POV Enzo
Naquele dia eu não saí de dentro do escritório. Não fiz absolutamente nada a não ser olhar para um ponto qualquer, insignificante, me perguntando se algum dia eu conseguiria superar Maçãzinha.
Não atendi ninguém. Nem Davi. Eu tinha que mandar entregar as malas dela, mas não tinha coragem de sair dali, pois todos me veriam totalmente destruído.
Maria Fernanda não levou nada. Absolutamente nada. Ou melhor, o terno de Aayush foi com ela. E aquilo me deixava ainda mais puto.
Ela era minha. Só minha. Ainda assim, eu a deixei. Eu a mandei embora.
A dor do soco que recebi de Will era menor que a que eu sentia no coração. Passei a mão no maxilar, sentindo o osso que, embora parecesse ter se quebrado, no dia seguinte estaria indolor, meu rosto sendo presenteado somente por um hematoma.
Fechei os olhos e lembrei de nós dois... o dia que a conheci naquela boate. O momento em que ela entrou no escritório da empresa, atrasada, vestida de forma estranha. A revelação da maçã na piscina. Os filmes que apresentou ao meu filho. O dia que me fez comer pizza de calabresa. A forma como gozava para mim.
Lembrei de seu corpo nu na sacada, com o sol iluminando cada centímetro de sua pele.
E depois a mentira. A mentira amarga. Eu já nem lembrava direito os motivos que a levaram a mentir daquela forma, falsificando um exame médico para que eu acreditasse que estava sendo dopada.
Maçãzinha havia falado algo sobre acreditar nela. Como queria que eu acreditasse se estava mentindo?
A mentira me destruiu. Foi como se Maria Fernanda tivesse cravado uma faca no meu coração. Isso porque, a vida inteira, as pessoas mentiram para mim, tentaram me enganar para tirar vantagem.
Ainda assim, eu não conseguia imaginar a minha vida sem ela. E sabia o quanto Davi sofreria, pois tinha acabado de encontrar uma mãe e eu a mandei embora, com um filho meu no ventre.
Caralho, como eu fui capaz de fazer aquilo?
Senti uma lágrima rolando pela minha bochecha e parando nos lábios. Era salgada. E morna. Eu não lembrava a última vez que chorei. Mas tinha certeza de que não doeu tanto quanto naquele momento.
Levantei. Foda-se! Que Maçãzinha me mentisse a vida inteira. Ainda assim era melhor do que ficar sem ela.
Fui em direção à porta e assim que a abri, deparei-me com Aayush. Ele estava ofegante e abriu a boca para dizer algo, com dificuldade. Mas não saiu nada. Foi como se sua voz tivesse sido engolida.
— Fala, caralho! — gritei.
Ele se afastou um passo, meneando a cabeça.
— Se não vai falar, age: mande retirar meu carro da garagem. Vou atrás de Maçãzinha.
— Não... senhor Enzo.
Arqueei uma sobrancelha. Desde quando Aayush decidia sobre a minha vida ou minhas decisões?
— Agora, Aayush. Não faz nem 24 horas que ela se foi.
— Senhor Enzo, aconteceu uma tragédia.
Senti minhas pernas amolecerem imediatamente e amparei minha mão no ombro de Aayush. Eu sabia que não era com Davi. Era Maçãzinha.
— O que... aconteceu com ela, Aayush? — senti as lágrimas rolarem grossas, intensas, queimando a cada centímetro de pele percorridos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO