Foi tanta informação que era difícil até pra assimilar. Eu tinha que mandar providenciar uma estátua em homenagem àquele nerd.
Mas agora outra coisa me preocupava. Entrei sem bater na porta.
Márcio estava sentado na cadeira com os pés em cima da mesa, mexendo no celular. Era inacreditável que um inútil daqueles recebesse um salário tão alto. Fiz uma nota mental de pagar ao Juliano o mesmo que pagava ao Márcio. Vontade não me faltava de pagar ao meu amigo um salário mínimo, e isso já seria um desrespeito com qualquer CLT desse país.
— Você sabia — falei alto, sem conseguir controlar a raiva.
Ele olhou pra mim com cara de confuso, o que só aumentou minha vontade de bater nele.
— Sabia o quê, tá maluco, irmão? — perguntou.
— Não testa minha paciência agora, Márcio. O Juliano recuperou as imagens das câmeras. Eu sei tudo sobre a Karina.
Ele fechou os olhos e inspirou devagar antes de assentir.
— Eu sabia que foi a Karina que bateu no Jonas. — Falou aquilo com uma tranquilidade absurda. — Ela me ligou na mesma noite. Tava em pânico. Eu fui até lá, encontrei o Jonas caído, peguei o vaso e tirei de lá antes que alguém visse.
Fechei os olhos por um segundo.
— E não achou que fosse relevante contar isso pra polícia?
— Ela não matou ninguém, Vinícius! A Karina agiu em legítima defesa. O cara tava em cima dela…
— Eu sei o que ele tava fazendo. — Minha voz saiu mais forte do que eu pretendia. — Eu vi as imagens.
Márcio parou de falar e deu de ombros.
— O que eu quero saber — continuei, me aproximando da mesa — é o que mais você escondeu... Parece que se esqueceu que botaram fogo no laboratório e destruíram todo o trabalho da Marina!
— Mas o que a minha irmã tem a ver com o incêndio?
— Márcio… eu não vou perguntar de novo.
— Foi ela que fez isso?! — ele parecia surpreso — Eu juro que não sabia. — Ele se levantou e, pela primeira vez na vida, parecia sério de verdade. — Quando a Karina me ligou era só sobre o Jonas. Ela disse que o cara tinha aparecido aqui na Lotus, que tinha ido atrás dela, que eles discutiram e ela se defendeu. Só isso. Eu não perguntei mais nada porque não queria saber mais nada.
— Que conveniente.

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