Entrar Via

A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 208

O sol começava a descer no horizonte quando os carros finalmente entraram pela estrada de terra que levava à fazenda de Dona Flora. O caminho, ladeado por árvores antigas, exalava o cheiro característico da terra úmida e das flores do campo. O vento soprava leve, trazendo o som distante dos pássaros e o farfalhar das folhas. Ao longe, o casarão branco com janelas de madeira se erguia imponente, rodeado por um jardim impecável e uma varanda ampla, onde tantas memórias da família de Isabella haviam sido construídas.

No carro da frente, Lorenzo dirigia com uma das mãos, enquanto a outra repousava sobre a perna de Isabella, que sorria ao ver a paisagem. No banco de trás, Aurora praticamente não parava quieta, com os olhinhos azuis brilhando, o corpo se inclinando para tentar enxergar a casa que surgia entre as árvores. Ao lado dela, Benjamin, no bebê-conforto, balbuciava sons desconexos, chacoalhando as perninhas gordinhas, sem ter ideia da empolgação que tomava conta da irmã.

— Papai! — Aurora chamou, quase se jogando para frente. — Falta muito?!

Lorenzo riu, lançando um olhar divertido pelo retrovisor.

— Calma, principessa… mais alguns minutinhos.

— Mas eu quero ver a bisaaa! — reclamou, dramatizando. — Ela disse que ia me ensinar a fazer bolinho de chuva!

Isabella sorriu, passando a mão pelos cabelos da filha:

— E ela vai, meu amor. Mas primeiro você tem que dar um abraço bem apertado nela, combinado?

Aurora assentiu, os olhos brilhando ainda mais.

No outro carro, Theo dirigia, e ao seu lado Giulia sorria encantada, admirando a paisagem que se revelava. No banco de trás, Maria e Antonella conversavam, as duas estavam empolgadas por passar o final de semana na fazenda e matar um pouco da saudade da velha amiga.

Quando os carros pararam diante da varanda, Dona Flora já estava à porta, com o avental florido e o sorriso mais aberto do mundo. Os cabelos grisalhos presos em um coque simples, os olhos marejados de emoção. Ela apoiava as mãos na cintura, o peito subindo e descendo como se tentasse conter o coração.

— Meus anjos! — exclamou, com a voz embargada, assim que viu a família.

Aurora foi a primeira a sair, disparando pelo caminho de pedras com os bracinhos abertos.

— Bisaaa!

Dona Flora ajoelhou-se com dificuldade, abrindo os braços para receber a bisneta, que se jogou sobre ela com força. O abraço foi apertado, longo, cheio de riso e lágrimas.

— Ah, minha florzinha! — murmurou Dona Flora, passando as mãos pelas tranças loirinhas da menina. — Como você cresceu, meu Deus… tá uma mocinha!

Aurora sorriu largo, com as bochechas coradas:

— Eu plantei flores no jardim da mansão, bisa! Eu vou te mostrar, eu gravei!

Dona Flora riu, emocionada, e beijou o rosto da bisneta com força:

— Você puxou o talento da sua mamãe e da sua vovó, minha menina.

Enquanto isso, Lorenzo desceu do carro com Benjamin no colo, o bebê balbuciava sons confusos, piscando devagar com os olhinhos verdes curiosos. Ao ver a cena, os olhos de Dona Flora brilharam ainda mais. Ela se aproximou devagar, estendendo as mãos trêmulas.

— Meu Deus do céu… olha esse menino… — sussurrou, tocando de leve a bochechinha macia de Benjamin. — Um pedacinho do céu… Lorenzo, meu filho, ele está cada dia mais parecido com você.

Lorenzo sorriu orgulhoso, baixando o rosto para beijar a cabecinha do filho.

— Esse aqui já conquistou todo mundo, Dona Flora.

Benjamin soltou um balbucio, como se entendesse o que estava acontecendo, e esticou os bracinhos para tocar o rosto da bisa, arrancando risos de todos ao redor.

Isabella chegou logo atrás, abraçando a avó com carinho, e logo depois Giulia apareceu, com um brilho nos olhos ao ver a cena. Nesse instante, Antonella, que vinha logo atrás, abriu os braços com os olhos marejados e caminhou em passos rápidos até Dona Flora.

— Minha velha amiga! — disse Antonella, emocionada, envolvendo-a em um abraço apertado.

— Minha menina! — respondeu Dona Flora, sorrindo entre lágrimas. — Que prazer ter você aqui.

Antonella segurou o rosto da amiga com carinho, os olhos marejados:

— Ah, Flora, eu não perderia esse final de semana de jeito algum. Vamos passar o final de semana, então domingo vamos ao bingo, ouviu?

Dona Flora riu, apertando mais uma vez a mão dela:

— Mais é claro e vamos ganhar de todos aqui!

Nesse momento, Maria, que já vinha atrás das duas, falou alto, com seu jeito característico e decidido:

— Eu vou direto pra cozinha, Dona Flora! — anunciou, caminhando apressada. — Quero ajudar com os quitutes, ajeitar as formas, ver o café… Se me deixar, daqui a pouco tem pão de queijo quentinho na mesa!

Dona Flora riu, balançando a cabeça:

— Essa mulher não pára nunca! — Dona Flora desviou os olhos e sorriu ao ver Giulia. — e você minha menina que bom que veio também.

Beatrice corou, tentando disfarçar o sorriso, e Stefano, ainda com Aurora no colo, apenas coçou a nuca, claramente constrangido, mas com um brilho divertido no olhar.

Enquanto isso, Aurora, sem perder a chance, apontou para os dois com os olhinhos azuis brilhando:

— Eu quero ser a daminha!

Beatrice ficou ainda mais vermelha, cobrindo o rosto com as mãos, enquanto todos ao redor riam da cena.

Do lado de fora, Antonella ajeitava uma toalha rendada sobre a mesa do alpendre, ajudando Maria a organizar a recepção. Pãezinhos de queijo, rosquinhas de nata, queijos frescos e compotas enfeitavam a mesa, exalando um perfume delicioso que invadia todo o ar.

Dona Flora observava cada detalhe, com os olhos brilhando de orgulho ao ver a família reunida novamente.

— Ah… minha menina… — murmurou, emocionada, abraçando Isabella. — Nada no mundo me faz mais feliz do que ver essa casa cheia outra vez.

Lorenzo se aproximou e beijou o rosto da mais velha, apertando-a contra o peito com cuidado:

— A senhora sabe que esse lugar sempre vai ser o nosso lar, Dona Flora. Sempre.

— Oh, meu menino, por favor, me chame apenas de vó.

Lorenzo sorriu largo, um pouco sem jeito, e Isabella achou adorável o jeito do marido. Aproximou-se e beijou seus lábios, dizendo baixinho:

— Você sem graça é fofo!

Benjamin, no colo do pai, soltou outro som engraçado, como se concordasse com a afirmação, e todos riram juntos.

Naquele instante, entre o cheiro do café fresco, as risadas de Aurora, Beatrice e Dr. Stefano ecoando no campo, os olhares trocados entre Isabella e Lorenzo, o carinho de Antonella e o calor do abraço de Dona Flora… tudo parecia perfeito.

A fazenda pulsava vida, memória e pertencimento.

Era mais do que um reencontro.

Era um retorno ao coração da família.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar