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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 136

POV Olivia

Eu não bati na porta. Eu nunca fui de pedir licença quando estava com raiva, e agora a minha raiva tinha nome e sobrenome: Leyla Torres.

O hotel cinco estrelas em que ela estava hospedada cheirava a dinheiro velho, a perfume caro e a falsidade. A recepcionista tentou me deter, mas eu subi mesmo assim, sentindo o sangue ferver nas veias.

Quando empurrei a porta do quarto, ela estava lá, sentada diante de uma taça de vinho, com as pernas cruzadas como se fosse a dona do mundo.

— Mas que surpresa… — Leyla levantou os olhos lentamente, sorrindo com aquela calma que mais parecia deboche. — A amiga fiel veio me visitar.

— Não finge — retruquei, deixando a porta bater atrás de mim. — Eu sei que foi você.

Ela arqueou uma sobrancelha. — Sabe o quê, exatamente?

— Não se faz de sonsa comigo, Leyla. Foi você quem vazou a notícia do parto da Isa. Só você tinha motivo pra isso.

Ela riu. Um riso baixo, quase musical, mas venenoso.

— Que imaginação fértil, Olivia. Você devia escrever livros também.

Dei dois passos à frente, batendo a mão na mesa de vidro.

— Eu não estou brincando. A Isa estava frágil, tentando viver um momento só dela e do Dante, e de repente a mídia inteira estava em frente ao hospital como urubus. Isso não foi acidente. Isso foi armação. Sua armação.

Leyla inclinou a cabeça de lado, como quem analisa uma criança histérica.

— Você me dá muito crédito. Eu sou só uma amiga de infância que quis apoiar.

— Amiga? — cuspi a palavra como veneno. — Você não é amiga, Leyla. Você é cobra. Você aparece do nada, com esse sorriso falso, e acha que eu não percebo?

Por um instante, o sorriso dela vacilou, mas logo voltou, ainda mais afiado.

— Engraçado. Isadora não parece achar isso. Ela confia em mim. Abriu a casa dela, a vida dela, dividiu confidências… Enquanto você, a "melhor amiga", parece gastar mais tempo desconfiando do que apoiando.

O golpe foi baixo, mas eu não deixei transparecer. Endireitei os ombros e a encarei de frente.

— Eu não preciso da confiança dela, porque eu tenho algo que você nunca vai ter: lealdade. Eu estava lá quando ela não tinha nada, quando foi jogada pra fora pelos Montenegro, quando todo mundo virou as costas. E você? Onde você estava?

A sombra passou pelo rosto dela.

— Cada um tem seu tempo de voltar, Olivia.

Um arrepio correu pela minha espinha. Eu queria rir, chamar aquilo de jogada barata, mas a frieza na voz dela me travou.

— Você está mentindo — sussurrei, mas a convicção não veio.

— Acha mesmo? — Leyla voltou para a taça de vinho, bebendo calmamente como se a conversa não tivesse acabado de virar meu mundo do avesso. — Pensa bem, Olivia. Acha que as coincidências são só… coincidências?

Eu respirei fundo, lutando contra o pânico. — Você só está tentando me desestabilizar. Não vai conseguir.

Ela riu outra vez. — Eu não preciso tentar, querida. Você já está.

Segurei a maçaneta da porta, pronta pra sair.

— Se você chegar perto da Isa ou da filha dela, eu juro que te acabo, Leyla.

— Ameaças são para os fracos — ela rebateu sem levantar a voz. — Eu prefiro ações.

Fechei a porta com força, o coração disparado. Caminhei pelo corredor do hotel sentindo o peso de cada palavra dela. Parte de mim queria acreditar que tudo não passava de manipulação, mas a outra parte… a outra parte temia que Leyla tivesse razão.

E se Heitor realmente estivesse por perto?

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