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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 79

POV Dante Harrison

O som do silêncio preencheu o quarto como fumaça. Isadora estava sentada na beirada da cama, com as mãos trêmulas apertando os próprios joelhos, o olhar perdido no nada. Eu podia ver os ombros dela tensos, como se carregassem o peso de três vidas.

— Isa… — me aproximei devagar, sentindo o ar rarefeito.

Ela não respondeu. O celular dela estava jogado na cama, a tela ainda acesa com a mensagem de voz que Heitor tinha mandado há minutos. A voz dele era arrastada, embriagada. Chorando. Suplicando. Uma montanha russa entre “me perdoa” e “vou tirar esse bebê de você”.

O coração dela parecia pulsar no ar, fora do corpo.

— Amor, fala comigo — toquei no braço dela, suave.

— Eu… eu não consigo respirar — ela sussurrou, como se cada palavra rasgasse a garganta.

— Está tudo bem. Respira fundo comigo, tá? Inspira… — comecei a conduzir.

Mas ela não seguiu. O peito dela arfava, descompassado. O som era agudo, como se o ar recusasse entrar. As mãos foram ao pescoço. O corpo inteiro tremia.

— Isadora! — ajoelhei na frente dela, segurando os pulsos. — Olha para mim. Está aqui comigo, tá? Eu estou aqui.

Os olhos dela estavam vidrados. Assustados. Perdidos. Ela tentava, mas não conseguia. Os lábios ficaram roxos. O suor brotou na testa. O corpo dela começou a tombar.

— Merda, Isa, NÃO! — a segurei nos braços no exato momento em que ela desabou.

O pânico me invadiu como faca. Deitei ela no chão, cuidadosamente, mantendo a cabeça erguida. Coloquei a mão no pescoço, o pulso ainda batia, mas fraco. A barriga se mexia um pouco, sinal de que o bebê ainda estava bem. Mas ela não respondia. O rosto pálido, os olhos fechados, a respiração curta.

— Não faz isso comigo — sussurrei, com a voz tremendo. Peguei o celular, mãos trêmulas. Liguei para a emergência. Expliquei tudo rápido. O endereço. Os sintomas. A gravidez.

Enquanto a ambulância não chegava, fiquei ali no chão com ela nos braços. Beijando a testa dela. Sussurrando coisas que eu não sabia se ela podia ouvir.

— Eu tô aqui. Eu tô com você. Não precisa mais aguentar sozinha. Você não está sozinha, Isa. Nunca mais.

A ambulância chegou em oito minutos. Os mais longos da minha vida. Eu fui junto. Apertei a mão dela o tempo todo, mesmo que ela estivesse inconsciente. No hospital, os médicos entraram rápido com ela. Me deixaram na sala de espera, onde o ar parecia pesar toneladas. Liguei para Olívia. Ela saiu do trabalho na hora. Lorenzo também. Caio chegou pouco depois. Eu estava de pé, andando de um lado para o outro, até que o médico apareceu.

— Ela teve uma crise severa de ansiedade, o que causou um pico de pressão e desmaio. Mas ela e o bebê estão bem, estáveis.

Meu joelho quase cedeu. Agradeci, engolindo o choro.

— Ela está acordada? — perguntei.

— Está, mas fraca. Vamos manter ela em observação por 24 horas. E, sinceramente, ela precisa de paz.

Paz. A palavra mais distante da vida dela agora. Respirei fundo. Entrei no quarto com o coração na boca. E lá estava ela. Deitada, pálida, com soro no braço. Mas viva. Frágil, mas lutando.

— Isa… — me aproximei, os olhos marejados.

Ela virou o rosto lentamente. As lágrimas escorriam sem força.

— Ele vai… ele vai tirar meu filho, Dante.

— Ninguém vai tirar nada de você, meu amor. Eu juro por tudo… eu vou proteger vocês dois. Até o fim.

Ela fechou os olhos. As lágrimas continuaram caindo. Eu sentei ao lado dela, segurei a mão com delicadeza. E jurei, em silêncio: Se eu tiver que acabar com cada um dos Montenegro por você, Isa... Que assim seja.

***

As paredes do hospital pareciam sufocar. A luz branca era agressiva, e o tique-taque do relógio me torturava como uma contagem regressiva para o caos. Isadora dormia lá dentro, exausta depois da crise, e eu... eu só queria sangue. Olívia estava impaciente na sala de espera. Caio estava ao seu lado, segurando a sua mão e tentando acalma-la.

— Como ela está? — a voz saiu firme.

— Está dormindo. O médico disse que ela e o bebê estão estáveis, mas… — engoli seco. — Ela desmaiou nos meus braços, Oli. Eu achei que... eu achei que ia perdê-la.

Ela sentou devagar, passando a mão no rosto.

— E o que exatamente aconteceu antes da Isa desmaiar? — Olívia perguntou, a voz baixa, mas cheia de tensão.

Dante respirou fundo, o maxilar travado.

— Elena esteve lá no apartamento. — disse, finalmente. — Ela apareceu sem avisar. Disse que queria dar um recado em relação ao Heitor.

Olívia arqueou uma sobrancelha, como quem já esperava por alguma bomba.

— Que tipo de recado?

Dante passou as mãos pelo rosto, como se ainda tentasse digerir o que ouviu.

Olívia cruzou os braços, firme como sempre.

— Então a gente vai fazer isso do jeito certo. Com provas, com leis. Nada de loucuras, Dante. A Isa precisa confiar na gente, e isso começa com responsabilidade.

Assenti. Mas havia algo dentro de mim que já gritava por guerra.

— Já comecei a montar tudo. Desde o dia em que vi aquele vídeo, eu soube que havia mais coisa por trás. Não foi só vingança. Foi um plano. E agora… agora está tudo vindo à tona.

— O que você quer dizer com isso? — Olívia franziu a testa.

Tirei o celular do bolso. Havia acabado de receber uma mensagem do Sérgio, meu investigador:

“Novidades sobre o vídeo e os envolvidos. Precisamos conversar ainda hoje.”

— Tenho um investigador. Ele está rastreando tudo. A origem da gravação, os envolvidos no vazamento, os laços entre Elena e a família Montenegro. Tem coisa feia vindo.

Caio se afastou da janela, surpreso.

— Você está jogando xadrez, irmão?

— Estou jogando para manter a mulher que eu amo viva. E para garantir que esse bebê venha ao mundo seguro. E feliz.

Olívia respirou fundo. Caminhou até mim.

— Eu vou cuidar das partes legais. Medida protetiva contra o Heitor. Boletim contra a Elena. Tudo. Mas me promete uma coisa, Dante.

— O que for.

— A Isa precisa saber de tudo. No tempo dela, com calma… mas precisa. A única coisa que ninguém mais vai tirar dela é o controle da própria vida.

Olhei para a porta do quarto onde ela dormia. Tão frágil. Tão forte.

— Eu prometo. Mas hoje ela precisa dormir. E amanhã… amanhã a gente começa a demolição. Tijolo por tijolo.

Caio estendeu a mão, e eu apertei. Era mais que um aperto. Era um pacto. A guerra começou ali, naquela sala fria. Não com gritos. Mas com silêncio. Com promessas. E com um amor que já não era mais só meu. Era por ela. Por nós.

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