POV Enzo
Ainda estávamos os recuperando da adrenalina do sequestro de Davi. Liguei várias vezes para Aayush, mas ele não atendia. Filho da puta! Só o que faltava Amanza tê-lo seduzido e fazer eu perder o meu único amigo.
Maçãzinha se sentou ao meu lado, no braço do sofá e pegou a minha mão. Olhei para os dedos finos tocando a minha pele e me perguntei quanto tempo ainda faltava para ela me tirar do limbo.
— Foi um dia difícil. — mencionou, com a voz fraca.
Quem não estava fraco, depois de tudo aconteceu!
— A única coisa ruim é não garantir que tenha sido o último. — Caliana foi direta, quebrando a tranquilidade de momento.
Era tão difícil para ela fingir que estávamos seguros e que nunca mais meus filhos passariam por aquilo de novo?
Eu já não tinha mais capacidade emocional para ver a vida do meu filho em perigo por minha causa. Ainda assim sabia que, infelizmente, aquela paz era temporária, como a própria Caliana fez questão de deixar claro.
Foi quando recebi a ligação. Era um número desconhecido. Mas eu sabia quem era: Aayush.
Levantei, a fim de não correr o risco de que alguém ouvisse a nossa conversa e suspeitasse do lugar onde Amanza estava.
Foi quando recebi a notícia. E senti um embrulho no estômago. Involuntariamente minha mão abriu e o telefone caiu no chão, chamando a atenção de todos.
Então eu caí, de joelhos, sentindo tudo girar.
— Enzo! — todos correram na minha direção.
— Não! — eu gritei com toda a minha força — Não! Não! Não!
Maria Fernanda tentou me tocar, mas afastei-a com o braço. Tê-la ao meu lado era o que eu mais queria na vida. Mas não naquele momento. Eu sabia que por alguns segundos, me tornaria um monstro. E machucaria tudo em que tocasse.
Levantei e comecei a quebrar tudo que eu via pela frente, fazendo com que os objetos se espatifassem no chão. Quando vi Will tirando os meus filhos dali, percebi que estava mostrando a eles um lado meu que não conheciam.
A versão de alguém incontrolado. De alguém que tinha rompido um ciclo. O ciclo da amizade. O ciclo da cumplicidade. O ciclo da sinceridade.
Eu sabia que jamais teria um amigo novamente. Aayush diria que levei quase 40 anos para eu encontrar a amizade verdadeira. Na minha opinião 35, já que eu não aniversariava há praticamente 5 anos.
Zadock me conteve, pegando meu corpo por trás, impedindo meus movimentos.
Maria Fernanda e Caliana me olhavam entre incredulidade e curiosidade. Afinal, não deveria estar tudo bem agora que meu filho estava fora de perigo?


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Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO