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A Babá "Feia" e o CEO romance Capítulo 66

Márcio praticamente enfiou o celular na minha cara.

— Olha isso!

Peguei o celular.

Era uma notícia em destaque num portal de entretenimento duvidoso. Uma foto minha e de Isabela dançando no nosso noivado estampava a matéria — eu de terno, ela com aquele vestido berrante e assustador — e um título em negrito:

"O casal improvável que está conquistando o Brasil."

Fiquei hipnotizado, olhando pra foto. Era muito estranho nos ver daquele jeito. Tão próximos, abraçados.

Nossas expressões eram… interessantes. Nós nos olhávamos nos olhos e parecíamos mesmo um casal de verdade.

— Gostou? — Márcio perguntou, obviamente satisfeito consigo mesmo.

— Desembucha, qual a ideia genial da vez?

Ele abriu um sorriso imenso. O filho da mãe nunca perdia a oportunidade de se divertir às minhas custas.

— Cara, você tem a solução não só pra filial mas pra Lotus inteira.

— O que você tá falando? Enlouqueceu de vez?

— A feia! — ele falou, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Ela vai salvar a empresa.

Dei uma gargalhada sarcástica. Massageei as têmporas e olhei pro teto.

— Márcio, pelo amor de Deus.

— Escuta! — ele puxou a cadeira e sentou na frente da mesa, completamente eufórico. — A campanha "Beleza Verdadeira" deu errado porque a gente não tinha uma modelo com apelo real. As mulheres não se identificavam com a nossa imitação barata da realidade. Aqueles cartazes com frases apelativas–

— Eu sei o briefing da campanha, obrigado.

— E então? — ele me encarou como se a conclusão fosse óbvia. — Pela primeira vez a gente tem uma mulher que o público-alvo abraça! Isabela é a campanha que a gente queria fazer e não sabia como.

Eu quis dizer que não. Quis dizer que ele estava falando nada com nada. Mas Márcio pegou o celular de volta, rolou a tela e me mostrou os comentários da notícia.

"Vinícius surpreendeu, pensei que fosse igual a todos os outros."

"A Lotus subiu muito no meu conceito. Essa campanha vai ser incrível."

"Finalmente uma marca que não tem medo de ser diferente."

Eram dezenas. Centenas.

Márcio ficou quieto por alguns segundos, mexendo no celular com aquela concentração que ele só tinha quando estava prestes a aprontar coisa pior. Depois deu um pulinho da cadeira que eu nunca esperaria de um homem de trinta e quatro anos.

— Nem fodendo! — ele gritou. — A hashtag beleza verdadeira tá em primeiro lugar no X. Primeiro lugar, Vinícius. Sabe quanto tempo a gente tentou isso?

Ele andava pra lá e pra cá, animado.

— Finalmente vamos deslanchar as vendas! — ele falou, apontando pra mim como se eu devesse comemorar junto. — E seu pai vai ficar com cara de bunda com o seu sucesso!

Peguei o celular da mão dele e comecei a ler as publicações.

O desgraçado do Márcio tinha razão.

Eu precisei de alguns segundos pra processar tudo que eu lia. As pessoas tinham aceitado o nosso noivado. Mais do que aceitado, tinham amado.

Mas pra isso funcionar, Isabela tinha que aceitar. E Isabela era a mulher menos provável do planeta Terra pra aceitar uma coisa dessas.

— Isabela nunca vai aceitar isso.

Márcio revirou os olhos e afastou a ideia negando com a cabeça.

— Vai sim, porque você vai convencê-la.

— Aquela mulher não é só feia, é teimosa como uma mula. — eu falei, devolvendo o celular. — Não tem como fazer ela topar uma coisa dessas. Imagina: ela fazendo campanha pra Lotus? Aparecendo nos outdoors? Estampada nos ônibus da cidade?

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