No fim, Will tinha razão: o agiota tinha cara de bonzinho. E era... fofo. Dava vontade de apertar ao bochechas dele e depois se sentar no seu colo e pedir um presente. Aliás, eu pediria um presente. Só pularia a parte de sentar no colo dele.
— Oi, minha menina. Em que posso ajudá-la?
“Ah, eu queria um dinheirinho, bom velhinho. E se o senhor esquecer de me cobrar, eu... não ficaria chateada”. Claro que só pensei. Não falei.
— Will me indicou. — Apressei-me em falar. Parece que ele não emprestava dinheiro sem indicação.
— Will? — os olhos se estreitaram levemente — Eu... não lembro.
Enfim, ele não precisava lembrar. Era só me emprestar o dinheiro. E juro: eu iria pagar.
Saí do escritório do velhinho (seria escritório mesmo?), com a carinha mais fofa que já vi e que ainda emprestava dinheiro a juros. Juros exorbitantes? Sim. Mas não precisava comprovar até a alma, como o banco costumava fazer, para no fim dizerem: “Sinto muito, mas a sua proposta não foi aprovada”.
Em um mês eu teria o dinheiro para pagar o agiota. Foi por isso que não pedi prazo maior. Quanto maior o prazo, maior o juro. E a dívida ficaria quase impagável.
Quando chegamos em casa, entreguei o dinheiro ao meu irmão:
— Amanhã começo a trabalhar cedo. E volto à noite. Eu não vou ter tempo de ir ao banco pagar a hipoteca. E não podemos esperar, porque corre o risco de sermos despejados. Portanto, a tarefa é sua. — entreguei-lhe o envelope com o dinheiro.
— Sinto muito por eu não te ajudar financeiramente. — Will abaixou a cabeça, envergonhado.
— Você me ajudou... quando me indicou o agiota.
— Ok, o dinheiro já está aqui e eu já fiz a merda toda que não deveria, que era ter contado a você sobre o agiota. Agora que temos o dinheiro e não seremos mais expulsos da nossa própria casa, iremos comemorar.
— Com pizza? — me animei.
— Não, bebê. Iremos sair para beber e dançar.
— Eu... não posso beber.
— Você beberá drinque sem álcool. Até esquecer o seu nome.
— Da última vez que você disse isso... eu não esqueci só o meu nome, mas todos os meus princípios. E o pior: saí grávida.
— Desta vez ao menos use camisinha. Você estará lúcida.
— Eu... jamais...
— Eu sei, Fê! — ele me abraçou — juro que eu te conheço. Acho que melhor que você mesma.
— Então sabe que eu não vou sair. Eu tenho que trabalhar amanhã. E se eu me atrasar, Enzo me demitirá antes que eu entre na casa dele.
— Juro que é só um pouquinho. Antes da 1 hora estaremos em casa, eu prometo. Além de comemorarmos o seu emprego maravilhoso, quero ficar com você um tempinho. Enzo te tirará de nós, empregando-a quase como uma escrava. Aliás, trabalho escravo é crime.
— Não quando ele paga o que está pagando. Se Enzo quiser, até deixo que faça sexo oral em mim de novo por este valor.
Will riu:
— Como você é inocente, bebê. A forma de ele puni-la não seria te chupando. Ele te obrigaria a chupá-lo. Essa é a moral da história, entende?
— Mas... ele não precisa me obrigar.
— Caralho, o que você fez a minha irmã em segundos?
— É assim que eu fico quando se trata dele, Will. Meu corpo incendeia só de pensar. E... eu fico me policiando para não ficar olhando para o que ele tem no meio das pernas... e fantasiar que ele enfia em mim.
— Não ache que está louca. São os hormônios da gravidez. É normal a vontade de fazer sexo.


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