Uma noite depois, aconteceu algo muito ruim.
Eu estava no meu quarto por volta das oito horas da noite, quando ouvi um estrondo na sala tão alto que pulei da cama num sobressalto. Um barulho seco, violento, seguido de um baque pesado, como se algo — ou alguém — tivesse sido lançado contra o chão. Por um segundo, tudo ficou em silêncio absoluto. Um silêncio que gritava.
Abri a porta do quarto e atravessei o corredor quase tropeçando. A sala estava parcialmente iluminada pela luz fraca que vinha da varanda. E foi ali que eu o vi. Adriano estava caído no chão da sala, de lado, o corpo grande e imóvel.
Ao redor dele, garrafas quebradas; cacos de vidro espalhados pelo chão, refletindo a luz em pequenos pontos ameaçadores. O cheiro forte de álcool misturado com o da madeira me fez arder os olhos.
— Adriano… — chamei, a voz saindo fina, trêmula.
Corri até ele e me ajoelhei no chão, ignorando os cacos que machucavam meus joelhos. Toquei seu ombro com cuidado, depois com mais força.
— Adriano, acorda… por favor…
Nada.
O rosto dele estava pálido demais. Os olhos fechados. A boca entreaberta. Aproximei o ouvido do peito dele, o coração martelando dentro de mim. Não ouvi nada. Nenhuma respiração. Nenhum som.
O pânico me invadiu de uma vez, sem aviso.
— Não… não, não, não… — murmurei.
Sacudi-o com mais força, esquecendo o medo de machucá-lo.
— Adriano! Pelo amor de Deus, acorda!
Nada.
Minhas mãos tremiam tanto que mal consegui apoiar uma delas no peito dele. Minha cabeça girava. Eu não sabia o que fazer. Não sabia como agir. Só sabia que algo estava terrivelmente errado.
Levantei-me num salto, quase escorregando no chão molhado de bebida. Corri até a porta da frente e a abri com força, o ar da noite batendo no meu rosto como um choque.
— Mundico! — gritei com toda a força que tinha nos pulmões. — Mundico!
A voz saiu rasgada, desesperada, ecoando pelos campos escuros.
Por um instante, tive medo de que ele já tivesse ido embora. De que eu estivesse sozinha naquela casa enorme, com Adriano caído no chão, entre cacos de vidro e silêncio. O medo me fez gritar de novo.
— Mundico! Socorro! Pelo amor de Deus!
Alguns segundos depois — que pareceram uma eternidade — vi uma silhueta se mover no escuro do pasto. Mundico veio correndo, o chapéu quase caindo da cabeça, a respiração pesada.
— Que foi, menina? — perguntou, já entrando na casa ao ver meu estado.
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