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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 109

Minha cabeça ainda repetia toda a reunião, a cara nada amigável das pessoas pra mim e a demissão do designer que provavelmente me empurraria na frente de um ônibus se tivesse oportunidade.

Meus sentimentos eram conflituosos, porque eu sabia que merecia essa posição, merecia esse cargo não só pelo meu estudo, mas pelo meu potencial, meu talento. Por tantas vezes ter sido menosprezada e diminuída… o problema é que os meios pra isso não foram os que eu esperava. Nunca, nem em um milhão de anos, imaginei estar ocupando algum cargo de chefia numa empresa como a Lotus, muito menos de modelo e menos ainda por estar dormindo com o chefe.

Vinícius tinha me chamado de canto depois da reunião caótica e me perguntado se eu estava bem. Tinha percebido meu desconforto e, quando disse a ele exatamente isso que me incomodava, me garantiu que eu não tinha ganhado a vaga “apenas” por isso. O que não melhorava muito o meu sentimento, mas o que eu poderia fazer? Negar essa chance? A oportunidade que eu vinha esperando por toda uma vida?

— Bem-vinda ao epicentro da confusão — Marina disse, tirando as luvas. — Pode sentar, vou te mostrar como anda a fragrância.

Sentei na bancada, meio sem jeito, tentando não olhar muito pros outros técnicos, que cochichavam entre si e, de vez em quando, lançavam olhares curiosos na minha direção.

Não era difícil imaginar o motivo. A “noiva feia do CEO”, agora era a aposta da empresa.

Marina ignorou o burburinho e começou a me explicar como tinha idealizado a nova campanha e como era importante que eu acompanhasse cada etapa da criação da fragrância, até pra passar o sentimento correto quando fizéssemos os ensaios fotográficos.

— Ensaios? — perguntei, percebendo minha voz sair desafinada de nervoso.

— Sim, Bela! Afinal, você é o nosso novo rosto… a garota-propaganda. — ela me respondeu, com um olhar gentil, enquanto se aproximava mais de mim até se sentar ao meu lado.

— Vocês têm certeza de que sou a pessoa mais adequada pra isso?

— E por que não seria? — Marina devolveu minha pergunta com outra.

Respondi com um gesto de mão, apontando pra mim mesma… já era o suficiente.

— Você parou pra ver o sucesso que tá fazendo nas redes sociais?

Neguei com a cabeça, porque, sob hipótese alguma, eu iria pesquisar meu nome nas redes sociais. Eu acreditava que tinha superado muitos traumas de infância, do bullying que sofri e tinha criado uma casca forte o suficiente para enfrentar o mundo, mas eu não era louca o suficiente de ler o que pessoas anônimas estavam falando sobre mim na internet, principalmente sobre a minha aparência, porque eu sabia o que ia encontrar.

— Achei melhor evitar a crueldade da internet, acho que eu já tive o suficiente na vida real. — o jeito que falei ficou parecendo que estava brava ou amarga, mas foi somente honestidade. Marina pareceu entender exatamente o que quis dizer. Concordou com a cabeça e pensou um pouco antes de falar.

— Eu vi e posso garantir que as respostas foram muito mais positivas do que você possa imaginar. Bela, as mulheres precisam se inspirar em pessoas como você. De verdade, bonitas de verdade, e não produto enviesado de uma beleza padronizada que as marcas nos fazem engolir goela abaixo.

— Fácil pra você dizer isso — ri, e dessa vez fui amarga mesmo. Marina era linda. Perfeita. Ela nunca entenderia.

Ela parecia querer me falar alguma coisa, chegou a abrir a boca, mas desistiu antes da frase sair. Então, logo em seguida, fez um sinal de mão para que eu a acompanhasse numa outra sala. Ali, encontravam-se algumas amostras e Marina prestou atenção nas etiquetas até que encontrou o que buscava, pegou um dos frascos, chegou perto de mim e pediu que eu sentisse a fragrância.

O cheiro me remeteu à infância.

Em como eu poderia ter sido feliz se minha mãe ainda estivesse ao meu lado. As notas florais eram muito presentes e flores sempre me fizeram lembrar dela. Mesmo que eu nunca a tivesse conhecido, lembrava pelas memórias que meu pai me contava, pelos poucos registros que eu tinha em vídeo e fotos. Era como se ela estivesse sempre comigo.

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