Entrar Via

7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 161

POV Dante

A chave girou na fechadura, e o som ecoou pela casa silenciosa como um lembrete cruel de que eu havia voltado tarde.

De novo.

Fechei a porta devagar, como se o silêncio pudesse ser ferido.

A mansão Harrison dormia. Os corredores estavam escuros, o ar pesado de uma quietude antiga, quase hostil.

Deixei a pasta sobre o aparador, tirei o paletó e soltei um suspiro longo, cansado. O dia tinha sido interminável.

Reuniões, contratos, discussões com advogados, reuniões na editora… e, no meio disso tudo, uma mensagem não respondida, um olhar que me acompanhava desde o jantar fatídico: o dela.

Isadora.

Subi as escadas devagar, o corpo pedindo descanso.

A cada passo, a culpa sussurrava junto com o cansaço: você prometeu estar presente.

Mas o trabalho, a pressão, o peso do nome Harrison, tudo parecia engolir o que restava de mim.

Quando alcancei o andar de cima, notei algo estranho.

A luz do quarto estava apagada.

Nenhum som, nem o choro suave de Sofia, nem o murmúrio da voz de Isa embalando-a.

Abri a porta com cuidado.

O quarto estava vazio.

O berço… vazio.

A cama… impecavelmente arrumada.

A ausência dela preencheu o espaço com um tipo de presença que doía.

Por um instante, achei que talvez ela estivesse no quarto de hóspedes ou caminhando com a bebê pela casa.

Mas o silêncio era absoluto.

Chamei baixinho:

— Isa?

Nada.

Meu coração acelerou.

Fui até o closet. Nada.

Olhei o banheiro. Vazio.

O trocador estava limpo, as roupinhas dobradas, o abajur desligado.

E foi só então, diante daquela perfeição arrumada demais, que percebi, ela tinha saído.

Permaneci parado por um instante, tentando entender.

Isadora não era o tipo de mulher que saía sem avisar.

Ainda mais com uma bebê de um mês e meio.

Peguei o celular do bolso. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação.

— Droga… — murmurei, passando a mão pelos cabelos.

Tentei ligar.

Uma vez.

Duas.

Três.

Nada.

O som da chamada caindo direto na caixa postal foi como um soco.

Sentei-me na beira da cama e fiquei olhando o nada por longos segundos.

O quarto que, há semanas, abrigava a nossa pequena bolha de paz agora parecia um mausoléu.

O abajur no criado-mudo ainda tinha o livro que ela lia todas as noites, O Sol é Para Todos.

A xícara com o chá pela metade, esquecida.

O cobertor dela dobrado, com o perfume familiar de lavanda e algo que sempre me acalmava.

Fechei os olhos.

E foi nesse instante que a culpa veio com força total.

“Você está exagerando.”

A frase que eu dissera a ela no jantar soou como veneno agora.

Ela só queria um momento.

Um gesto.

Um olhar que dissesse: ainda somos nós.

E o que eu ofereci? Trabalho, distração, desculpas.

Levantei-me num impulso, o coração batendo rápido.

Peguei o celular de novo.

Pensei em ligar para Olivia, mas hesitei.

Se Isa estava lá, talvez não quisesse ser incomodada.

Mas a incerteza me corroía.

Respirei fundo, caminhei até a varanda e disquei o número de Caio.

Demorou alguns toques até ele atender.

— Alô? — A voz dele veio sonolenta.

— Caio. Sou eu. Dante.

— Dante? — Um bocejo abafado. — Cara, você sabe que horas são?

— Eu sei, eu sei. — Passei a mão na nuca. — Desculpa te ligar assim, mas… Isa tá aí?

Lá fora, a cidade dormia.

Lá dentro, a casa era um eco frio de tudo o que eu tinha destruído com a minha ausência.

Encostei as mãos no parapeito, tentando respirar.

O vento da noite batia no rosto, mas não refrescava a mente.

Na editora, eu sempre tive respostas pra tudo.

Aqui, no que realmente importava, eu era só um idiota perdido.

Voltei pro quarto.

Sentei no chão, encostado na cama, olhando o berço vazio.

Lembrei do dia em que o montamos juntos, ela rindo, dizendo que eu não tinha jeito pra montar nada.

Lembrei do primeiro choro de Sofia, da primeira madrugada em claro, das olheiras compartilhadas.

E de como tudo isso parecia tão distante agora.

Passei as mãos no rosto, tentando conter a culpa.

— Você é um imbecil, Dante. — murmurei.

A frase ecoou, e pela primeira vez em muito tempo, soou verdadeira.

Horas se arrastaram.

A madrugada chegou.

Deitei na cama, mas o sono não veio.

O travesseiro dela ao meu lado parecia uma ferida aberta.

Peguei o celular de novo. Abri as fotos.

Isa sorrindo no parque, grávida, com o cabelo bagunçado pelo vento.

Isa segurando Sofia pela primeira vez, lágrimas nos olhos.

Isa dormindo no sofá, exausta, a bebê aninhada no peito.

A saudade veio com um gosto amargo.

Eu havia me convencido de que fazia tudo por elas, as longas horas no escritório, os contratos, as reuniões.

Mas agora percebia que estava apenas me escondendo.

Era mais fácil enfrentar advogados do que encarar o olhar dela me pedindo atenção.

Mais fácil resolver crises corporativas do que admitir que eu estava falhando como marido.

Fechei os olhos e murmurei no escuro:

— Eu vou consertar isso, Isa. Prometo.

Mas o quarto não respondeu.

Só o som distante da chuva começando lá fora.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”