Eu escondo que estou completamente apaixonada por você. E que começo a odiá-lo na mesma intensidade do amor que sinto.
— Maria Fernanda, você me ouviu? — ouvi a voz de Enzo ao longe, me fazendo voltar para a realidade.
— O que... eu disse mesmo?
— Não sei. Estou esperando a sua resposta.
Suspirei, aliviada. Só pensei, não falei aquela porra.
— Não estou escondendo nada do senhor. — o encarei — mas minha vida pessoal não é algo que eu tenha que compartilhar. Como meu namorado me chama não lhe diz respeito. Sobre o que aconteceu ontem...
— O que aconteceu ontem? — ele cruzou os braços, arqueando as sobrancelhas, como se eu estivesse louca e o que rolou entre nós fosse algo da minha cabeça.
Respirei fundo e tentei manter a calma. Depois, devagar, retirei o lenço do meu pescoço:
— Nada que lhe diga respeito. Foi pessoal. Algo entre... eu e meu namorado imaginário. — sorri, debochada.
Enzo focou os olhos na marca no meu pescoço e por um segundo eu vi todo seu sarcasmo se ir pelos ares. Foda-se, literalmente! Ele sabia magoar. E eu já fui magoada o suficiente para deixar que continuassem a fazer aquilo comigo. Ele era o bipolar. Não eu. Mas se Enzo queria jogar um jogo, eu estava preparada. Que morresse quem sentisse mais ciúme. Porque eu já estava em coma.
Ele me puxou pelo braço, ignorando o filho, que via tudo, levando-me para outro cômodo, enquanto Shirley e Pietra observavam em silêncio. Que porra era aquela?
Quando a porta atrás de mim foi fechada, Enzo encurralou-me contra a parede, não me tocando, mas com os braços me impedindo de sair, as palmas das mãos sobre a madeira escura.
Senti minhas bochechas pegarem fogo e o coração querer saltar para fora do peito.
— Que tipo de pessoa vem para o primeiro dia de trabalho com a porra de um chupão no pescoço? Que parte você não entendeu de que vai trabalhar com uma criança?
— Por isso... do... lenço... — minha voz fraquejou e o encarei, assustada, mas não desviando o olhar.
— Por que não assume que tem um namorado? Qual o seu problema em dizer a verdade? Por que tenta mentir para mim o tempo todo?
— Eu não estou mentindo, porra! Eu NÃO TENHO UM NAMORADO.
Enzo franziu a testa. Percebi algumas gotículas de suor nas suas têmporas:
— Ok... então você deixa qualquer um te chupar. Isso é bem interessante, Maria Fernanda.
— Acha que... só porque rolou... aquela coisa com a gente no banheiro... eu te devo satisfações?
— Aquela coisa de você vomitar?
— Aquela coisa... de a gente se beijar.
— Isso não vai acontecer de novo, Maria Fernanda.
Eu deveria entender e achar aquilo totalmente correto. Mas doeu. E aquela dor me preocupava.
— Eu também acho que não deve acontecer de novo. Eu... estava bêbada.
Ele riu, com sarcasmo:
— Está dizendo isso para justificar o chupão?
— Estou falando sobre deixá-lo me tocar. — falei entredentes, furiosa.
— Você não vale o meu tempo. — ele deu um passo para trás, me soltando.
— E você não vale a minha... — dor. Não, eu não daria a ele o prazer de ouvir aquilo. — a minha... maquiagem.
— Maquiagem? — ele arqueou uma sobrancelha.
— A maquiagem que usei ontem à noite.
— Só me diga uma coisa: quando vai parar de mentir e me falar a verdade?
Respirei fundo e abaixei a cabeça:
— Eu vou te contar a verdade. — sim, talvez ele realmente merecesse saber.

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