Pov Dante Harrison
A cidade parecia respirar diferente naquela noite.
Depois de tudo, lágrimas, confissões, o medo de perdê-la, Isa e Sofia estavam comigo de novo.
Mas eu sabia que o simples fato de estarem ao meu lado não significava perdão.
Eu precisava merecer.
Saímos do apartamento de Olívia. Isa, calada, segurava a bebê com cuidado. Aquele silêncio dela me partia em mil pedaços, porque não era raiva. Era cansaço. Um tipo de exaustão que vem quando alguém ama demais e se decepciona demais.
No carro, eu respirei fundo antes de dizer:
— Não vamos voltar pra mansão hoje.
Ela me olhou, confusa.
— Como assim?
— Eu reservei um hotel. Só por algumas noites. — olhei rapidamente pra ela. — Eu preciso… te tirar de lá, Isa. Daquela casa, daquele peso. Só a gente.
Ela demorou a responder. Então, suavemente:
— E Sofia?
Sorri.
— O hotel tem tudo o que a gente precisa. E se ela chorar, o mundo que aguente.
Um pequeno riso escapou dela, e naquele instante, eu soube que ainda havia esperança.
***
O hotel era um dos mais discretos e elegantes da cidade, no alto de um prédio com vista para o mar.
O quarto tinha tons claros, janelas enormes e uma varanda onde o vento batia suave.
Deixei Isa com Sofia no quarto enquanto fui resolver o jantar que eu vinha planejando desde a manhã.
Não queria flores, queria sinceridade.
Não queria luxo, queria tempo.
Reservei uma mesa no restaurante do hotel, pedi um menu simples, o que ela mais gostava: massa fresca e vinho tinto leve.
Quando voltei ao quarto, ela terminava de arrumar Sofia no berço portátil.
— Tá planejando alguma coisa, não é? — ela perguntou, arqueando a sobrancelha.
— Talvez. — sorri. — Posso roubar você por algumas horas?
Ela cruzou os braços, fingindo desconfiança.
— Depende. Tem cláusula de arrependimento?
— Só se for pra nunca mais te deixar sozinha. — respondi.
Isa balançou a cabeça, mas o canto da boca denunciava um sorriso.
Descemos para o restaurante.
As luzes eram baixas, a música era leve, uma melodia de piano que preenchia o silêncio sem precisar dominá-lo.
Isa vestia um vestido simples, azul claro, o cabelo solto, natural. E eu juro: nunca a vi tão linda.
— Espero que goste. — puxei a cadeira pra ela.
— Estou surpresa. Não achei que Dante Harrison ainda soubesse planejar encontros.
— Eu esqueci como era… até lembrar o que estava perdendo. — confessei, sentando em frente a ela.
Os olhos dela me estudaram por um instante.
— E o que exatamente você acha que estava perdendo?
Respirei fundo.
— Você. A gente. A calma de jantar olhando pra você em vez de pra uma tela de celular. O jeito que você fala com as mãos. O sorriso antes de dormir. Tudo.
Ela desviou o olhar, emocionada, mas tentando disfarçar.
— Você fala bonito quando quer.
— É fácil quando é verdade.
— Eu prometo.
Isa segurou o copo com as duas mãos, pensativa.
— Você sabe… eu sonhei com uma vida simples. Uma casa pequena, risadas, um jantar assim. Mas tudo ficou tão grande, tão cheio de obrigações, que às vezes esqueço quem eu era antes disso tudo.
Peguei a mão dela.
— Então vamos lembrar juntos.
Os olhos dela se encontraram com os meus, marejados.
— Você fala como se fosse fácil.
— Não é. — respondi. — Mas tudo que vale a pena nunca é.
Ela respirou fundo e apertou minha mão.
E naquele gesto, eu soube que ainda tínhamos conserto.
Mais tarde, subimos pro quarto.
Sofia dormia tranquila. Isa foi até o berço, acariciou o rostinho dela e depois se virou pra mim.
— Obrigada. Por isso.
— Não me agradece. Eu devia ter feito muito antes.
Ela se aproximou devagar, e quando encostou a cabeça no meu peito, senti o coração dela batendo rápido — igual ao meu.
— Eu tô tentando confiar em você de novo — ela sussurrou.
— E eu vou te dar todos os motivos pra conseguir. — respondi, beijando o topo da cabeça dela.
Por um instante, o mundo pareceu em paz.
Não havia mansões, intrigas, famílias.
Só nós três.
E pela primeira vez em muito tempo, eu acreditei que recomeços são possíveis, desde que o amor ainda esteja disposto a lutar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”