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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 138

POV Isadora

Nunca pensei que o silêncio pudesse ser tão cheio. A casa estava mergulhada em uma calma que não lembrava em nada os últimos meses de guerra e tensão. O único som que ecoava pelos cômodos era o resmungo suave de minha filha, aninhada contra o peito de Dante, que andava de um lado para o outro pela sala como se carregasse uma joia rara.

Eu o observava da poltrona, os pés erguidos sobre um banquinho improvisado, tentando dar descanso ao corpo ainda dolorido do parto. O cansaço me dominava, mas não havia nada que me fizesse fechar os olhos. Não queria perder a cena diante de mim.

Dante, o homem que tantas vezes eu vira endurecido pelas pressões da vida e pelas mágoas de família, agora falava baixinho com uma recém-nascida. A cada passo, seu rosto se suavizava. Ele a olhava como se ela fosse o primeiro milagre que ele ousava acreditar.

— Você tem noção do que está fazendo comigo, pequena? — murmurou, apoiando a cabeça dela no ombro largo. — Acabou de nascer e já manda no coração do seu pai.

Senti uma lágrima escorrer pelo canto dos olhos, silenciosa. Tantas vezes imaginei esse momento e, em todas, havia sombra, medo, fantasmas do passado. Mas ali estava Dante, inteiro, verdadeiro, tão vulnerável quanto eu.

Ele se aproximou e se ajoelhou ao meu lado, mostrando a bebê enrolada na manta rosada.

— Olha como ela parece calma agora. Acho que já aprendeu que o colo do pai é um bom lugar.

— E ela tem razão — respondi, acariciando a cabecinha minúscula. — Eu também acho que é um bom lugar.

Ele sorriu.

A mesma ternura que vi no altar, no dia em que ele me esperava com mãos trêmulas, e que agora se repetia de forma ainda mais intensa.

Ficamos ali por alguns minutos, em silêncio, cada um absorvendo a enormidade daquele instante. Até que o toque do celular quebrou a quietude. Dante franziu o cenho, olhou o visor e respirou fundo antes de atender.

— Mãe? — a voz dele saiu surpresa.

Meu coração acelerou. Eu sabia o quanto o relacionamento dele com a família era difícil, especialmente depois da decisão de se casar comigo.

A aprovação nunca veio, e em muitos momentos senti o peso dessa rejeição. Mas agora, ouvir a palavra “mãe” dita por ele, com aquela mistura de cautela e expectativa, foi como abrir uma porta para algo que eu não sabia se queria atravessar.

— Está tudo bem — disse ele, após escutar um momento. — Sim… ela nasceu. Ontem.

Meu olhar se prendeu ao dele, e percebi algo que raramente vi em Dante: vulnerabilidade diante da mãe. Ele respirou fundo, desviou os olhos e depois me ofereceu o celular.

— Ela quer falar com você.

Hesitei por um segundo, mas peguei o telefone. — Alô?

A voz do outro lado era suave, com uma calma que eu não esperava.

Dante ficou pensativo por um instante, os olhos fixos na filha.

— Talvez ela seja a única que ainda consegue me enxergar além do sobrenome.

Coloquei a mão sobre a dele.

— Ou talvez a chegada dela tenha mudado mais do que imaginamos.

Ele me olhou, e naquele olhar havia algo novo: esperança.

A noite caiu, e fomos dominados pela rotina ainda desajeitada de pais de primeira viagem. A bebê chorava, se alimentava, adormecia, e nós aprendíamos a seguir o ritmo dela. Mas, entre uma troca de fralda e outra, entre uma mamada e um suspiro cansado, havia algo que nos unia de forma indestrutível.

Deitada na cama, com a pequena no berço ao lado, vi Dante entrar no quarto já sem camisa, os cabelos bagunçados, a exaustão evidente. Ainda assim, seus olhos brilhavam quando se aproximou do berço.

— Nunca pensei que fosse amar tanto alguém assim tão rápido — confessou, tocando de leve os dedos minúsculos dela. — É diferente de tudo.

— Eu sei — respondi, com a voz embargada. — Eu sinto o mesmo.

Ele deitou-se ao meu lado e segurou minha mão. Ficamos em silêncio, ouvindo a respiração tranquila da nossa filha. E, pela primeira vez em muito tempo, senti que talvez o futuro pudesse ser mais do que dor e batalhas. Talvez pudesse ser exatamente aquilo: a simplicidade de uma família se descobrindo.

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