POV Dante Harrison
O som do silêncio preencheu o quarto como fumaça. Isadora estava sentada na beirada da cama, com as mãos trêmulas apertando os próprios joelhos, o olhar perdido no nada. Eu podia ver os ombros dela tensos, como se carregassem o peso de três vidas.
— Isa… — me aproximei devagar, sentindo o ar rarefeito.
Ela não respondeu. O celular dela estava jogado na cama, a tela ainda acesa com a mensagem de voz que Heitor tinha mandado há minutos. A voz dele era arrastada, embriagada. Chorando. Suplicando. Uma montanha russa entre “me perdoa” e “vou tirar esse bebê de você”.
O coração dela parecia pulsar no ar, fora do corpo.
— Amor, fala comigo — toquei no braço dela, suave.
— Eu… eu não consigo respirar — ela sussurrou, como se cada palavra rasgasse a garganta.
— Está tudo bem. Respira fundo comigo, tá? Inspira… — comecei a conduzir.
Mas ela não seguiu. O peito dela arfava, descompassado. O som era agudo, como se o ar recusasse entrar. As mãos foram ao pescoço. O corpo inteiro tremia.
— Isadora! — ajoelhei na frente dela, segurando os pulsos. — Olha para mim. Está aqui comigo, tá? Eu estou aqui.
Os olhos dela estavam vidrados. Assustados. Perdidos. Ela tentava, mas não conseguia. Os lábios ficaram roxos. O suor brotou na testa. O corpo dela começou a tombar.
— Merda, Isa, NÃO! — a segurei nos braços no exato momento em que ela desabou.
O pânico me invadiu como faca. Deitei ela no chão, cuidadosamente, mantendo a cabeça erguida. Coloquei a mão no pescoço, o pulso ainda batia, mas fraco. A barriga se mexia um pouco, sinal de que o bebê ainda estava bem. Mas ela não respondia. O rosto pálido, os olhos fechados, a respiração curta.
— Não faz isso comigo — sussurrei, com a voz tremendo. Peguei o celular, mãos trêmulas. Liguei para a emergência. Expliquei tudo rápido. O endereço. Os sintomas. A gravidez.
Enquanto a ambulância não chegava, fiquei ali no chão com ela nos braços. Beijando a testa dela. Sussurrando coisas que eu não sabia se ela podia ouvir.
— Eu tô aqui. Eu tô com você. Não precisa mais aguentar sozinha. Você não está sozinha, Isa. Nunca mais.
A ambulância chegou em oito minutos. Os mais longos da minha vida. Eu fui junto. Apertei a mão dela o tempo todo, mesmo que ela estivesse inconsciente. No hospital, os médicos entraram rápido com ela. Me deixaram na sala de espera, onde o ar parecia pesar toneladas. Liguei para Olívia. Ela saiu do trabalho na hora. Lorenzo também. Caio chegou pouco depois. Eu estava de pé, andando de um lado para o outro, até que o médico apareceu.
— Ela teve uma crise severa de ansiedade, o que causou um pico de pressão e desmaio. Mas ela e o bebê estão bem, estáveis.
Meu joelho quase cedeu. Agradeci, engolindo o choro.
— Ela está acordada? — perguntei.
— Está, mas fraca. Vamos manter ela em observação por 24 horas. E, sinceramente, ela precisa de paz.
Paz. A palavra mais distante da vida dela agora. Respirei fundo. Entrei no quarto com o coração na boca. E lá estava ela. Deitada, pálida, com soro no braço. Mas viva. Frágil, mas lutando.
— Isa… — me aproximei, os olhos marejados.
Ela virou o rosto lentamente. As lágrimas escorriam sem força.
— Ele vai… ele vai tirar meu filho, Dante.
— Ninguém vai tirar nada de você, meu amor. Eu juro por tudo… eu vou proteger vocês dois. Até o fim.
Ela fechou os olhos. As lágrimas continuaram caindo. Eu sentei ao lado dela, segurei a mão com delicadeza. E jurei, em silêncio: Se eu tiver que acabar com cada um dos Montenegro por você, Isa... Que assim seja.
***
As paredes do hospital pareciam sufocar. A luz branca era agressiva, e o tique-taque do relógio me torturava como uma contagem regressiva para o caos. Isadora dormia lá dentro, exausta depois da crise, e eu... eu só queria sangue. Olívia estava impaciente na sala de espera. Caio estava ao seu lado, segurando a sua mão e tentando acalma-la.
— Como ela está? — a voz saiu firme.
— Está dormindo. O médico disse que ela e o bebê estão estáveis, mas… — engoli seco. — Ela desmaiou nos meus braços, Oli. Eu achei que... eu achei que ia perdê-la.
Ela sentou devagar, passando a mão no rosto.
— E o que exatamente aconteceu antes da Isa desmaiar? — Olívia perguntou, a voz baixa, mas cheia de tensão.
Dante respirou fundo, o maxilar travado.
— Elena esteve lá no apartamento. — disse, finalmente. — Ela apareceu sem avisar. Disse que queria dar um recado em relação ao Heitor.
Olívia arqueou uma sobrancelha, como quem já esperava por alguma bomba.
— Que tipo de recado?
Dante passou as mãos pelo rosto, como se ainda tentasse digerir o que ouviu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”