POV Isadora
O quarto do hotel estava envolto em uma penumbra suave, dourada pelas luzes da cidade que atravessavam a cortina entreaberta. O ruído distante do trânsito era como uma melodia abafada, que não conseguia romper a bolha de calma que Dante havia construído ao nosso redor.
Sofia dormia no berço portátil, entregue a sonhos inocentes, e eu me sentia como se estivesse flutuando entre a exaustão e algo que há muito não sentia: paz.
Ele estava sentado na poltrona, de camisa social aberta, o rosto cansado e os olhos baixos. A imagem me desarmou. Não era o homem impassível das últimas semanas. Não era o marido distante que se perdera entre prazos, reuniões e obrigações.
Era Dante, o meu Dante, o homem que me fazia rir até chorar, que sabia o jeito exato de me abraçar quando o mundo parecia desabar.
— Você não precisava ter feito tudo isso — murmurei, quebrando o silêncio.
Ele ergueu o olhar e um sorriso quase tímido apareceu nos lábios.
— Eu precisava, sim. — A voz saiu baixa, firme, carregada de arrependimento. — Eu precisava te lembrar de quem nós somos.
Demorei alguns segundos para responder. Parte de mim queria ceder, outra ainda sangrava pelo descuido dos dias anteriores.
— E quem nós somos, Dante? — perguntei, sem conseguir esconder o tremor.
Ele se levantou devagar, como se cada passo em minha direção fosse uma confissão silenciosa.
— Somos o que sobrou depois do caos — respondeu, parando diante de mim. — E o que sobrou ainda é amor.
As palavras dele se infiltraram no meu peito como um sopro morno. Era isso. Amor, apesar de tudo.
Apesar do cansaço, da distância, dos erros.
Senti a ponta dos dedos dele tocar o meu rosto, leve, como se pedisse permissão. O calor da pele dele me fez fechar os olhos. A mão desceu para o meu pescoço, depois para os ombros, e por um instante, eu esqueci todas as noites em que dormi sozinha.
— Eu senti sua falta — ele murmurou.
— Eu também — respondi, antes que o orgulho tentasse me calar.
Ficamos ali, um de frente para o outro, e foi como se o tempo se curvasse, trazendo de volta a lembrança do início, dos beijos apressados, dos risos entre travesseiros, dos planos sussurrados em madrugada. O ar parecia mais denso, cheio de algo que eu não nomeava havia meses.
Dante se aproximou mais, o rosto a poucos centímetros do meu. O olhar dele buscava o meu como quem procura abrigo.
— Me deixa te amar de novo, Isa — pediu, a voz embargada. — Não só com o corpo, mas com tudo que eu esqueci de te dar.
Meu coração disparou. As palavras dele tinham peso, tinham dor, tinham verdade. Eu o amava, e mesmo ferida, sabia que o amor ainda morava em mim.
Balancei a cabeça, afirmando em silêncio. E então ele me beijou.
O beijo não foi apressado. Foi lento, cheio de hesitação e ternura. A boca dele provava a minha como se tentasse reaprender o caminho. Era um beijo de reencontro, de perdão e de necessidade.
O mundo desapareceu, só restou o som das respirações misturadas e o toque quente da pele.
Quando ele me deitou sobre a cama, tudo pareceu natural, inevitável. A luz suave da luminária delineava os contornos do rosto dele, e cada gesto era carregado de reverência. Não havia pressa, não havia domínio, apenas o cuidado de quem entende que amor também é gentileza.
Os gemidos que saíam de mim já não eram contidos; eram sons roucos e contínuos de prazer puro, de alívio, de volta para casa.
— Dante... — gemi, meu corpo já tremendo à beira do abismo.
Ele entrou em mim com uma lentidão que era quase uma agonia divina. Um suspiro profundo e compartilhado encheu o espaço entre nós. Não havia pressa. Cada movimento de seus quadris era uma promessa sussurrada, um pedaço de nós sendo recolado.
Ele segurava meu rosto, seus olhos presos nos meus, e eu podia ver tudo... arrependimento, o amor, o medo, a esperança, refletido no âmbar de seus olhos.
O calor espalhou-se do nosso ponto de união por todo o meu corpo, uma maré crescente.
A pressão tornou-se insuportavelmente deliciosa, e eu me agarrei a ele, enterrando o rosto em seu pescoço, cheirando seu aroma único enquanto a onda finalmente quebrava. Um grito abafado contra sua pele marcou o meu clímax, um tremor violento e liberador que me deixou fraca e completa.
Ele segurou-me ainda mais forte, seus próprios movimentos perdendo o ritmo controlado, tornando-se mais profundos, mais urgentes. Com um gemido gutural e profundo, ele encontrou o seu próprio prazer, e seu corpo pesou sobre o meu num último e doce abandono.
Ficamos assim por um tempo que não pôde ser medido, ofegantes, suados, entrelaçados. O silêncio que se instalou não era vazio; estava preenchido com o eco da nossa reconciliação, com o som suave da nossa respiração se acalmando em uníssono.
Seus lábios encontraram minha testa em um beijo suave e final.
— Eu não quero perder mais um dia longe de você — sussurrou ele, sua voz carregada de emoção e da fadiga do prazer.
Sorri, exausta, com o corpo leve e a alma lavada.
O amor, naquele momento, não era apenas uma memória ou uma promessa. Era uma sensação física, tátil e quente, que respirava conosco na penumbra silenciosa do quarto.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”