Arranquei o celular da mão dela. Se pudesse, arrancava a mão.
— Você só pode estar louca. — faltou um tom para não ser um grito.
— O combinado foi um abraço, uma ligação em viva-voz e então eu poderia ligar para a pessoa mais importante da minha vida — ela levantou o dedo anelar, me esfregando a porra da tatuagem — pessoa mais importante da minha vida: Michael.
O sorriso foi de total deboche. Fiquei na dúvida se realmente o garoto zumbi, depois de tudo que fez, ainda era o amor da vida de Maria Fernanda. Ou se tudo não passou de um jogo para me quebrar, matar de ciúme.
— Agora você não ganha mais o celular. — vociferei.
— Não importa. O que está no meu coração é o que conta... e a conexão de alma. — piscou um olho, me provocando.
— Depois de tudo que ele fez...
— Pelo menos ele se arrependeu do erro, diferente de outros que fazem tudo errado e não admitem.
— Ótimo. Isso quer dizer que você sabe perdoar. — pisquei um olho de novo e dei o meu sorriso mais irônico e saí, batendo a porta, apertando o celular dela com tanta força que poderia quebrar.
Foda-se se quebrasse.
Cheguei no meu escritório e chamei Aayush imediatamente:
— Quero proteção em todas as sacadas e janelas que estão no segundo andar.
Aayush arqueou uma sobrancelha:
— Algum motivo em especial?
Nada que te interesse, seu metido!
Eu já estava de saco cheio.
— Sim, um motivo muito especial: em breve teremos um bebê andando pela casa e ele precisa estar em segurança.
— Bebê... “andando”?
— Engatinhando, se isso te faz sentir melhor. Ou você entende de bebês melhor do que eu, Aayush? Provavelmente sim, porque você é o senhor da razão, que sabe sobre mulheres, CEO’s e afins. Só não sabe é calar a porra da sua boca.
Ele não demonstrou nada. O rosto ficou impassível, como se eu dissesse algo sobre o tempo. Meus questionamentos internos pareciam não estar totalmente errados. Aayush poderia realmente ser um robô, um ser que só existia para servir, desprovido de sentimentos e com uma dose a mais de fala, por talvez terem colocado uma corda vocal a mais, por acidente.
— Mais alguma coisa, senhor? — perguntou.
— Sim — entreguei o celular na mão dele — ponha um rastreador.
— Ok, senhor Enzo.
Ele saiu. E decidi afogar a tristeza e os chifres numa dose dupla de uísque. Nunca fui um apreciador de uísques, tendo preferência por vinhos. Mas quando eu estava literalmente “na fossa”, destilados me deixavam calmo e triunfante.
Tentei trabalhar, o que me pareceu ficar cada vez mais difícil a cada copo.
Por fim, joguei-me na poltrona e fechei os olhos, na tentativa de esquecer a imagem dela que não saía da minha cabeça.
Ouvi uma batida na porta. Tentei uma postura segura, sendo que mal conseguia manter os olhos abertos de tão cansado e bêbado.
— Entre. — afrouxei a gravata, querendo que Maçãzinha achasse que eu estava relaxado e nada do que ela disse me afetou.
Era a porra da babá anzol, certamente rondando a casa a procura de um deslize meu.
— Senhor Enzo, eu gostaria de falar com o senhor. — aquela voz melosa me incomodava. Muito.
Ela mal tinha função na minha casa. Davi e Maria Fernanda haviam feito as pazes. E Shirley só estava ali ainda por conta da maçã aleijada que tinha na bunda.
— O que você quer, Shirley? Fazer uma massagem em mim?
Ela arregalou os olhos, fingindo espanto. Ou talvez realmente estava espantada.
— Eu... não me importo em fazer uma massagem no senhor. Aliás, eu tenho um curso de massoterapia.
Claro que ela não se importava.
— Uma babá que já foi modelo, massoterapeuta... quais as suas outras habilidades, Shirley? Aposto que você tem muitas.
Ela sorriu:
— Ah, eu realmente tenho.
A porta estava entreaberta e vi quando Maçãzinha passou pelo corredor, devagar, com os olhos praticamente dentro do meu escritório.
Sorri e disse para Shirley:

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