Pov Heitor Montenegro
O dia foi mais um inferno.
Decidi ignorar e apagar a noite anterior, onde transei com Leyla como um selvagem. Estava completamente irritado com sua insistência.
Após o trabalho, decidi passar num bar próximo ao escritório. Quero perder horas aqui dentro para chegar em casa e encontrar as mulheres daquela casa dormindo. Acho que não suportaria qualquer veneno saindo da boca delas hoje.
As horas se passaram e eu já não estava mais pensando em nada. O álcool estava agindo em meu lugar.
***
A porta do quarto pareceu balançar diante de mim antes que eu conseguisse empurrá-la. O mundo era um barco à deriva, e meu estômago um mar revolto.
O último gole de uísque ainda queimava minha garganta, um fogo surdo que não era páreo para o frio que habitava meus ossos. A escuridão do quarto era acolhedora, quebrada apenas pela fresta de luz da rua que iluminava a forma debaixo dos lençóis.
Eu cambaleei, segurando-me no batente para não desmoronar. O ruído me acordou.
Leyla se virou, esfregando os olhos. A voz dela veio grossa de sono.
— Heitor? Que horas são? O que houve?
Eu a olhei. E, através do véu embaçado do álcool, o milagre aconteceu. Os cabelos de Leyla suavizaram-se, ganhando reflexos castanhos ao luar. Os traços afiados do seu rosto arredondaram-se, ficaram mais doces. Os olhos, antes sempre calculistas, agora eram grandes, profundos, cheios de uma preocupação terna que me partiu o peito ao meio.
Era ela. Isadora.
Um sorriso lento, estúpido, de pura e completa felicidade, abriu meu rosto. Era um sorriso que eu não dava há meses. A tensão, a raiva, o peso de tudo... tudo se dissolveu naquele instante de engano perfeito.
— Isa... — a palavra saiu como um suspiro, um acalento, carregada de todo o amor e toda a dor que eu carregava. — Você tá aqui.
Avancei tropeçando em direção à cama. Ela se sentou, um leve fruncir de sobrancelhas em seu rosto, mas eu não vi. Só vi a mulher que amava, esperando por mim.
Ajoelhei-me na cama, as mãos tremulas indo até o rosto dela. Toquei suas faces com uma reverência que beirava o religioso. Meus polegares acariciaram suas pálpebras, a curva de suas maçãs, o contorno de seus lábios. Ela estava imóvel, observando-me com uma expressão que eu, em minha cegueira, interpretei como amor.
— Sinto sua falta... todo santo dia — confessei, minha voz rouca e quebrada pela emoção e pelo álcool. — Eu estraguei tudo, eu sei. Me perdoa. Por favor, me perdoa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”