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A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 172

A minha cabeça sempre pensava demais, desde que eu era criança. A vida inteira eu ponderei as situações e formas de agir. No fim, sempre agi diferente da forma como planejei.

Impulsivo, conforme dizia o meu terapeuta que, segundo Maçãzinha, era péssimo. Talvez ele não fosse tão ruim se eu tivesse coragem de lhe contar a minha vida, não escondendo as partes horríveis. Mas eu odiava sequer relembrar. Contar a um estranho? Jamais. Compartilhei com Maçãzinha o mínimo. E ainda assim fez com que feridas antigas se abrissem dentro de mim novamente.

A minha existência era dividida em duas etapas: antes e depois do nascimento de Davi. Ele foi o divisor de águas na minha vida. Quando eu vi o meu filho pela primeira vez, o Enzo que só pensava em se vingar de Zadock morreu. E não porque eu achava que Zadock deixou se ser meu inimigo. Pelo contrário, a vida toda eu o culparia por ter se apoderado de toda minha herança e jamais ter compreendido que era injusto.

O fato de meu meio-irmão ter me dado plenos poderes sobre a minha própria empresa foi simplesmente uma forma dele se livrar de seus problemas pequenos. Aliás, Zadock sempre interveio na empresa que eu era o CEO para me humilhar frente aos meus colaboradores e deixar claro que ele era o todo poderoso.

Apesar de tudo, eu sempre consegui conciliar a minha vida de pai e o meu mundo corporativo sombrio, onde ganhar era sempre o objetivo, sendo que tudo sempre conspirou contra mim. Por incrível que pareça, minha família sempre foi meu inimigo mais poderoso e cruel.

Receber a herança dos Harlow fez de mim um alvo móvel. E eu sabia que aquilo era apenas o começo do novo fim: perseguições, tentativas de me tirar do jogo...

Porém minha morte faria de Davi um bilionário. Automaticamente, meu filho seria o próximo alvo. E, como Will falou para mim naquele hospital, referindo-se a irmã, eu pensava da mesma forma: “eu posso errar por mim, mas não por ele”.

No dia em que eu vi uma arma apontada para o meu filho pela própria mãe dele, meu mundo parou. E eu tive certeza de que tudo estava errado. Então levantei a bandeira branca.

Renunciei a uma fortuna que talvez nunca pudesse ser contabilizada de fato, de tão grande que era, para tentar viver de forma segura ao lado do meu filho.

Trabalhava de casa sempre que podia, indo para a empresa somente quando era muito necessário. Procurava dar ao meu filho toda a atenção e carinho que ele precisasse, sabendo que meu papel não era só ser pai, mas também mãe.

Apesar de minha mãe não ser uma pessoa carinhosa, ela não era ruim. Mas eu sabia que sem ela, eu teria crescido ainda pior. Através dela aprendi valores. Distorcidos, mas ainda assim valores. Eu jamais os ensinaria ao meu filho, mas foram os que me guiaram.

Ensinaram-me valores distorcidos sobre poder e dinheiro. E me moldaram numa visão de mundo onde o “ter” sempre superou o “ser”, gerando impactos profundos na minha saúde mental e nas relações sociais ao longo da vida.

Fui criado num mundo onde o sucesso era medido apenas por bens materiais. Minha mãe e meu pai me ensinaram que o valor de uma pessoa estava no que ela possuía e isso me fez vincular meu valor próprio apenas a pertences que me davam status.

O dinheiro desde sempre na minha vida foi usado como ferramenta de recompensa por afeto ou dever. Os presentes caros substituíam presença materna e paterna. E isso me fez ter uma adolescência sem nenhum tipo de responsabilidade emocional ou familiar. Fui moldado a nunca me preocupar com ninguém além de mim mesmo.

E sinceramente, eu nem culpava meus pais. Eles simplesmente transferiram a mim o que aprenderam com os meus avós.

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