O caminho até o riacho parecia um convite.
O sol brincava de esconde-esconde por entre as folhas, lançando miragens douradas no chão. O ar era de capim amassado e de água corrente, aquele cheiro limpo que sempre mora onde a natureza respira sem pressa. Lorenzo vinha à frente carregando a bolsa com toalhas, protetor, a boia do Benjamin e uma garrafa d’água. No ombro, pendurada, uma pequena rede de pano para improvisar sombra.
Isabella seguia alguns passos atrás, rindo de algo que Giulia tinha acabado de cochichar. Beatriz vinha de braços dados com a amiga, com o cabelo preso num coque bagunçado e um par de chinelos que faziam “tac tac” na terra batida.
Theo equilibrava a cesta de piquenique “leve”, embora estivesse abarrotada de bolo de fubá, frutas e uma garrafa de suco. Stefano, sempre atento, caminhava observando a trilha, como quem já decora onde o chão escorrega mais.
Aurora ia saltitando ao lado do pai, cutucando cada flor que encontrava, catando pedrinhas brilhantes como se fossem tesouros. Benjamin vinha nos braços de Lorenzo com sua sunguinha azul-marinho. Ele balbuciava sílabas novas, testando sons que a água do riacho parecia devolver em eco.
— Chegamos! — anunciou Lorenzo, abrindo os braços quando a cortina de árvores se abriu para revelar a queda d’água.
O riacho formava uma pocinha larga, de fundo claro, onde a corrente passava mansa. A cachoeira menor, como um véu, esfriava o ar. A luz do meio da tarde quebrava na névoa fina e o lugar ganhava um brilho de fotografia antiga.
Aurora largou os chinelos e correu até a água, só até o tornozelo, gritando de alegria.
— Tá geladaaa! — e caiu na risada, porque estava mesmo. Lorenzo veio atrás, testou a temperatura com o pé e meneou a cabeça, aprovando.
— Papai pode entrar? — ela pediu, com os olhos azuis acesos de expectativa.
— Papai e metade do batalhão! — respondeu Lorenzo, pondo Benjamin sentado um instante na toalha estendida na sombra para ajustar a boia de bracinhos. — Primeiro, protetor nos dois, combinado?
Aurora assentiu muito séria, como se fosse capitã da operação. Isabella entregou o frasco, e a menina, toda compenetrada, passou nas bochechas do irmão com batidinhas leves. Benjamin, sentindo o toque fresco, soltou um “Aaah!” deliciado.
— Agora o chapéu do comandante — disse Lorenzo, encaixando o chapéu de aba no pequeno. Benjamin bateu palminhas, entendendo que uma aventura se anunciava.
Theo estendeu a mão.
— Deixa que eu levo a boia e o balde. Já vi um canto ali que parece perfeito pros dois.
— E a ciência aprova. — emendou Stefano, rindo, apontando o trecho onde a água corria mais lenta e rasa. — Fundinho curto, corrente suave, pedras firmes. Pode vir sem medo, general.
Aurora entrou primeiro, até a altura dos joelhos, e então se lançou num mergulho à sua moda: mais barulho do que técnica. Quando emergiu, chacoalhando as tranças, Benjamin a viu e arregalou os olhos verdes, elétrico. E então, do fundo do peito, saiu um grito afinado e contagiante:
— AHHH… BAA…DA-DA! — que, traduzido deveria significar “Auroraaaa!”. O eco veio das pedras como gargalhada de rio.
Isabella, Giulia e Beatriz que estavam sentadas na margem explodiram numa risada gostosa. Beatriz bateu palmas, emocionada dizendo:
— Esse menino é um microfone ambulante!
Giulia, derretida, levou a mão ao coração:
— Ele chama a irmã como se fosse o show inteiro dela!
Lorenzo, que estava com Benjamin no colo, não resistiu ao entusiasmo do filho e mergulhou na água com ele, andando devagar até onde a corrente fazia pequenos redemoinhos. A sunguinha azul do bebê destacava a pele clarinha e o barriguinha redonda. Benjamin balançava as perninhas e batia as mãozinhas na água, espalhando respingos que molhavam o peito do pai.
— Calma, campeão! — Lorenzo ria, ajeitando melhor a boia nos bracinhos gordinhos do filho. — Primeiro a gente aprende a flutuar, depois você vira peixinho igual à sua irmã.
Aurora, que nadava mais à frente, percebeu que o pai ia colocar Benjamin na água. Os olhinhos dela brilharam e ela nadou de volta, aproximando-se devagar, com todo o cuidado que uma “irmã mais velha responsável” acha que precisa ter.
— Papai, deixa eu ajudar! — pediu, estendendo as mãozinhas, ansiosa. — Eu seguro ele também!
— Então tá, pequena treinadora de peixinhos — Lorenzo falou, rindo, entregando a borda da boia para ela segurar. — Mas com uma condição: você tem que prometer que não vai fazer ondas muito grandes, combinado?
Aurora assentiu com um aceno decidido e começou a movimentar a mão na água bem devagar, criando pequenos redemoinhos ao redor do irmão. Benjamin, por sua vez, abriu um sorriso enorme, mostrando as gengivas, e soltou um gritinho feliz.
— Olha só pra ele, papai! — Aurora disse, animada. — Ele tá rindo pra mim!
Lorenzo, emocionado, afagou os cabelos molhados da filha com a mão livre.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar
Devia ter um segunda livro sobre a vida da Isabela e os demais . Sobre eles morando no campo . Sobre a amizade e a cumplicidade deles . A Beatriz e a Giulia. Seria divertido. Pois foram personagens q trouxe humor alegria . Amei a Beatriz e a Júlia . Dei risadas gostosas lendo. A paixão as noites de Isabela e Lorenzo o amor quente e fugaz . O amor ardente deles. Queria ver tmb sobre o amor de Giulia e Theo de Beatriz e Stefano....