— Pare de mentir, Aayush — falei — sei que somos amigos, mas isso não significa que eu vá aceitar que você minta para me livrar da culpa.
— Fui eu, senhor Enzo. — Aayush sequer olhou na minha direção, na tentativa de assumir a culpa.
Enzo, por sua vez, me olhava, incrédulo. Enquanto Aayush tentava levar a culpa por mim, dizendo uma verdade a qual eu jamais o envolveria, Enzo retirou o paletó e tentou botar sobre mim.
— Não me toque. — gritei, fazendo todos darem um sobressalto. — Nunca mais me toque, Enzo Asheton. — joguei o paletó nele.
— Você não vai sair daqui desse jeito.
— Somos divorciados. — falei, orgulhosa.
— Não assinei porra nenhuma.
— Pois irá assinar, ou entrarei com pedido litigioso.
— Você não sabe o que está falando. — Enzo disse, atordoado.
— Se encostar na minha irmã de novo, eu te mato. — Will garantiu.
Apontei para Enzo, falando de forma tranquila. E caralho, aquela tranquilidade me deixava confusa:
— Enzo, você é como o antigo celular da Nokia... de bom só tem a cobrinha.
Enzo pôs as mãos na cabeça, descendo pelo rosto, espalhando o suor por toda a face:
— Eu não achei que quando você partisse, levaria consigo tudo que sobrou de mim.
— Eu não tenho nada contra você, Enzo. Mas oro pelo desencontro. Que nunca estejamos no mesmo lugar, no mesmo dia e no mesmo horário. E que nossas energias nunca mais se cruzem, nem por engano. Amém.
Virei as costas e segui em direção a porta.
— Aayush, faça alguma coisa — Enzo implorou — ela não me deixa tocá-la.
Antes que eu saísse pela porta, senti o paletó sobre meus ombros. Virei as costas para brigar, mas era Aayush, gentil, como sempre.
Deixei que ele fechasse os botões e alisei seu rosto:
— Aayush, me fale sobre como é o divórcio na Índia. — pedi, com um sorriso.
Aayush hesitou antes de responder:
— O divórcio na Índia é um processo burocrático e lento, frequentemente levando de 1 a 5 anos, com baixíssima incidência social, sendo que apenas 1% da população tem essa condição, devido ao forte estigma e valores familiares. Ocorre por consentimento mútuo ou litígio, sendo exigida uma separação mínima de um ano antes da petição.
Olhei para Enzo:
— Viu só... você nem me deu um ano para fazer a petição.
Enzo deixou o corpo cair lentamente no chão, se ajoelhando:
— Você vai... me deixar louco, Maçãzinha.
Olhei para Aayush:
— Essa parte me faz não querer ir para a Índia. Mas como tem o Holi e o Diwali, acho que vale a pena ainda. — sorri — mas isso não é uma curiosidade. Me conte algo que me impressione, Aayush. — tomei as mãos dele entre as minhas.
— O divórcio instantâneo, conhecido como "triplo talaq" ou talaq-e-biddat, foi oficialmente proibido e criminalizado na Índia.
— Hum... eu me interesso por um divórcio instantâneo. — falei, olhando para Enzo.
— A prática, chamada de o triplo talaq permitia que um marido muçulmano se divorciasse instantaneamente de sua esposa repetindo a palavra "talaq", que significa divórcio, três vezes, seja pessoalmente, por carta, telefone ou mensagem de texto.

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