O sol estava alto no céu, espalhando um brilho dourado e suave pelos jardins da Mansão Vellardi. A luz atravessava as copas das árvores, criando pequenas manchas luminosas que dançavam sobre o gramado verde, como se a manhã tivesse sido pintada à mão pelos deuses. A brisa fresca de primavera carregava o perfume doce das flores recém-plantadas por Isabella e Aurora alguns dias antes, misturado ao aroma distante de terra úmida e madeira. O som dos pássaros completava o cenário perfeito, criando um ambiente que parecia existir fora do tempo.
Giulia caminhava devagar pela trilha de pedras que cortava o jardim, com Benjamin aconchegado nos braços. O bebê usava um macacãozinho de algodão branco, com detalhes bordados em azul-claro, e seus pezinhos gordinhos e descalços balançavam suavemente a cada passo da tia. Os olhinhos verdes, tão parecidos com os da mãe, piscavam devagar, atentos a cada detalhe, os raios de sol que brincavam entre as folhas, o farfalhar da brisa, o canto dos passarinhos.
Ao lado dela, Aurora saltitava animada, segurando firme a mão da tia com os dedinhos delicados, o vestidinho de algodão azul rodando a cada passo. Seu cabelo loiro-clarinho estava preso em duas pequenas tranças que balançavam no ritmo do corpo, e os olhos azuis brilhavam com uma empolgação impossível de conter.
— Tia Giu! — disse Aurora, com a voz suave, mas cheia de energia. — Hoje eu vou te mostrar as minhas flores preferidas! — Ela deu um pulinho, quase tropeçando na grama, mas segurou firme a mão da tia. — Eu e a mamãe plantamos tudo juntas!
Giulia sorriu, abaixando um pouco o olhar para a sobrinha, enquanto ajeitava melhor Benjamin no colo.
— Ah, então quer dizer que a senhorita virou uma jardineira profissional? — provocou, arqueando uma sobrancelha e piscando com malícia.
Aurora ergueu o queixinho com orgulho, cruzando os bracinhos por um instante e parando para responder com solenidade:
— Sou a melhor jardineira do mundo! — disse, inflando o peito. — E sabe o que o papai disse? — Ela fez uma pausa dramática, estreitando os olhos e abaixando o tom de voz, como se fosse compartilhar um segredo. — Ele disse que as minhas flores são as mais lindas do jardim!
Giulia colocou uma mão no peito, fingindo surpresa exagerada, arrancando risos da sobrinha.
— Ah, então seu papai disse isso? — comentou, inclinando o rosto para perto do dela. — Pois eu concordo com ele… mas acho que o papai só disse isso porque a jardineira também é a mais linda de todas.
Aurora, mesmo tentando disfarçar, corou levemente. Um sorriso tímido surgiu no canto dos lábios, enquanto ela abaixava o olhar, brincando com a barra do vestido. Antes que pudesse responder, um som suave interrompeu o momento:
— “Baa… da… buu…”
Benjamin soltou um balbucio arrastado, como se estivesse tentando participar da conversa. Giulia baixou o olhar para o bebê e sorriu, encostando o nariz na cabecinha dele, que cheirava a leite e sabonete infantil.
— Eu sei, Ben… — disse em tom brincalhão. — Você também concorda, né, meu príncipe?
Benjamin piscou os olhinhos e chutou as perninhas, emitindo um som alegre. Aurora imediatamente se aproximou, acariciando a mãozinha minúscula do irmão com todo o cuidado do mundo, como quem segura um tesouro.
— Oi, meu príncipe… — sussurrou, encostando o rosto no bracinho macio do bebê. — Você gosta de flores, né? Eu vou te mostrar a minha favorita.
As três chegaram até o canteiro central do jardim, onde dezenas de flores coloridas se espalhavam pelo gramado. Havia rosas brancas, tulipas lilases, hortênsias azuis e margaridas amarelas que dançavam ao vento. O sol refletia nos tons vibrantes, criando um espetáculo digno de uma pintura impressionista.
Aurora soltou a mão da tia e correu até uma muda de rosas brancas, ajoelhando-se na grama fresca e tocando uma das pétalas com o maior cuidado, como se temesse machucá-la.
— Essa aqui é a minha favorita! — exclamou, com os olhos brilhando. — A mamãe disse que, quando elas abrirem, vão ficar enooormes!
Giulia se abaixou ao lado dela, ainda com Benjamin aninhado no colo. O bebê mexia os bracinhos como se quisesse tocar nas flores também, emitindo pequenos sons de fascínio.
— São lindas mesmo, principessa… — disse Giulia, sorrindo com suavidade. — Mas sabe qual é a flor mais especial desse jardim?
Aurora virou o rosto para encarar a tia, franzindo a testa, intrigada:
— Qual?
Giulia ajeitou uma mecha solta atrás da orelha da sobrinha e respondeu com um brilho emocionado no olhar:
— Você.
Aurora piscou algumas vezes, surpresa, antes de abrir um sorriso largo que iluminou o rostinho. Sem pensar, jogou os bracinhos ao redor do pescoço da tia e a abraçou com força.
— Eu te amo, tia Giu.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar
Devia ter um segunda livro sobre a vida da Isabela e os demais . Sobre eles morando no campo . Sobre a amizade e a cumplicidade deles . A Beatriz e a Giulia. Seria divertido. Pois foram personagens q trouxe humor alegria . Amei a Beatriz e a Júlia . Dei risadas gostosas lendo. A paixão as noites de Isabela e Lorenzo o amor quente e fugaz . O amor ardente deles. Queria ver tmb sobre o amor de Giulia e Theo de Beatriz e Stefano....