Aayush ficou sério:
— Isso é bem complexo, senhor. Já que... não existem provas evidentes sobre o senhor Zadock e a senhora Caliana terem tentado matá-lo. Afinal, com qual objetivo eles fariam isso?
— Ficar com a empresa, óbvio — respondi.
Ele me encarou por alguns segundos:
— Ou a senhorita Maria Fernanda, codinome Maçãzinha, é uma infiltrada brilhante — disse, por fim. — Ou é apenas uma mulher experiente no ramo de babás e que aprendeu cedo a lidar com responsabilidade.
— Mulheres experientes não respondem como ela respondeu.
— Respondem sim, senhor — retrucou Aayush. — Só não do jeito que está acostumado.
Cruzei os braços:
— Ela era a mulher da boate, Aayush. Tenho certeza. Maria Fernanda é a mulher que me dopou na tentativa de... me matar.
— O senhor tem certeza ou simplesmente deseja que seja ela? — provocou ele.
— Ela tem a tatuagem — insisti.
— Um coração no dedo não transforma ninguém em agente secreta, senhor.
— Não. — Inclinei a cabeça. — Mas coincidências em excesso transformam.
Aayush suspirou:
— Então qual é o plano, senhor? Interrogatório? Vigilância? Teste psicológico? Tortura?
— Todos — respondi, sem hesitar.
Ele sorriu daquele jeito que eu odiava, só com a metade dos lábios se movendo, como se rir fosse proibido.
— O senhor deve saber que, se ela for só uma babá… isso provavelmente irá deixá-lo num estado lamentável de culpa.
— Não vou me derreter — garanti.
— Não? — ele rebateu — ter se ajoelhado no chão para pegar o celular dela não seria o primeiro sinal?
— Eu não me ajoelhei. Me agachei. São coisas diferentes.
— Mas... já se ajoelhou para ela antes, numa outra situação, estou certo? — pigarreou.
— Quanta ousadia, Aayush!
— Me desculpe, senhor. — ele endireitou a postura e olhou para um ponto fixo na parede.
— Você era assim com Zadock?

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