— Sim. Só uma muda de roupa. Não vou me demorar por lá.
— Organizarei a nossa partida.
— Não. Você fica.
Aayush me olhou, confuso.
— Será responsável pela segurança e bem-estar de Davi e Maçãzinha enquanto eu não estiver aqui. Eu não os deixaria sozinhos em hipótese alguma. E você é a única pessoa em quem confio para cuidar deles.
Aayush me olhou demoradamente, como se hesitasse por algum motivo.
— Você... tem algo para me falar, Aayush?
— Não.
— Shirley ficará. Por hora, cancele a demissão dela.
— Senhor, eu gostaria de lhe falar algo.
— Pois não.
— Sobre a mãe de Shirley e a doença dela...
— O que tem?
— Eu... talvez tenha que investigar um pouco mais sobre isso. Pode ter... algum engano.
— Investigar mais? Você disse que a mãe dela realmente está doente. Sei que ainda temos que verificar a questão da tatuagem de Shirley, mas isso é complexo demais. E bem pessoal. Talvez nunca saibamos de fato o porque da maçã que ela tem tatuada na bunda. Por hora, saber que a babá anzol não mentiu, me basta. Ela tenta me seduzir, mas já estou acostumado. E sou imune a ela. Ou melhor, desde que conheci Maçãzinha me tornei imune a qualquer mulher e isso me irrita profundamente.
— Eu... entendo, senhor. Entendo... perfeitamente.
— Organize tudo, Aayush. Quanto mais rápido eu partir, mais cedo volto.
Aayush se foi e antes de partir, passei no quarto de Maçãzinha. Bati na porta. Ela não atendeu. Tentei abrir, mas estava trancada.
— Maria Fernanda? — chamei.
— Não quero falar com você, Enzo. — ela respondeu com a voz abafada do outro lado da parede.
— Eu... precisarei viajar logo mais.
— E eu não tenho nada a ver com isso. Meu papel nessa casa é só observar e receber por isso.
— Logo Davi parará de fazer birra e voltará para você.
Ela não disse nada. O silêncio de Maçãzinha me dava palpitações e medo.
— Maria Fernanda... você está me ouvindo? — bati na porta — está tudo bem com você aí dentro?
— Melhor impossível. Tenha uma boa viagem, senhor Asheton. Talvez não me encontre quando voltar.
Meu coração acelerou. Tentei abrir a porta botando o peso do meu corpo, mas não consegui fazê-la sequer mover-se um centímetro.
— Como assim? — deitei a cabeça na porta, atordoado e nervoso — está pensando em... atentar contra própria vida por minha causa?
— Você tem mesmo um ego gigantesco, não é mesmo?
— Do tamanho do meu pau. — ri, percebendo que ela estava na porta, porque a voz soava mais clara e menos abafada.

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