Entrar Via

7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 77

POV Isadora Ferraz

A chuva fina dançava no vidro, enquanto a cidade se despia do caos e vestia o silêncio úmido da noite. Dante dirigia tranquilo, uma mão no volante, a outra apoiada perto da marcha, dedos longos batucando de leve uma melodia muda. O carro cheirava a café e mistério, e eu… eu estava tentando não olhar para ele mais do que devia.

Mas era difícil. Ele estava lindo demais naquele moletom escuro, barba por fazer, aquele ar de “sou forte, mas tô tentando ser gentil”, e a voz grave que me atravessava toda vez que dizia meu nome com suavidade.

— A gente já está chegando. — ele disse, olhando rápido pro lado.

— Eu sei. — murmurei. — Só… não precisava me trazer. Eu podia ter pegado um táxi.

— E perder a desculpa perfeita pra ficar mais alguns minutos com você? Nem pensar.

Me peguei rindo. Daquele jeito torto que só ele conseguia tirar de mim. Aquele riso que escapava sem permissão, como quem volta pra casa depois de muito tempo.

Chegamos à casa de Olivia. A luz do portão estava apagada, mas o varal de gatinhos de pano ainda balançava com o vento. Antes de sair, ele segurou meu braço com leveza.

— Ei. Você está bem mesmo?

Assenti.

— Hoje foi um dia bom.

— E… você ainda está brava comigo?

— Não. — soltei, depois de um segundo de hesitação. — Eu só… preciso do meu tempo. Tudo está confuso. E o bebê… é muita coisa.

— Eu sei. — ele respondeu, a voz baixa. — E eu não quero apressar nada. Mas também… não quero fingir que não sinto nada.

— Dante…

— Eu te amo, Isa. — ele falou de uma vez, como se precisasse vomitar aquilo antes que o coração explodisse. — Eu amo você desde o primeiro dia que vi você recusar um café porque estava frio demais. Desde que vi você chorar na sala da editora. Eu amo tudo. Até suas dúvidas. Até seu silêncio.

Fiquei sem ar por um segundo. O tipo de silêncio que se instala no peito quando o mundo para.

— Isso é muita coisa para mim agora. — confessei.

— Eu sei. Não estou pedindo nada. Só estou te dizendo. Porque... é real.

Nos encaramos. A chuva caía mais forte agora, e lá fora tudo era borrão. Mas aqui dentro, era só ele. Só nós. Ele se aproximou devagar, o olhar pedindo permissão. Meu coração disparou. Uma, duas, mil vezes. E eu deixei. Nossos lábios se encontraram como se já soubessem o caminho. Quentes. Macios. Famintos, mas calmos. Um beijo com gosto de “finalmente”. De “tô aqui”. De “fica”.

Os dedos dele tocaram meu rosto com reverência, como se eu fosse feita de coisa rara. Beijei de volta com vontade. Não era o fim de nada, nem o começo de tudo. Era só o agora. Era só eu… deixando ser. Nos afastamos devagar, respiração entrecortada, olhos nos olhos.

— Eu vou esperar. — ele disse, tocando minha barriga com delicadeza. — Mas juro… vou estar aqui pra cada passo.

Sorri.

— Boa noite, Dante.

— Boa noite, Isa.

Desci do carro. E, por dentro, uma parte de mim já não queria ir embora.

***

A casa de Olivia cheirava a pipoca queimada e esmalte barato, o combo perfeito pra uma noite de desabafo, terapia informal e zero juízo. A sala estava uma bagunça: almofadas no chão, cobertores espalhados, uma garrafa de vinho aberta para ela e suco para mim, e Olivia com uma máscara facial verde, segurando uma taça como se fosse o Santo Graal.

— ENTÃO VOCÊ BEIJOU O DANTE?! — ela praticamente berrou, cuspindo um pouco de vinho.

— Pelo amor de Deus, abaixa a voz! — resmunguei, corando até os fios da alma. — Vai acordar os vizinhos… e os mortos. E não é como se fosse a primeira vez, né. Eu estou grávida dele!

— Isadoraaaaaaa! — ela se jogou no sofá, dramaticamente. — E foi beijo de “ai, que saudade” ou beijo de “se eu não tivesse grávida, estaria sem calça nesse carro agora”?

— Olivia!

— O QUÊ? Eu sou só a narradora interessada, poxa. Me dá esse gostinho.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”