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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 14

POV Isadora Ferraz

O envelope ainda estava no chão, mas o que me paralisava era a foto. Eu, dormindo no sofá, vulnerável, de costas para uma porta entreaberta que eu jurei ter trancado. O coração batia no ritmo de uma sirene, e o ar parecia rarefeito. Liguei para Olívia, mas a voz engasgou antes de completar o alô. Desliguei. Tentei respirar. Falhei. Então disquei outro número. Um número que meus dedos já sabiam de cor.

— Isa? — a voz de Dante era alerta, urgente, viva.

Eu não consegui responder. Apenas deixei o telefone cair no sofá e fui até a porta, trancando todas as trancas, olhando para cada canto do apartamento como se os móveis pudessem se mover.

Ele chegou vinte minutos depois, com os olhos incendiados e o corpo em tensão.

— O que aconteceu?

Apontei para o envelope. Ele pegou, leu, viu a foto.

— Merda... — sussurrou, quase rosnando. — Ele entrou aqui.

Assenti com a cabeça. Estava tremendo. A pele gelada. A alma em ponto de estilhaçar.

— A polícia precisa ver isso. Agora.

— Não — consegui dizer, por fim. — Não vai adiantar.

Dante me olhou, os olhos cheios de raiva por não poder proteger, por não poder resolver aquilo com um soco, com uma ordem. A impotência dele era quase tão forte quanto o meu medo. Ele caminhou até a varanda. Conferiu as fechaduras. Fechou as cortinas. Reforçou tudo.

— Você não vai dormir aqui hoje.

— Eu não vou dormir aqui nunca mais.

A frase saiu firme. E era verdade. A sensação de invasão era insuportável. O apartamento tinha virado uma armadilha. Meu corpo sabia disso antes mesmo da mente aceitar.

— Eu vou desaparecer por uns dias. Me esconder. Me reconstruir. Porque se eu cair agora, eles ganham.

— Então eu vou com você.

Foi automático. Sem hesitação. Como quem já sabia que não a deixaria sozinha nem por mais uma noite. Olhei para ele. Aquela presença quente, sólida, que tinha se tornado meu único lugar seguro num mundo minado.

— Você não precisa...

— Mas eu quero. Eu preciso saber que você está viva, Isa.

Pegamos poucas coisas. Um casaco, o notebook, os pen drives com as provas, o caderno de Olívia. Tudo em uma mochila. Saímos pelos fundos do prédio, silenciosos. Nenhuma palavra a mais. Só olhares. Só passos apressados.

A câmera do corredor filmou nossa saída. O elevador desceu.

No carro, enquanto Dante dirigia em silêncio, atento aos retrovisores, eu procurei meu celular na bolsa. As mãos ainda tremiam quando abri o aplicativo de mensagens. Meus dedos hesitaram. Não queria alarmar Olívia. Não queria envolvê-la mais do que já estava.

Mas ela precisava saber. Digitei rápido.

Isa: Oli, é sério. Não volta pra casa essa noite.

Oli: O quê? Isa, o que aconteceu? Você está bem?

Isa: Tô. Agora tô. Mas entraram aqui. Deixaram um envelope. Uma carta. Uma foto minha. Dormindo. De dentro do apartamento.

Demorou um minuto. Talvez dois.

— A cama do quarto da frente está arrumada. Eu durmo no sofá — disse ele, sem me olhar, sem me pressionar.

Eu apenas balancei a cabeça. Não havia força pra contrariar. Não havia força pra mais nada.

Tomei um banho rápido, vesti a camiseta de algodão que ele deixou separada pra mim e me deitei. O colchão era macio, mas minha cabeça parecia pesar mais do que todo o corpo.

A imagem da carta. A foto. A varanda aberta. A voz da Célia. O sorriso do Rafael. Tudo girava como uma espiral sem fim. Fechei os olhos, mas o sono não veio. Veio o calor. O desespero abafado. E o som da minha própria respiração tentando não virar choro.

Lá fora, ouvi os passos de Dante. Um ranger de madeira no corredor. O som de um copo sendo colocado na pia. Depois, silêncio. Pensei em chamá-lo. Só pra ouvir outra voz. Só pra saber que ele ainda estava ali. Mas me contive. Ele já tinha feito demais. Já tinha carregado muito.

Então virei pro lado, tentando encontrar paz onde não havia, tentando dormir com a sensação de que talvez, só talvez, eu estivesse segura. Só que quando abri os olhos no meio da madrugada, tudo estava escuro demais. E gelado demais. E o som que ouvi não era da madeira rangendo.

Era um estalo. Do lado de fora.

A maçaneta da porta da frente girou devagar. Uma vez. Duas. E parou. Segundos depois, um sussurro do lado de fora da janela do quarto me congelou por inteiro.

— Isadora...

Meu nome. Baixo. Arrastado. Intencional. Sussurrado como quem fala com uma criança adormecida. Como quem conhece o gosto do medo.

Eu me levantei em silêncio, o coração batendo alto demais. Andei até a porta do quarto, abri devagar e sussurrei:

— Dante?

Mas a sala estava vazia. A porta entreaberta. E o sofá… o sofá estava manchado com algo escuro no estofado claro.

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