Pov Heitor Montenegro
O sorriso dela era uma armadilha de seda e aço. A faísca de vitória nos seus olhos ao se afastar do beijo foi o estopim. Algo dentro de mim, uma corda que estava sendo esticada há meses, talvez anos, finalmente arrebentou. Não era desejo. Era algo mais primitivo: raiva, frustração, e um cansaço profundo de toda aquela farsa.
"Viu? Não foi tão difícil."
As palavras dela ecoaram no quarto abafada, misturando-se ao tilintar do gelo no meu copo. Eu olhei para ela, para aquele corpo perfeitamente disposto na lingerie preta, para aquele olhar que me desafiava a quebrar, e decidi aceitar o desafio.
Se era um marido que ela queria, era um marido que ela ia ter. Da pior maneira possível.
Em um movimento brusco, esvaziei o copo de whisky de uma vez, sentindo o líquido ardendo descendo pela minha garganta. Deixei o copo cair com um baque surdo na carpete. O som fez o sorriso dela vacilar por uma fração de segundo.
— Você está certa, Leyla — minha voz saiu áspera, destituída de qualquer calor. — Parar de lutar é mais fácil.
Avancei até ela. Não foi um movimento de amante, foi de predador. Meus dedos se fecharam em torno do seu braço, com uma força que eu sabia que deixaria marcas roxas. Um pequeno suspiro de surpresa, não de dor, escapou dela.
— Heitor... — ela sussurrou, e pela primeira vez, havia uma ponta de incerteza naquela voz sempre controlada.
— Cala a boca — cortei, puxando-a com força contra meu corpo.
Meus lábios encontraram os dela novamente, mas não havia nada do beijo teatral de antes. Era uma invasão. Um ato de posse. Eu forcei sua boca a se abrir, minha língua invadindo o espaço dela, dominando, saboreando o gosto artificial do batom e o sabor mais profundo, metálico, do poder. Ela gemeu, um som abafado e confuso, e suas mãos se agarraram aos meus ombros, as unhas cravando-se através do tecido da minha camisa.
Quebrei o beijo bruscamente, ofegante. Seus olhos estavam brilhando, a pupila dilatada, uma mistura de choque e da excitação perversa que ela sempre escondera.
— É isso que você quer, não é? — rosnhei próximo ao seu ouvido, minha mão descendo pelas suas costas, agarrando a renda fina da calcinha e puxando com força. O tecido rasgou com um som seco e satisfatório. — Ser tratada como a esposa que você insiste em ser.
Eu não a beijava, não a olhava nos olhos. Focava apenas na sensação física, no calor úmido e apertado do seu corpo, tentando afogar todos os pensamentos, todas as memórias, naquele ato vazio.
A tensão explodiu na base da minha espinha de forma abrupta e violenta. Um grunhido saiu da minha garganta, um som animal, e eu me enterrei nela até o fim, jorrando dentro dela com uma convulsão que foi mais de alívio do que prazer. Meu corpo tremeu sobre o dela, e então o peso da realidade começou a voltar, mais pesado do que antes.
Fiquei sobre ela por um momento, ofegante, o suor escorrendo pelo meu rosto. Então, soltei seus pulsos e me afastei, caindo de lado na cama, exausto e vazio.
O silêncio que se seguiu foi mais denso e mais revelador do que todos os sons anteriores. Aos poucos, ela se moveu, virando-se de lado. Seu corpo estava marcado, o cabelo despenteado, a maquiagem manchada. Ela me olhou, e não havia mais vitória em seus olhos. Havia apenas o mesmo vazio que eu sentia, mas com um fundo de algo que parecia muito com horror.
Sem uma palavra, me levantei da cama, puxei minha calça e a fechei. Caminhei até o banheiro, deixando-a ali, na cama desfeita, o cheiro do nosso sexo enchendo o quarto como um fantasma.
Era isso. Eu tinha dado a ela o que ela queria. E no processo, tinha me certificado de que nenhum de nós jamais esqueceria que aquele casamento era, e sempre seria, uma gaiola.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”