tropeçando nos próprios pés, tentando manter a calma que claramente não tinha.
— Respira fundo, amor. Eu estou aqui. Vamos para o hospital.
***
As horas seguintes foram um borrão. Dante segurava minha mão no carro, repetindo palavras de incentivo que eu mal ouvia, perdida entre dores que vinham em ondas.
Cada contração era como se meu corpo inteiro fosse tomado por fogo, mas havia algo mais: o medo. Não do parto em si, mas do que me aguardava depois. Minha filha estava prestes a chegar a este mundo, um mundo já tão cheio de inimigos, mentiras e ameaças.
No hospital, tudo se transformou em correria: médicos, enfermeiras, exames, instruções. Deitar naquela cama foi como me render a uma batalha que eu não podia evitar. Dante não soltava minha mão nem por um segundo. O olhar dele, mesmo carregado de pavor, era meu único alívio.
— Você é forte, Isa. Você sempre foi. — Ele beijou minha testa, as palavras firmes tentando me ancorar.
Eu queria acreditar.
As dores aumentavam, cortando minha respiração. A cada intervalo, eu fechava os olhos e via flashes da minha vida. Via a menina ingênua que acreditava em promessas eternas de Heitor. Via os anos de humilhações, a queda da família Montenegro, a luta para me reerguer. Via Dante, aparecendo como um raio de sol em meio às nuvens.
E agora, via a minha filha, prestes a nascer, carregando em si não apenas meu sangue, mas toda a minha esperança.
— Já estamos quase lá — disse a médica, com um sorriso confiante. — Mais um pouco, Isadora.
A sala parecia girar. O suor escorria pela minha pele. O grito veio rasgando minha garganta quando a contração seguinte me tomou inteira.
Enquanto acariciava minha filha, um arrepio atravessou meu corpo. Não sei se foi instinto ou paranoia, mas a sensação de que algo nos observava, de que algo ainda estava por vir, me tomou.
Lembrei da caixa misteriosa, das notícias falsas, de Leyla sorrindo com segredos que nunca revelava. Minha filha havia nascido em meio a uma guerra, e eu sabia que o mundo lá fora não iria poupá-la.
Apertei-a contra mim, como se pudesse protegê-la de tudo. Olhei para Dante, que ainda chorava de emoção, e decidi que não deixaria nada nem ninguém arrancar aquilo de nós.
— Ela vai ser feliz, Dante. Eu vou garantir. — Minha voz soou mais firme do que me sentia.
Ele me olhou, sério, e respondeu:
— Nós vamos garantir.
O choro da bebê diminuiu, transformando-se em pequenos suspiros. E naquele silêncio carregado de promessas, eu soube que aquela era apenas a primeira batalha de muitas.
Minha filha havia chegado.
E por ela, eu enfrentaria qualquer guerra.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”