Não sei há quanto tempo Vinícius estava lá. Vestia uma espécie de calça social e camisa branca com as mangas dobradas até o cotovelo, o que sugeria que tinha chegado direto do trabalho. Tinha uma expressão que eu não soube analisar direito, porque quando os nossos olhares se cruzaram, ele desviou o dele rapidamente.
Meu estômago parecia que tinha mil borboletas. Era patético.
— Pai! — Thales já estava saindo da água. — Você chegou! Viu a Bela nadar? Ela fez oito anos de natação!
— Vi. — A voz dele saiu neutra. — Boa tarde, Isabela.
— Boa tarde. — Tentei parecer natural.
— Entra aqui com a gente! — Thales puxou o braço do pai com as duas mãos. — Vem!
Vinícius resistiu com a facilidade de quem já fez isso várias vezes.
— Tenho alguns assuntos pra resolver.
— Você sempre tem assuntos pra resolver.
Vinícius passou a mão pelo cabelo e olhou para a água, evitando fixar os olhos em mim. Depois fez uma careta e sinalizou que não com a cabeça.
Tá bom… eu entendi o recado. Ele não foi sutil.
— Preciso checar uns e-mails. Mas vou me sentar aqui…
Thales aceitou isso como vitória parcial e voltou para a água.
Eu fiquei quieta, apoiada na borda da piscina com os braços estendidos, olhando pro menino. Vinícius pegou o celular e ficou concentrado, com a cara séria de sempre. Vez ou outra observava Thales mergulhar e dava um sorriso pro menino. Era sincero, parecia mesmo orgulhoso dele.
Parecia um dia agradável, tirando o fato que eu conseguia sentir o olhar dele em mim, queimando a minha pele como brasa.
Não o tempo todo. Mas de vez em quando, na lateral do campo de visão, eu capturava o movimento de alguém que não está exatamente olhando pro celular.
Saí da piscina.
Tecnicamente, precisava da minha garrafa de água, que estava do outro lado. Passei pela espreguiçadeira dele pra pegar e quando voltei, sentei na cadeira ao lado para me secar.
Não olhei pra ele mas não era necessário pra sentir que estava me olhando.

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