Entrar Via

A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 110

Quase não me reconheci. Estava sem meus óculos, então tive que forçar a vista para entender que aquela era eu.

Eu estava bonita.

Não bonita, bonita, como as pessoas que realmente nasceram belas, mas definitivamente Gabi era talentosa. Tinha conseguido domar o meu cabelo, que agora estava caindo graciosamente sobre meus ombros, com ondas leves de babyliss e um brilho que jamais pensei que tivesse.

A maquiadora tinha conseguido cobrir os poros da minha pele e as marcas de espinha que tinham deixado manchas… Minha sobrancelha não tinha sido tocada, entendi que o tempo era limitado e uma mudança para realmente me deixar bonita demoraria mais tempo do que seria possível dispor naquela situação. A maquiagem era leve, daquelas que são feitas para se passarem por naturais, como se a pessoa não tivesse usado maquiagem alguma. Eu sorri de volta para o meu reflexo.

— E aí, gostou? — Gabi perguntou, cheia de entusiasmo, e eu só consegui assentir com a cabeça.

Depois que a equipe foi embora, Marina me ajudou a escolher alguma roupa que me fizesse sentir bem. Eu não queria usar roupas sóbrias demais, como totalmente brancas ou pretas, ou então com tons pastéis, porque isso não tinha nada a ver comigo, e Marina concordou. Foi mais difícil do que eu poderia imaginar encontrar roupas com cores naquele acervo da Lotus, mas finalmente consegui: uma camisa de linho amarela com uma calça do mesmo tecido, combinando na mesma cor.

Nos pés, colocamos uma sandália de salto baixo preta, e eu me senti maravilhosa. De certo modo, era a primeira vez que meu estilo era respeitado e eu ficava diferente, ouso dizer “chique”.

Era estranho.

Talvez peças de rico tivessem esse poder, ou a ajuda de alguém como Marina foi essencial para isso, mas eu estava à vontade na minha própria pele pela primeira vez na vida.

Fomos até o estúdio, onde o fotógrafo nos esperava, já sem paciência. Ele me olhou mais de uma vez, não consegui decifrar o que ele estava pensando. Marina apertou minha mão num sinal de encorajamento e sorriu para mim. Ela cochichou que ficaria ali o tempo todo, que não me deixaria sozinha.

Acho que não preciso dizer que era a minha primeira vez posando para um ensaio fotográfico, e era muito pior do que eu imaginava. Gostaria de dizer que eu era uma modelo nata e que tinha me surpreendido com meus dotes e naturalidade em frente à câmera, mas foi o exato oposto. O fotógrafo pedia para eu sorrir, até aí tudo bem, depois olhar para o lado como se eu estivesse distraída e despreocupada, depois para baixo como se eu estivesse reflexiva… abrindo levemente a boca para sensualizar. Entendi agora o que chamam de “face card” e definitivamente eu não tinha um.

Eu me sentia ridícula. A minha aparência tinha melhorado, claro, mas eu ainda era feia. Agora, uma feia arrumadinha, e parecia ridículo alguém como eu estar forçando poses e sensualidade. Era como se eu não tivesse direito a ser tão atrevida.

Quando a sessão de tortura finalmente terminou, Marina e o fotógrafo conversaram sobre as melhores fotos. Eu fui até o camarim tirar a maquiagem o mais rápido possível. Achei que ninguém fosse me seguir, mas Marina apareceu atrás de mim, com uma expressão estranha.

Ela fechou a porta do camarim e sentou do meu lado. Ficamos em silêncio um tempo, até ela começar a falar:

— Eu sei que não é fácil — ela falou, olhando pro espelho junto comigo. — O julgamento das pessoas o tempo inteiro, e agora a pressão de ser a modelo da Lotus, além da cabeça do setor de design. Mas quero que saiba que não é difícil só pra você… é assim pra todo mundo.

Eu ri. Não fiz por maldade, foi involuntário.

— Marina, me desculpe. Mas não é igual pra todo mundo. Alguém como você não saberia como é estar na minha pele.

Marina ficou um pouco em silêncio, a expressão mais séria. Pensei que ela iria sair da sala e me deixar sozinha, talvez irritada com o que eu tinha dito a ela, mas continuou falando:

— Sei que somos mulheres diferentes, com histórias de vida diferentes e não tem como comparar. Mas vou te contar a minha e, se fizer sentido pra você, ficarei feliz. Se achar que, ainda assim, estou fora da sua realidade, tudo bem também.

Fiz um gesto positivo com a cabeça.

— Bela, quando entrei aqui, sofri diversos tipos de assédio. A Lotus ainda era dirigida pelo doutor Eduardo e, com ele, uma equipe com uma visão de mundo machista e abusiva. Muito pior do que a equipe que temos hoje, com Vinícius… O que posso te dizer, de forma resumida, é que mais de um acionista aqui achou que poderia ir pra cama comigo em troca de promoções e que eu não seria capaz de executar o meu trabalho. Só consegui provar o meu valor quando salvei a Lotus de um completo desastre, quando Vinícius insistiu com doutor Eduardo que eu me encarregasse da perfumaria, e a coleção que elaborei com a minha equipe deu certo. E sabe o que disseram, ainda assim? Que eu tinha transado com o pai e com o filho, Eduardo e Vinícius.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá "Feia" e o CEO