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A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 206

O sol estava alto no céu, espalhando um brilho dourado e suave pelos jardins da Mansão Vellardi. A luz atravessava as copas das árvores, criando pequenas manchas luminosas que dançavam sobre o gramado verde, como se a manhã tivesse sido pintada à mão pelos deuses. A brisa fresca de primavera carregava o perfume doce das flores recém-plantadas por Isabella e Aurora alguns dias antes, misturado ao aroma distante de terra úmida e madeira. O som dos pássaros completava o cenário perfeito, criando um ambiente que parecia existir fora do tempo.

Giulia caminhava devagar pela trilha de pedras que cortava o jardim, com Benjamin aconchegado nos braços. O bebê usava um macacãozinho de algodão branco, com detalhes bordados em azul-claro, e seus pezinhos gordinhos e descalços balançavam suavemente a cada passo da tia. Os olhinhos verdes, tão parecidos com os da mãe, piscavam devagar, atentos a cada detalhe, os raios de sol que brincavam entre as folhas, o farfalhar da brisa, o canto dos passarinhos.

Ao lado dela, Aurora saltitava animada, segurando firme a mão da tia com os dedinhos delicados, o vestidinho de algodão azul rodando a cada passo. Seu cabelo loiro-clarinho estava preso em duas pequenas tranças que balançavam no ritmo do corpo, e os olhos azuis brilhavam com uma empolgação impossível de conter.

— Tia Giu! — disse Aurora, com a voz suave, mas cheia de energia. — Hoje eu vou te mostrar as minhas flores preferidas! — Ela deu um pulinho, quase tropeçando na grama, mas segurou firme a mão da tia. — Eu e a mamãe plantamos tudo juntas!

Giulia sorriu, abaixando um pouco o olhar para a sobrinha, enquanto ajeitava melhor Benjamin no colo.

— Ah, então quer dizer que a senhorita virou uma jardineira profissional? — provocou, arqueando uma sobrancelha e piscando com malícia.

Aurora ergueu o queixinho com orgulho, cruzando os bracinhos por um instante e parando para responder com solenidade:

— Sou a melhor jardineira do mundo! — disse, inflando o peito. — E sabe o que o papai disse? — Ela fez uma pausa dramática, estreitando os olhos e abaixando o tom de voz, como se fosse compartilhar um segredo. — Ele disse que as minhas flores são as mais lindas do jardim!

Giulia colocou uma mão no peito, fingindo surpresa exagerada, arrancando risos da sobrinha.

— Ah, então seu papai disse isso? — comentou, inclinando o rosto para perto do dela. — Pois eu concordo com ele… mas acho que o papai só disse isso porque a jardineira também é a mais linda de todas.

Aurora, mesmo tentando disfarçar, corou levemente. Um sorriso tímido surgiu no canto dos lábios, enquanto ela abaixava o olhar, brincando com a barra do vestido. Antes que pudesse responder, um som suave interrompeu o momento:

— “Baa… da… buu…”

Benjamin soltou um balbucio arrastado, como se estivesse tentando participar da conversa. Giulia baixou o olhar para o bebê e sorriu, encostando o nariz na cabecinha dele, que cheirava a leite e sabonete infantil.

— Eu sei, Ben… — disse em tom brincalhão. — Você também concorda, né, meu príncipe?

Benjamin piscou os olhinhos e chutou as perninhas, emitindo um som alegre. Aurora imediatamente se aproximou, acariciando a mãozinha minúscula do irmão com todo o cuidado do mundo, como quem segura um tesouro.

— Oi, meu príncipe… — sussurrou, encostando o rosto no bracinho macio do bebê. — Você gosta de flores, né? Eu vou te mostrar a minha favorita.

As três chegaram até o canteiro central do jardim, onde dezenas de flores coloridas se espalhavam pelo gramado. Havia rosas brancas, tulipas lilases, hortênsias azuis e margaridas amarelas que dançavam ao vento. O sol refletia nos tons vibrantes, criando um espetáculo digno de uma pintura impressionista.

Aurora soltou a mão da tia e correu até uma muda de rosas brancas, ajoelhando-se na grama fresca e tocando uma das pétalas com o maior cuidado, como se temesse machucá-la.

— Essa aqui é a minha favorita! — exclamou, com os olhos brilhando. — A mamãe disse que, quando elas abrirem, vão ficar enooormes!

Giulia se abaixou ao lado dela, ainda com Benjamin aninhado no colo. O bebê mexia os bracinhos como se quisesse tocar nas flores também, emitindo pequenos sons de fascínio.

— São lindas mesmo, principessa… — disse Giulia, sorrindo com suavidade. — Mas sabe qual é a flor mais especial desse jardim?

Aurora virou o rosto para encarar a tia, franzindo a testa, intrigada:

— Qual?

Giulia ajeitou uma mecha solta atrás da orelha da sobrinha e respondeu com um brilho emocionado no olhar:

— Você.

Aurora piscou algumas vezes, surpresa, antes de abrir um sorriso largo que iluminou o rostinho. Sem pensar, jogou os bracinhos ao redor do pescoço da tia e a abraçou com força.

— Eu te amo, tia Giu.

— Shhh… calma, meu príncipe… a tia tá aqui. — murmurou, ninando o bebê com carinho.

Benjamin relaxou contra o peito dela, os olhinhos fechando devagar, e Aurora suspirou feliz ao vê-lo adormecer.

— Ele confia em você, tia. — disse baixinho, com um sorriso doce.

Giulia apertou a sobrinha contra o lado, os olhos brilhando de emoção:

— E eu confio nele… e em vocês. — Pausou, respirando fundo. — Essa família é o meu pedacinho de céu, Aurora.

Depois de um bom tempo no jardim, Giulia e Aurora voltaram caminhando lentamente pela trilha em direção à mansão. Aurora vinha segurando um pequeno botão de rosa branca que havia caído no gramado, equilibrando-o na palma da mão como se fosse um diamante. Benjamin dormia tranquilo no colo da tia, com a boquinha entreaberta e as bochechas coradas pelo sol.

— A mamãe e o papai vão ficar muito felizes quando souberem que você cuidou tão bem do Ben, principessa. — disse Giulia, apertando de leve a mão da sobrinha.

Aurora ergueu o rostinho com orgulho, os olhos azuis brilhando:

— Eu sou a ajudante oficial dele agora!

Giulia soltou uma risada baixa, balançando a cabeça com carinho.

Quando entraram na mansão, o som de vozes suaves vinha da sala de estar. Lorenzo e Isabella estavam juntos, conversando baixinho. Ao ver os três voltando, Isabella abriu um sorriso emocionado, os olhos marejando ao ver Benjamin dormindo sereno. Lorenzo, por sua vez, lançou um olhar cheio de orgulho e ternura para a irmã.

A cena era simples, mas carregada de significado. Era impossível não sentir: o amor preenchia cada canto daquela casa.

Enquanto o sol invadia cada canto da mansão e o riso de Aurora ecoava pelo corredor, era impossível não sentir: O amor, ali, não era apenas presença, era raiz, era lar, era destino.

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