POV Maria Fernanda
Senti os beijos molhados e estalados na minha bochecha e tentei abrir os olhos. Mas as pálpebras se recusavam a obedecer a meu comando. Parecia que meus pés andavam sobre as nuvens. E o corpo levitava.
Os dedos delicados acariciavam meu rosto inteiro. Fiz um esforço e consegui abrir os olhos, enfim despertando daquele sono profundo.
— Will?
Sorri e passei o dedo por sua face, desenhando cada cantinho conhecido, fazendo com que cada lembrança boa tomasse conta da minha mente.
Suspirei. Como eu queria que aquilo fosse verdade. Mas infelizmente era um sonho. Eu nunca tive tanta saudade do meu irmão quanto naquele momento.
Abaixei a cabeça e ouvi a voz dele:
— Você vai mesmo me ignorar?
Arqueei uma sobrancelha. Aquilo era... real? Dei um beliscão nele, que gritou:
— Caralho, é assim que você me recebe, depois de tanto tempo?
— Will, é você? — quase gritei de emoção.
Meu irmão me puxou para si e abraçou-me com força, quase me sufocando:
— Esse abraço de irmão urso é real?
Eu ri, limpando a lágrima idiota que escorreu pela minha bochecha. Peguei as mãos dele entre as minhas:
— O que você está fazendo aqui?
— Enzo.
— Enzo te trouxe?
— Sim.
Enzo tinha trazido o meu irmão para me ver? Não, eu não conseguia acreditar que ele fez aquilo por mim!
— Tenho tanto para te contar, Will. — falei.
— Começa dizendo quantos cômodos tem esse castelo.
Eu ri:
— Não sei. E sequer conheço todos.
— Bebê... você que manda em tudo aqui?
— Bem, de certa forma deveria ser. Mas estou tão cansada que mal tenho tempo de mandar em mim mesma.
Ele me abraçou de novo:
— Estou tão feliz por você.
— E eu estou feliz por você estar aqui.
— Me conte tudo... como é estar casada com esse gato e ainda reinar num castelo?
— Ele é o meu malvado favorito. — confessei.
— Hum... amo homens malvadões. Aliás, o que acha de me apresentar de novo para aquele indiano gostosão de terno?
— Ele é hétero. Bem hétero. — não cogitei contar que Aayush tinha se declarado para mim. Will era muito linguarudo.
Will alisou a minha barriga:
— Cresceu! Ela cresceu. — seus olhos lacrimejaram.
— Claro que cresceu. — sorri.
— Sua barriga não parecia tão grande nas fotos.
— Que... fotos?
— As que o seu marido me mandava todos os dias.
Senti meus dedos trêmulos e fiquei totalmente confusa. Ok, agora definitivamente eu tinha me certificado que era um sonho. Mas então... por que eu ainda sentia o peso da cabeça de Will sobre o meu ventre?
— Você disse... que Enzo mandava fotos minhas todos os dias... para você?
— Sim. Ele não é um fofo?
— E... teve fotos da nossa viagem pelas Maldivas? — fiquei até em dúvida se tínhamos ou não ido para aquele roteiro de lua de mel inexistente.
— Claro que não. Ou você esqueceu que não foi para as Maldivas.
— E... por que mesmo eu não fui para as Maldivas? — por que parecia que tinha uma névoa na minha mente?
— Porque Enzo achou que uma viagem longa não seria bom para o bebê. Então ele te deixou aqui. E você não sai muito porque Enzo não acha seguro. — Will olhou para os lados e sussurrou — tenho a impressão de que seu marido lida com tóxico. Ninguém mora num castelo desses sendo só um CEO de uma empresa de armas. Deve vender por aí... para traficantes.
— Eu não sei muito sobre a empresa do Enzo. Mas ele nasceu podre de rico. Acho que mesmo que não trabalhasse, ainda assim teria dinheiro para umas vinte vidas. Porém... ele realmente trabalha. Embora seja de casa, ele trabalha.
Enzo vivia trancado naquele escritório, na frente do computador, com o semblante preocupado. Sem contar que ainda contava com a ajuda de Aayush. Não devia ser fácil administrar uma empresa daquela proporção.
— Sobre ele achar seguro eu não sair...
— Seu marido é um fofo. Quem iria se preocupar em mandar fotos todos os dias?
— Aposto que eu estava dormindo em todas as fotos.
— Na maioria delas. Enzo disse que você ama dormir. Será que ele montou o castelo... para a Bela Adormecida? — brincou, pondo o dedo indicador no meu nariz.
— Levando em conta que ele me chama de Maçãzinha... acho que o castelo é onde reina a rainha má.
— Tenho a impressão de que você é a rainha aqui.
— Dez coisas que você odeia nele é muito, não acha?
— Por que você não interveio quando viu Enzo me levando do hospital? Eu fui raptada.
Will gargalhou:
— Eu não fiz nenhuma intervenção por dois motivos: um; você deixou bem claro que quando estivesse no colo de um gostosão usando terno eu não deveria salvá-la. Dois: ninguém é raptada abraçando seu raptor com tanta paixão nos olhos.
— É tão visível assim? — me odiei por não esconder o quanto eu era louca por Enzo Asheton.
— Tão visível quanto esse jardim incrível que estou vendo daqui.
Will se levantou e foi até a sacada:
— O jardim é lindo e essas grades horríveis. Aposto que tem masmorras no subsolo.
— Enzo mandou botar grades porque teme que eu me jogue da sacada.
Will arqueou uma sobrancelha:
— Que medo idiota o dele!
— Levando em conta que eu realmente tentei fazer isso... não é tão idiota.
— Você tentou se suicidar, bebê? — aquilo soou bem irônico.
Respirei fundo. Will sendo Will!
— Bebê, tem uma surpresa para você lá embaixo. Vamos entrar no seu elevador particular e descer para o andar térreo da sua mansão?
Surpresa? Fiquei muito curiosa. Pus um robe por cima da camisola, ansiosa.
Enquanto íamos em direção ao elevador, perguntei:
— Você está trabalhando?
— Achei um trabalho legal.
— E... a vida amorosa?
— Ainda não encontrei o amor da minha vida. E sei que ainda vou me ferrar muito com esses boys lixos que encontro.
— Qual foi o último?
— Boy N*****x compartilhada. — ele revirou os olhos — várias pessoas usando ao mesmo tempo.
— O meu continua sendo o Redbull.
Quando o elevador chegou no térreo e ouvi as vozes vindas da sala principal, meu coração quase parou. Quase corri e quando cheguei ao meu destino, as lágrimas escorreram pelas minhas bochechas.
— Pai?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...