— Passou pela minha cabeça... nós dois sozinho na sauna... sem Maria Fernanda.
— Senhor Enzo, eu...
Ela parou de falar quando delizei a mão vagarosamente na sua bunda. Ofegou e murmurou no meu ouvido:
— Se a Maria... digo — corrigiu-se — se a senhora Asheton ver isso... ficará furiosa.
— Não creio que ela vá ficar tão brava assim. Afinal, Maria Fernanda chegou a cogitar nós três numa situação bem prazerosa, não é mesmo?
— Ela... é a sua esposa. E... o senhor parece gostar dela.
Respirei fundo e tentei não perder a cabeça. Aquela mulher era totalmente dissimulada e hipócrita.
Da parte que Shirley estava interessada no meu dinheiro, eu sabia. Aliás, todo mundo sabia que quem se aproximava de mim só queria isso. O que não dava para entender era o motivo que a fez chegar na minha casa, com uma tatuagem de coração no dedo anelar e outra de uma maçã mordida na bunda, exatamente como Maria Fernanda.
Coincidência? Pouco provável. Acontece que não se sabia muito sobre Shirley Yanes. O passado dela parecia normal, sem muito a esconder. Mas uma pessoa normal não saberia tanto sobre o fato de eu estar tentando encontrar uma mulher com as tatuagens exatamente iguais as dela, sendo que a sua maçã havia sido tatuada recentemente.
— Eu não gosto dela — menti, me saindo bem, a voz firme — Maria Fernanda é a mulher que carrega o meu filho. Nada além disso.
— Mas... eu vi tudo naquela sauna. E... não me pareceu algo... sem sentimentos.
— Já ouviu falar em tesão, Shirley? — sussurrei em seu ouvido, sentindo-a estremecer contra a parede fria.
— O que o senhor quer de mim?
Retirei as mãos da parede, libertando-a do meu corpo.
— Você é muito gostosa, Shirley. E sei que me quer, assim como eu te quero. Não posso te prometer nada por enquanto, pois Maria Fernanda está grávida e não quero que ela se sinta acuada ou triste por causa do bebê. Mas assim que ela parir, ficarei com a minha filha e a mandarei embora.
— Filha? — ela franziu a testa.
Mary. Minha Mary. Envolver o nome dela naquilo me pareceu sujo. E me deu ainda mais vontade de matar Shirley Yanes.
— É uma menina. — confessei.
— Senhor Asheton... eu não quero promessas. Só quero... você.
Sorri, satisfeito. Em momento algum passou pela minha cabeça que ela pudesse não morder a isca.
Passei o dedo pelo rosto dela, lentamente, parando no colo. Observei os seios presos dentro do uniforme pesado e fui grato por não haver decotes. Maçãzinha iria me matar se descobrisse o que eu estava fazendo. E por isso eu não contaria. Era uma forma de protegê-la.
Quem fez o que fez comigo, Maria Fernanda e Davi não era nada amador, ou melhor, amadora. Maçãzinha era ingênua demais para lidar com pessoas como Shirley. Eu sabia que estava um pouco “enferrujado” nas minhas artimanhas de vingança e tortura. Mas quem já esteve na escuridão do submundo uma vez, jamais deixaria de ser carrasco.
— Eu não pretendo ter uma esposa como Maria Fernanda. — continuei. — Ela não sabe se portar frente a pessoas do meu nível. Observo que você muito mais bem educada.
— Eu estudei no exterior. E pelo fato de ser modelo aprendi sobre etiqueta e educação.
— Eu percebi isso. Maria Fernanda não me chama a atenção em mais nada.
— Não?
— Não. Ela está... está...
Cada dia mais linda e perfeita.
Respirei fundo. Óbvio que eu não poderia dizer aquilo.
— Ela está cada dia mais gorda... e irritante.
— Deve ser por conta dos hormônios. Gravidez estraga o corpo. Por isso que eu não desejo ter filhos.
— Hum... isso quer dizer que devo comprar muitas camisinhas?
Shirley deslizou os dedos pelo meu peito, descendo vagarosamente até chegar no cós da calça.
Me encarou e disse:
— Eu sempre achei que Maria Fernanda não era adequada para você.
— Eu sei. Também nunca a achei adequada. E foi exatamente por isso que me interessei mais por você quando chegou aqui. Mas Maria Fernanda foi ardilosa. E me fez cair em sua teia de mentiras e sedução.
— E engravidou de propósito.
— Exato!

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