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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 163

Pov Dante Harrison

Eu não dormi.

Passei a noite inteira andando pela casa como um fantasma, ouvindo o eco dos meus próprios passos entre as paredes frias da mansão.

O berço de Sofia estava vazio. O travesseiro de Isa, ainda com o cheiro dela, parecia zombar de mim.

Fiz isso. Fui eu quem a empurrou pra longe.

Quando o sol finalmente apareceu, a decisão já estava tomadaeu não ia trabalhar. Nem pensar.

Hoje, nada era mais importante do que ir até Olívia e trazer Isa e nossa filha de volta.

Dirigi em silêncio. Cada farol vermelho parecia me castigar com o tempo que perdi.

Pensei em todas as noites que cheguei tarde, nas mensagens não respondidas, nas vezes em que ela tentava me contar algo e eu dizia: “depois, Isa”.

Depois.

Sempre depois.

Quando estacionei em frente ao prédio de Olívia, fiquei parado por um momento, respirando fundo. O coração batia como se fosse pular do peito.

Toquei o interfone.

— Quem é? — a voz de Olívia soou, direta.

— Dante. — minha voz saiu rouca. — Eu vim buscar minha família.

Silêncio.

Depois, um estalo. O portão se abriu.

O apartamento cheirava a café fresco e a talco de bebê. Sofia estava no colo de Isa, adormecida.

Isa me olhou quando entrei, e foi como se o chão tivesse sumido debaixo dos meus pés.

Ela estava linda. Mesmo com os olhos cansados, com o cabelo preso de qualquer jeito, havia algo nela que me fazia querer ajoelhar e pedir perdão.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou, fria, sem levantar a voz.

— Vim buscar vocês.

Olívia, que observava da cozinha, cruzou os braços.

— Acho que ela não está pronta pra isso, Dante.

— Eu preciso conversar com ela. Só nós dois. — pedi.

Isa olhou pra amiga. Um segundo de hesitação.

Olívia suspirou, beijou Sofia na testa e saiu da sala, fechando a porta atrás de si.

Ficamos sozinhos.

O som suave da respiração da nossa filha era o único ruído.

— Isa... — comecei, mas ela me cortou.

— Não precisa, Dante. Eu já entendi tudo.

Ela ajeitou Sofia no berço portátil ao lado e ficou de pé, me encarando.

Havia lágrimas acumuladas, mas o tom era firme, ferido.

— Você acha que eu sou o quê? Uma decoração na sua vida? Alguém que você tira e coloca quando dá tempo entre uma reunião e outra?

— Não é isso...

— É exatamente isso! — ela explodiu. — Você me deixou sozinha, Dante. Sozinha, com uma recém-nascida, numa casa que nem parece minha! Você chega tarde, mal olha pra gente, e quando olha é pra dizer “eu tô cansado”. E o pior... o pior foi o jantar.

A lembrança me atravessou como uma lâmina.

Camila. A maldita reunião disfarçada de “compromisso profissional”.

— Eu errei — admiti, me aproximando devagar. — Foi uma idiotice minha. Eu achei que...

— Que seria uma boa ideia me levar pra jantar com uma mulher que te olhava como se eu fosse invisível? — ela riu sem humor. — Você não percebe, Dante, mas aquilo me matou por dentro.

— Eu queria mostrar pra ela que eu só tenho olhos para você. Que não existia mais espaço pra nada além de você.

Ela me olhou, incrédula.

A verdade é que ela tinha razão. Promessas eram fáceis. Mas eu estava disposto a provar cada palavra.

Peguei a mão dela, fria e hesitante, e a levei aos meus lábios.

— Me deixa tentar de novo. Só mais uma vez.

Ela ficou em silêncio. Então, lentamente, respondeu:

— Você já está tentando. Está aqui.

***

Horas depois, Sofia dormia entre nós, e o silêncio não era mais hostil.

Isa repousava encostada em mim, exausta, mas mais calma.

Afaguei seus cabelos, sentindo a respiração dela desacelerar.

Olívia apareceu na porta, com um sorriso discreto.

— Então... paz selada?

Isa abriu um olho.

— Trégua. Por enquanto.

Olívia riu. — Já é um começo.

Eu a olhei, agradecido.

Ela acenou, como quem diz “não estraga de novo”.

E eu não ia.

Não dessa vez.

Olhei pra Isa, pro pequeno corpo de Sofia entre nós, e fiz uma promessa silenciosa... dessa vez, eu seria o homem que elas mereciam.

Mesmo que o mundo inteiro tentasse me puxar de volta pro caos.

Porque se perder Isa uma vez já doeu, eu não sobreviveria a perder de novo.

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