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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 135

POV Dante

A sala do hospital parecia um santuário.

As luzes frias, o cheiro de desinfetante, as máquinas que apitavam em segundo plano, tudo isso desaparecia quando eu olhava para ela. Minha filha. A pequena estava enrolada em um cobertor rosa-claro, dormindo tranquila, com a boquinha entreaberta como se sonhasse já com um mundo melhor do que aquele em que nasceu.

Eu não conseguia acreditar.

Era real.

Ela era real.

Ao lado, Isa repousava, exausta. O suor ainda marcava sua pele, mas havia uma serenidade no rosto dela que eu nunca tinha visto antes. Mesmo pálida e cansada, estava linda. Uma guerreira. A mulher que tinha me dado o maior presente da minha vida.

Sentei-me na poltrona ao lado do leito e segurei a mão dela, com medo de soltar. Nunca fui um homem que acreditasse em destino ou milagres, mas, naquele momento, tudo em mim gritava que aquela era minha razão de viver. Isa e nossa filha.

Mas, como sempre, o mundo não nos deixava em paz.

O celular vibrou no meu bolso. Tentei ignorar, mas o aparelho insistia. Não queria olhar. Não queria deixar que nada do lado de fora atravessasse aquele momento. Só que, quando finalmente cedi, o coração se apertou.

A tela estava lotada de notificações.

Sites de fofoca, jornais, mensagens de desconhecidos.

As manchetes eram todas iguais:

“Ex-Montenegro dá à luz filha em hospital privado.”

“O bebê secreto de Isadora: quem é o pai?”

“Família Montenegro em silêncio sobre o nascimento da neta.”

Meu sangue ferveu.

— Droga… — murmurei, apertando o celular com força.

Isa abriu os olhos devagar, notando minha tensão. — O que houve?

Pensei em mentir. Pensei em dizer que não era nada. Mas não podia. Nunca quis ser para ela o que Heitor tinha sido, um homem de segredos e omissões. Respirei fundo e mostrei a tela.

Ela ficou em silêncio. O olhar, que antes transbordava amor pela filha, encheu-se de sombras.

— Já descobriram… — sussurrou, como se falasse consigo mesma.

Olivia cerrou os punhos. — Eu sei como.

Isa a olhou, confusa. — O que você quer dizer?

— Leyla. — O nome saiu como veneno de sua boca. — Foi ela. Quem mais? Ela estava na festa, Isa. Ela se aproximou de novo justamente agora, e, de repente, tudo sobre sua vida volta a vazar? Coincidência?

Isa desviou o olhar, perturbada. — Não quero acreditar nisso…

— Pois acredite — retrucou Olivia. — Essa mulher nunca voltou para ser sua amiga.

Eu não disse nada, mas dentro de mim sabia que Olivia estava certa. Sempre achei Leyla estranha, mas nunca tive provas. Agora, o quebra-cabeça começava a se montar sozinho.

Quando Olivia saiu, prometendo “resolver isso”, voltei a me sentar ao lado da cama. Isa acariciava a filha, o semblante dividido entre amor e medo.

— Dante… e se eu nunca conseguir dar paz a ela? — perguntou, quase sem voz.

Segurei sua mão novamente.

— Você já deu. Você lutou contra tudo e todos para chegar até aqui. E eu vou lutar com você, Isa. Não importa o que aconteça.

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