POV Isadora
As portas do hospital se fecharam atrás de mim, e pela primeira vez desde o parto, senti que podia respirar sem ser observada. Não havia flashes, não havia vozes tentando roubar nosso momento. Só eu, Dante, e aquele pequeno ser enrolado nos braços dele, dormindo como se o mundo não tivesse pressa.
Nossa filha.
Era estranho dizer isso em voz alta, minha filha. Depois de tudo o que eu vivi, as dores, os anos de luta para encontrar minha própria identidade longe dos Montenegro, agora eu tinha nos braços a prova de que o futuro podia ser reinventado.
Dante abriu a porta do carro, ajudou-me a acomodar-me no banco e, em seguida, ajeitou a cadeirinha da bebê com uma paciência quase ritual. Vi o cuidado com que ele prendia os cintos, conferia cada detalhe, como se a vida inteira dependesse disso. Talvez dependesse.
— Parece que eu estou prestes a transportar uma princesa — ele murmurou, olhando para ela com devoção.
Sorri, ainda cansada, mas tomada de uma ternura que me enchia por dentro.
— Ela é uma princesa, Dante. Nossa princesa.
No caminho de volta para casa, ficamos em silêncio por longos minutos. Eu observava a cidade pela janela, mas em cada esquina via lembranças que não queria revisitar: jornalistas tentando invadir o hospital, boatos correndo como fogo, gente comentando o parto de uma estranha como se fosse espetáculo. E, no meio disso, Leyla.
— Está pensando no mesmo que eu? — Dante perguntou, os olhos fixos na estrada.
— Se você estiver pensando na forma como as fotos do hospital vazaram, então sim — respondi, apertando o cinto de segurança. — Mas eu não quero falar disso agora. Não quero misturar o cheiro dela com essa sujeira.
Ele estendeu a mão, tocou os meus dedos com firmeza.
— Tem razão. Agora não é hora de brigas. Agora é hora de aprender a sermos três.
Quando chegamos em casa, o impacto foi imediato. O berço montado no quarto, as paredes decoradas com tons suaves que Dante tinha escolhido, flores frescas enviadas por Olivia… Tudo parecia conspirar para que aquele lar fosse realmente um recomeço.
Coloquei nossa filha no berço com mãos trêmulas. Ela se remexeu, suspirou baixinho, e meu coração quase parou. Como algo tão pequeno podia carregar tanto poder sobre mim?
— Você vai mimar ela — murmurei, encostada no batente da porta, tentando sorrir.
Ele olhou para mim, e o brilho nos olhos denunciava a emoção.
— Se amar demais for mimar, então sim. Vou mimar a cada dia.
Sentei-me na poltrona, ainda frágil, e ele colocou a bebê nos meus braços. O calor dela contra meu peito, o jeito como procurava instintivamente por mim, quase me fez esquecer todo o caos que nos cercava.
— Você sabia que eu ia amar tanto assim? — perguntei.
Dante se ajoelhou diante de nós. — Eu sabia que você ia amar. O que eu não sabia era que eu ia amar ver você amar.
Fiquei em silêncio, absorvendo aquelas palavras. Por um instante, parecia que o mundo lá fora não existia. Não havia Leyla, não havia Heitor, não havia famílias hostis nem imprensa venenosa. Só nós três, presos num tempo que eu queria eternizar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”