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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 162

POV Isadora

Acordei com o som suave de Sofia resmungando ao meu lado.

A luz entrava pelas frestas da cortina da casa de Olívia, tímida, quase respeitosa.

Por um instante, esqueci onde estava.

O colchão diferente, o cheiro de café vindo da cozinha, o silêncio sem Dante.

A lembrança veio como uma onda, fria e pesada.

Passei a mão devagar nas costas de Sofia, que logo se acalmou e abriu os olhinhos sonolentos.

O rostinho dela, ainda meio amassado de sono, me fez sorrir com ternura.

— Bom dia, meu amor — sussurrei, beijando sua testa. — A mamãe tá aqui, tá tudo bem.

Mas nem tudo estava bem.

E eu sabia disso.

A noite anterior tinha sido longa. Eu mal consegui dormir, entre mamadas e pensamentos. O olhar de Dante, confuso e cansado, ainda me assombrava.

A imagem do nosso quarto vazio, do silêncio que eu deixei pra trás, me corroía.

Levantei devagar, balancei Sofia nos braços e fui até o espelho.

O reflexo me mostrou uma mulher com olheiras fundas, cabelo preso de qualquer jeito e uma tristeza que não disfarçava mais.

— Você precisava respirar, Isa — murmurei pra mim mesma. — Não foi covardia. Foi sobrevivência.

Desci com Sofia nos braços.

O cheiro de café forte e pão quente me atingiu antes de ver Olívia. Ela estava na cozinha, de moletom e coque alto, cantarolando algo baixinho enquanto preparava o café.

Quando me viu, abriu um sorriso caloroso.

— Bom dia, mãe de Sofia — disse, em tom brincalhão. — Dormiu um pouco?

— Um pouco — respondi, me sentando à mesa. — Acho que só cochilei entre uma mamada e outra.

Olívia colocou uma caneca fumegante na minha frente.

— Café pra acordar a alma. — E depois, num tom mais suave: — Quer conversar?

Suspirei, mexendo o café com a colher, sem olhar pra ela.

— Ele ligou ontem à noite.

— Eu imaginei.

— Não atendi.

— Também imaginei. — Ela se sentou, apoiando o queixo nas mãos. — E agora?

Olhei pra Sofia, que dormia outra vez, tranquila no carrinho ao meu lado.

— Eu não sei, Liv. Sinceramente, não sei.—

Engoli o nó que insistia em subir pela garganta.

— Eu só queria um pouco de paz. Um jantar, uma conversa, um gesto… qualquer coisa.

Mas ele está sempre cansado, sempre ausente. E quando tenta compensar, acaba piorando.

Olívia me observava em silêncio, o olhar firme e empático.

— Você sente que ele não te ouve, né?

Assenti.

— É como se eu falasse com uma parede. Eu sei que ele tá sobrecarregado, que tá tentando dar conta de tudo. Mas e eu? — A voz falhou. — Eu também tô tentando. Também tô cansada.

Ela estendeu a mão e segurou a minha.

— Eu sei, Isa. E olha… você não tá errada em ter saído. Às vezes, o silêncio é o único jeito de alguém perceber que precisa ouvir.

Fiquei em silêncio por um tempo, olhando o vapor subir da caneca.

Fiquei olhando a tela acesa até que o brilho apagou.

— Eu só queria… — hesitei. — Queria que ele percebesse antes de me perder.

Olívia se levantou e serviu mais café pra nós duas.

— Isa, homens como Dante só entendem quando o chão some. Mas você não pode esperar ele cair pra te estender a mão. Você tem uma filha agora. E a prioridade é ela e você.

Assenti, tentando acreditar nisso.

Sofia soltou um gemido suave e eu a peguei no colo, encostando o rostinho dela no meu ombro.

— Ela é tudo pra mim, Liv. Às vezes penso que se não fosse por ela, eu teria desabado.

— E é por isso que você não pode voltar pra casa só por culpa.

As palavras dela me atravessaram.

— Você acha que eu não devia voltar?

Ela suspirou.

— Eu acho que você devia pensar em por que voltaria. Pra resolver? Pra perdoar? Ou pra fingir que tá tudo bem até a próxima decepção?

Fiquei em silêncio.

Olívia estava certa, e era isso que doía mais.

Depois de um tempo, ela tentou aliviar o clima.

— E me diz, como tá a pequena? — perguntou, ajeitando o babador de Sofia.

Sorri. — Dorme mal, come bem e me hipnotiza o tempo todo. Ontem, ela segurou meu dedo tão forte que eu chorei.

— Ela puxou a mãe. Forte e sensível. — Olivia riu. — E linda.

Fiquei olhando Sofia dormir.

O peito dela subia e descia devagar, o som de sua respiração era o único ritmo que ainda me mantinha em pé.

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