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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 132

As minhas malas ficaram prontas antes do que eu esperava. Em menos de uma hora, eu já tinha colocado todos os meus pertences lá dentro.

Aquilo dizia mais do que eu gostaria de admitir.

Porque, no fundo, eu realmente nunca tinha feito parte daquela casa. Daquela família.

Pelo menos era isso que uma parte de mim insistia em dizer.

Eu nem tinha trazido a maioria das minhas coisas pra lá. Nunca me senti confortável o suficiente para espalhar minha personalidade por aquele quarto. Nunca coloquei minhas artes nas paredes, meus livros nas prateleiras ou meus gatinhos de cerâmica pelas mesas.

Era um quarto bonito, mas era muito bege. Neutro, sem alma. E eu nunca me atrevi a estragar aquela decoração impecável.

Parecia um quarto de hotel e eu realmente só estava ali de passagem.

No fim das contas, minha estadia inteira naquela casa cabia em uma mala e numa ecobag velha de guerra.

Fui até o quarto do Thales... entrei devagar, tomando cuidado pra não acordá-lo. O sol ainda nem tinha nascido.

Deixei o envelope em cima da mesa, ao lado do caderno dele, num lugar impossível de passar despercebido quando acordasse.

Na frente escrevi:

Para Thales, de Bela.

E desenhei o Luffy do One Piece ao lado.

Dei uma última olhada nele: dormia tranquilo, com um sorrisinho no rosto.

Em paz.

Então fui embora.

*

Inês estava na cozinha quando desci com as malas. Ela me olhou e depois pras minhas mãos, analisando o que eu estava carregando.

— Vou viajar — expliquei. — Tirar uns dias pra organizar os pensamentos.

Ela sorriu.

— Que bom, minha menina. Você merece cuidar de você.

Fui até ela e a abracei.

Inês ficou sem reação por alguns segundos, como se meu gesto confirmasse alguma coisa que ela não queria aceitar. Depois me abraçou de volta, com firmeza.

— Vai dar tudo certo — ela disse baixinho.

Era como se soubesse, como se entendesse mais do que eu imaginava.

Não falamos mais nada. Nem precisava.

*

A lanchonete do meu pai estava razoável, mas ainda vazia demais.

Principalmente pra uma sexta-feira.

Aquilo me deixou triste.

Eu sabia o quanto ele se esforçava por aquele lugar.

Pensei no pagamento que Vinícius tinha prometido pelo contrato. Se ele realmente aconteceria, não que eu fosse cobrar.

Eu não pretendia falar com ele nunca mais.

Mas, se havia aceitado aquele acordo, foi principalmente pelo meu pai. Era a única parte que ainda me preocupava.

Eu não queria que ele perdesse a lanchonete, sabia o quanto aquilo significava pra ele.

Logo que me viu entrar, meu pai parou de enxugar os copos, deixou a toalha em cima do balcão e veio na minha direção com um sorriso enorme.

— Filha! Que surpresa.

— Oi, pai.

Ele ficou ali do meu lado, mesmo tendo mil coisas pra fazer. Como sempre.

Meu pai limpava aquela lanchonete todos os dias, conferia o estoque, comprava ingredientes, verificava o cardápio e deixava tudo impecável.

Eu sabia que ele estava pensando em todas essas tarefas, mas também sabia que largaria qualquer uma delas pra me dar atenção.

Sempre.

— Pai, passei aqui pra avisar que vou viajar. Vou ficar uns dias fora.

— Viajar? — Ele sorriu. — Com o Vinícius?

— Não, pai. Vou tirar férias. Sozinha.

Preferi não mencionar a Marina.

Me senti mal por esconder isso dele, mas não queria correr o risco de Vinícius descobrir onde eu estaria.

Só queria ficar longe. Bem longe.

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