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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 17

POV Isadora Ferraz

O som da porta se fechando atrás de mim parecia um caixão lacrado.

O corredor dos bastidores ficou pequeno. O ar rarefeito.

Dante não me seguiu. E eu não o culpei.

Não depois da covardia que precisei cometer.

Saí do auditório.

Lá fora, o mundo era um borrão de flashes, buzinas e caos.

Mas nada foi mais barulhento do que o silêncio quando eu o vi.

Heitor.

Encostado no capô de um carro preto, terno sob medida, braços cruzados, sorrisinho torto no canto da boca.

Como um vilão satisfeito com a própria performance.

— Até que enfim, né, princesa?

Ignorei. Tentei passar direto.

— Sem beijo? Depois do showzinho? Achei que merecia ao menos um “obrigada por salvar sua carreira”.

Parei. Fechei os olhos por um segundo.

Respirar.

— O que você quer, Heitor?

Ele se afastou do carro e veio andando devagar, como quem desfila a própria arrogância.

— Quero te parabenizar. Você aprendeu, afinal. A calar quando deve. A obedecer quando precisa.

— Eu não obedeci. Eu me protegi.

Ele riu.

Riu com a boca. Com o peito. Com o ego nojento.

— Ah, Isa… você não se protegeu. Você se curvou. Como sempre faz. A mulherzinha ferida que sonha em ser heroína, mas não aguenta o peso da armadura.

— Vai embora.

— Vai você. Ou vai fazer outro escândalo agora, na frente de todo mundo?

Dei um passo. Ele deu outro.

— Eu vi o vídeo, sabia? A gravação da sua crise. Nossa… que espetáculo. Você gritando, chorando, batendo na parede como uma criança mimada. Quase tive pena. Mas aí lembrei quem você é: uma mentira bem maquiada.

— Você armou aquilo.

— Claro. E faria de novo. Aliás, fiz mesmo. Você acha que só existe uma gravação? Quantas vezes você desabou na minha frente, hein? Quer que eu publique uma por semana? Podemos fazer um reality.

— Você é doente.

Ele sorriu. Um sorrisinho curto, venenoso.

— E você é minha. Até o fim.

Parei.

— Nunca mais repita isso.

— Por quê? Vai fazer o quê? Me bater? Me denunciar?

Ele se inclinou, perto do meu rosto.

— Você teve a chance de me derrubar hoje. E não teve coragem. Agora somos só nós dois de novo. E o mundo inteiro acreditando que você me perdoou.

A lágrima quis cair. Mas eu segurei.

Ele não teria isso de mim. Não ali. Não agora.

— E se você acha que Dante vai te perdoar, pensa de novo. Ele tá destruído. Vi nos olhos dele. Vi a mágoa. E a dúvida.

— Como quiser, querida. Mas não se esqueça: estamos todos aqui por sua causa. Você deve isso a nós.

Eu sorri. Do jeito que se sorri pra uma faca.

— Eu sei. E prometo devolver… com juros.

Subimos as escadas. Os saltos dela ecoando atrás como tambor de guerra.

No quarto de hóspedes, fechei a porta com Heitor logo atrás. Ele largou a chave sobre a cômoda, tirou o paletó, e se jogou na poltrona com o tédio de quem acha que já venceu.

— Está pronta para o teatrinho de boas-vindas?

Me virei devagar. Mantive a calma. E deixei cada palavra sair como ácido sob controle.

— Eu vou ficar aqui. Do jeito que vocês querem. Sorrindo pra câmera. Fingindo perdão. Mas com condições.

Ele arqueou uma sobrancelha. Arrogância moldada em carne.

— Quais?

— Continuo trabalhando na editora Vertigem, com o Dante. Isso não é negociável. Quero meu próprio quarto, separado. Sem toque. Sem beijo. Sem fachada de casal feliz além das fotos. E Elena… que fique no porão, na garagem, no telhado, onde quiser. Mas longe de mim.

Heitor riu. Devagar. Sarcástico.

— Mandando agora?

— Não estou mandando. Estou delimitando. Você quer a imagem da mulher que te perdoou. Eu te dou. Em troca, você me dá espaço. Porque se tentar me sufocar de novo… eu não vou me calar. E você sabe, Heitor, que eu sou melhor com palavras do que você jamais foi com ações.

Ele parou de rir.

— Você está blefando.

— Você está vivo porque eu ainda não comecei.

Ficamos frente a frente por alguns segundos. Depois ele recuou. Virou-se. Cuspiu um “faça o que quiser” antes de sair e bater a porta.

Sentei na cama. Sozinha. A mansão inteira parecia respirar em silêncio forçado. Mas eu sentia o grito crescendo dentro de mim. Célia podia exibir vestidos. Heitor podia posar de marido. O mundo podia bater palmas pra esse retorno.

Mas eu? Eu estava plantando a vingança. E quando germinasse, ninguém ia sobreviver pra contar a história com final feliz.

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