Vivian
Deixou a sede do Grupo Braga com a respiração pesada. O reencontro com Eduardo ainda martelava em sua mente, mas ela se obrigou a seguir em frente. Respirou fundo, ajeitou os cabelos e entrou no táxi que a levaria até o prédio moderno onde teria sua primeira entrevista desde que saíra do grupo.
O coração batia acelerado quando entrou na recepção do edifício de vidro. O ambiente era impecável, com paredes brancas, quadros minimalistas e pessoas circulando com passos apressados. Ela entregou os documentos, recebeu um crachá provisório e foi conduzida até uma sala de reuniões.
O entrevistador, um homem de meia-idade de aparência séria, consultava o currículo dela com atenção. Ele ergueu os olhos assim que terminou a leitura.
- A senhorita Vivian Braga, formada em Economia com honras pela PUC, fluente em inglês e francês… - ele listava os pontos fortes com uma sobrancelha arqueada. - Seu currículo é realmente impressionante.
Vivian sorriu com modéstia.
- Obrigada. Acredito que posso contribuir bastante no setor financeiro da empresa.
O homem deixou o papel sobre a mesa e entrelaçou as mãos.
- Mas há algo que me intriga. - O olhar dele tornou-se inquisidor. - Com esse nível de formação, por que a senhora permaneceu como estagiária durante três anos no Grupo Braga? Nem sequer foi efetivada?
Vivian sentiu o rosto aquecer. Aquela era a pergunta que mais temia. Engoliu em seco, tentando formular uma resposta plausível.
- Havia… circunstâncias particulares. Meu foco principal era contribuir da melhor forma possível no cargo que me foi atribuído.
O entrevistador inclinou a cabeça, claramente insatisfeito.
- Entendo. Mas, veja, do ponto de vista de qualquer empregador, parece no mínimo contraditório. Uma economista de alto nível que não progrediu na carreira… É um sinal ruim.
Ela manteve a postura, mesmo sabendo que no fundo ele tinha razão. Se fosse ela, também questionaria.
- Eu posso garantir que minha dedicação sempre foi absoluta - respondeu, firme, mesmo que por dentro sentisse a insegurança corroê-la.
- Oi, Vivi! Espero que não se importe por eu ter mandado a solicitação… fazia tempo que eu queria retomar contato. Hoje à noite vai ter uma exposição de fotos muito especial na minha galeria, e eu adoraria que você fosse. Acho que você iria gostar bastante.
Ela não respondeu de imediato. Clicou no perfil dele e rolou pelas imagens: quadros de arte contemporânea, fotografias vibrantes, instalações artísticas cheias de cor e significado. Sempre se lembrara de Mateus como alguém criativo, diferente.
Mordeu o lábio inferior, pensativa. Uma parte dela hesitava, outra parte, mais silenciosa, clamava por vida nova.
Digitou a resposta antes que desistisse.
- Sim, eu adoraria.
Guardou o celular e terminou o doce, mas um arrepio inesperado percorreu sua espinha. Por instinto, ergueu os olhos para a rua. Pessoas caminhavam apressadas, carros passavam, nada parecia fora do lugar.
Ainda assim, a sensação era clara: alguém a observava.

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