Usamos um carro com motorista de aplicativo para chegarmos ao pequeno aeroporto particular. Eu havia fretado um jato que pararia em alguns lugares, sendo que o destino final era as Bahamas.
Assim que embarcamos, Amanza perguntou:
— Aayush, você tem certeza de que as ações emitidas estão em seu nome? Que você é o portador?
— Acha mesmo que eu viajaria para as Bahamas se o meu nome não estivesse nessas ações? Eu já te mostrei que estão no meu nome. Qual a sua dúvida, agora? Se quiser ir embora, por mim tudo bem. Afinal, sou eu o portador e não você.
Ela sentou na poltrona e pôs o cinto:
— Sabe o que é mais engraçado nessa história, Aayush? A vida inteira eu usei as pessoas para conseguir o que queria. E agora você me usa, para se vingar de Enzo.
— No amor e na amizade, vale tudo. Incluindo devoção, sacrifício e finais trágicos.
— Exatamente. Devoção: ao dinheiro. Sacrifício: ficar longe dele. Finais trágicos? Bem, talvez eu tenha que voltar um dia para eliminar os meus problemas. Isso inclui a sua paixão secreta... ou qualquer coisa que seja importante para Enzo a fim de que ele me mantenha com uma quantidade suficiente de dinheiro para que eu tenha uma vida confortável. Esse seria o final trágico. E ele não seria meu, entende?
Sentei-me na poltrona à frente de Amanza e esperamos que o jato levantasse voo. Enquanto eu olhava a cidade se afastar, e as nuvens virarem a única paisagem, lembrei que aquilo não era um fim e sim uma passagem. Certamente eu os reencontraria um dia, em outra vida. O karma nunca falhava.
Assim que o jato alcançou a estabilidade e altitude de segurança, retirei o cinto e saí da minha poltrona, indo para a cabine do piloto. Eu não era de um todo ruim. Escolhi uma pessoa com um passado bem sórdido para levar dois corpos culpados para o além.
Se o piloto merecia morrer? Não sei. Mas Amanza também não merecia estar viva. No entanto estava ali.
Ela jamais mudaria. Pegaria as ações ao portador, gastaria o dinheiro e depois voltaria, para buscar mais. Enzo era uma fonte inesgotável. E ela sabia daquilo. E Davi, Mary, Maria Fernanda e o próprio Enzo nunca se livrariam dela.

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