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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 137

Thales estava deitado na cama, com um livro no colo, e me olhou desconfiado.

Talvez esperasse que eu oferecesse mais algum videogame ou, quem sabe, um PC gamer. Meu filho parecia preparado para resistir às maiores provações tecnológicas da Terra quando resolvi falar de uma vez:

— Preciso te contar uma coisa.

Ele fechou o livro devagar e se sentou na beira da cama. Puxei a cadeira da escrivaninha até ficar bem perto dele e me sentei também.

— Sei que nem sempre sou a melhor pessoa… — parei um pouco. Thales prestava atenção. — Mas quero ser minha melhor versão. Por você e pela Bela. Eu amo vocês.

Meu filho continuava mudo, mas algo na expressão dele mudou. Ficou mais amena.

Então continuei:

— Eu fiz bastante coisa errada. Nem tudo foi de propósito, mas isso não muda muita coisa, né? O resultado é o mesmo.

— É — ele concordou.

— Não sei como consertar — me abri com ele. — Ela não atende. Não sei onde está. E eu vim aqui te pedir um favor. Não vou oferecer nada em troca. Só quero que você saiba o que estou sentindo e, assim, decida se vai me contar onde ela tá ou não. Sei que não é justo com você, afinal, é só uma criança…

— Quase pré-adolescente — Thales me interrompeu, corrigindo.

— Isso. Quase um pré-adolescente. Mas, se eu não conseguir falar com ela, pode ser que eu não consiga mais.

Thales ficou em silêncio por alguns minutos, e eu resolvi não interromper.

Claramente, ele estava ponderando. Decidindo.

Só me restava esperar.

Foi quando finalmente falou:

— Tá. Se eu te contar onde ela tá, vai fazer o quê lá?

— Não sei. Vou conversar com ela. Pedir outra chance.

Meu filho fez uma careta.

— Parece um plano fraco.

— Eu sei. Mas é tudo que eu tenho… minha palavra.

Ele fez um sinal positivo com a cabeça, não muito convencido das minhas chances de sucesso, e revelou onde ela estava:

— Fernando de Noronha — disse. — E não fui eu que te contei. A Bela me mata se souber.

Abracei Thales em seguida, feliz demais pra fazer qualquer outra coisa.

— Obrigado.

— Não estraga tudo dessa vez.

— Não vou. Só volto aqui com ela.

*

Cheguei já de noite. Me registrei na pousada que o Thales tinha dito que ela estaria.

Perguntei dela, mas me disseram na recepção que não atendia o telefone do quarto.

Cheguei à conclusão de que não estava. Provavelmente tinha saído.

Tentei tirar mais informações da recepção, até que me disseram que teria música ao vivo em um local ali perto e que muitos hóspedes tinham ido pra lá.

Fui andando pela beira da praia, tentando encontrar alguma pista. Nesse ponto, a Bela era um grão de areia naquela praia.

Mas, por coincidência do destino ou não, parei quando avistei uma cena que fez meu estômago gelar.

Uma mulher, de costas pra mim, dançando com um homem que reconheci na hora.

Era o Daniel.

Cheguei um pouco mais perto, o suficiente para ouvir a risada dos dois, e entendi que a mulher com ele era a Isabela.

Quando ela finalmente se virou de um jeito que eu conseguia ver seu rosto, quase não a reconheci.

Estava mudada.

Muito mudada.

O corte de cabelo era outro. Tinha mudado algo no rosto também. Desconfiei que talvez tivesse sido algo na sobrancelha. Estava maquiada, e as roupas também não eram as dela.

Ainda eram coloridas, mas agora pareciam algo mais fino, de grife.

Ela estava linda.

Como pra mim já era há muito tempo.

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