A manhã seguinte nasceu lenta e preguiçosa na fazenda, como se até o tempo tivesse decidido descansar depois do dia intenso e emocionante do batizado de Benjamin. O sol invadia a sala de jantar através das cortinas de renda, espalhando feixes dourados sobre a mesa posta com todo cuidado. O cheiro de café fresco, bolo de fubá ainda morno e pão recém-saído do forno se misturava ao aroma suave de frutas e leite quente.
Maria, sempre atenta, circulava entre os lugares, segurando a jarra de café com destreza, enquanto Antonella ajudava Aurora a passar geleia no pão. A menina, animada como sempre, espalhava mais geleia nos dedos do que no próprio pão, e ria alto cada vez que a avó limpava seus dedinhos pegajosos com o guardanapo.
— Aurora, devagar, minha flor… — dizia Antonella, rindo. — Se continuar assim, vamos precisar de um banho antes do almoço.
— Mas é que tá tão gostoso, vovó! — respondeu a menina, exibindo o sorriso manchado de geleia, sem a menor culpa.
O ambiente estava cheio de uma paz doce, dessas que a gente só encontra depois de dias importantes.
Foi então que Isabella entrou, carregando Benjamin nos braços, com passos lentos e um sorriso sereno no rosto. O bebê estava desperto, com os olhinhos verdes brilhando, e balbuciava sons alegres, chutando as perninhas como se quisesse participar da conversa. Assim que ela surgiu na porta, todos os olhares se voltaram para os dois, era impossível não sorrir diante daquela cena.
Lorenzo já estava sentado à cabeceira da mesa, com o jornal dobrado ao lado e uma xícara de café diante dele. Porém, mais do que as notícias, o que prendia a atenção dele era a esposa. Seu olhar seguia Isabella como um fio invisível, um misto de orgulho, amor e… algo divertido, como se ele já adivinhasse o que estava por vir.
— Buongiorno, amore… — disse ele, com a voz baixa e calorosa, acompanhada de um sorriso lento.
Isabella respondeu com um olhar doce, ajeitando Benjamin no colo enquanto se aproximava.
Giulia e Beatriz estavam sentadas perto da janela, rindo baixo de algo que só as duas sabiam. As duas trocavam olhares cúmplices, com sorrisos marotos que denunciavam que alguma travessura estava por vir. Isabella conhecia bem aquela expressão e sabia, no fundo, que não podia significar coisa boa.
Beatriz, com uma calma exagerada, partiu um pedaço generoso de bolo de fubá e mordeu-o devagar, fechando os olhos como se fosse uma experiência transcendental. Colocou o prato na mesa, apoiou o cotovelo e lançou um olhar direto para Giulia, arqueando uma sobrancelha com malícia.
— Então, Gi… — começou, arrastando o tom, o suficiente para que todos na mesa voltassem a atenção para elas. — Me conta foi ontem matar a saudade com o Theo da cachoeira?
O efeito foi imediato. A mesa ficou em silêncio absoluto.
Lorenzo, intrigado, ergueu uma sobrancelha, mas manteve o silêncio. Theo parou de comer no mesmo instante e corou, desviando o olhar para Lorenzo que sorriu compreendendo finalmente o que a prima da esposa estava insinuando.
Isabella, por outro lado, quase deixou a colher cair da mão.
Giulia corou imediatamente, mordendo o lábio tentando disfarçar, mas era impossível. A provocação de Beatriz havia sido certeira demais para que ela escapasse ilesa. Inclinando-se um pouco para frente, respondeu em um sussurro tímido, quase inaudível, que só Beatriz e Isabella puderam ouvir:
— Com toda certeza.
Assim que ouviu, Isabella sentiu o calor subir pelas bochechas. O coração disparou, e ela imediatamente desviou o olhar, ocupando-se em ajeitar Benjamin no colo como se aquele fosse o assunto mais importante do mundo. Porém, seu rubor a denunciava por completo.
Beatriz, percebendo a reação da prima, sorriu como quem acabava de vencer uma batalha silenciosa.
— Eu sabia… — murmurou, com um ar travesso que fez Isabella querer se enfiar debaixo da mesa.
Giulia tentou se esconder atrás da xícara de café, mas o brilho nos olhos falava mais do que qualquer gesto e Theo… esse estava completamente sem fala.
Enquanto isso, Aurora, completamente alheia às provocações adultas, mostrava orgulhosa para todos como Benjamim segurava seu dedinho com força:
— Olha, vovó! Ele é forte igual ao papai!
Antonella beijou o topo da cabeça da neta e sorriu, enquanto Maria, observando a cena, apenas balançava a cabeça e segurando o riso.
Sob a mesa, Lorenzo esticou a mão discretamente e pousou sobre a de Isabella, que estava gelada de nervoso. Quando ela ergueu os olhos, encontrou o olhar dele: firme, curioso… e divertido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar
Devia ter um segunda livro sobre a vida da Isabela e os demais . Sobre eles morando no campo . Sobre a amizade e a cumplicidade deles . A Beatriz e a Giulia. Seria divertido. Pois foram personagens q trouxe humor alegria . Amei a Beatriz e a Júlia . Dei risadas gostosas lendo. A paixão as noites de Isabela e Lorenzo o amor quente e fugaz . O amor ardente deles. Queria ver tmb sobre o amor de Giulia e Theo de Beatriz e Stefano....