Thales pulou em cima do pai enquanto Vinícius se abaixava pra pegá-lo no colo. Eu mal tive tempo de processar o que tava acontecendo. Deixei meu rancor de lado, toda a mágoa que eu sentia por ele, só pra apreciar aquela cena.
Era alegria demais naquele momento entre pai e filho, depois de terem vencido a audiência. Agora era oficial: Vinícius estava com a guarda do Thales. Ainda existia a possibilidade de Valéria recorrer como último recurso, mas as chances de ela conseguir alguma coisa agora eram mínimas.
E vendo aquilo tudo, além da felicidade e do turbilhão de emoções, o que eu mais sentia era alívio.
Mas também veio tristeza.
Porque eu sabia que precisava me despedir.
Faltavam poucos dias pra eu ir embora de vez. Não tinha mais desculpa pra continuar ali.
— Deu certo — Vinícius disse, com a voz abafada pelo abraço do filho. — Conseguimos, filho.
Thales recuou um pouco, me procurando com os bracinhos, tentando me puxar pra perto deles.
Eu não queria.
Não por causa do Thales, porque eu amava aquele menino. Mas eu não queria nenhum contato físico com Vinícius desde que tinha descoberto os e-mails. Eu não deixava mais ele me tocar.
Só que eu também não queria estragar aquele momento.
Então entrei meio sem jeito no abraço coletivo, sentindo o queixo do Thales apoiar no meu ombro.
E foi aí que senti o cheiro dele outra vez. O cheiro do Vinícius.
Deixa de ser idiota, Bela. É só um perfume caro. Quantos outros milionários devem cheirar igual? Nem é o cheiro dele de verdade.
Isso logo vai acabar.
Me afastei devagar, tomando cuidado pra que Thales não percebesse.
— A gente precisa comemorar — falei pro Thales. — O que você quer jantar?
Ele abriu um sorriso enorme.
— Hambúrguer.
— Hambúrguer — concordei, como se fosse a melhor ideia do mundo.
*
Como eu temia, Vinícius passou o jantar inteiro tentando se aproximar de mim.

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