Eduardo
Voltou para sua sala depois do confronto na copa, mas a sensação de desconforto não o deixou. Tentou se concentrar nos relatórios, digitou alguns e-mails, assinou documentos que Marcos havia deixado em cima da mesa. Ainda assim, as linhas pareciam embaralhar diante de seus olhos. A imagem de Vivian, altiva e firme, recusando até mesmo olhá-lo nos olhos, voltava como uma agulha constante em sua mente.
Ele se levantou de repente, como se o simples ar da sala fosse insuportável. Sem avisar ninguém, desceu até o andar do RH.
O silêncio que se espalhou quando o viram entrar foi quase palpável. O Sr. Santos levantou-se imediatamente, ajeitando os óculos com mãos nervosas. Os demais funcionários se entreolharam, tensos, como se a presença do vice-presidente fosse um mau presságio.
- Senhor Braga… - começou o diretor do setor, forçando um sorriso cauteloso. - Não esperávamos…
- Quero ver o que a senhora deixou aqui. - A voz de Eduardo soou firme, sem espaço para objeções.
Sr. Santos fez um gesto para a secretária trazer uma caixa. Dentro, repousavam o crachá, o cartão corporativo e o celular que ela usara nos últimos três anos. Eduardo pegou o aparelho, passou os dedos pela tela escura e, sem refletir muito, o guardou no bolso do paletó.
Um silêncio desconfortável se instalou até que ele perguntou:
- Qual era exatamente o cargo dela aqui?
Sr. Santos hesitou. Engoliu em seco e, finalmente, respondeu:
- Estagiária. Da secretaria presidencial.
Eduardo arqueou a sobrancelha.
- Estagiária? Durante três anos?
- Foram ordens suas, vice-presidente. - Santos falou com cuidado, como quem pisa em vidro. - Na época, o senhor disse: “Se ela faz tanta questão de trabalhar, que seja no menor cargo possível. Quero que a tratem como qualquer estagiária. E, se cometer erros, não hesitem em dispensá-la.”
Eduardo não respondeu de imediato. A lembrança era clara: ele realmente dera aquela ordem, acreditando que Vivian não suportaria. Imaginara que, em pouco tempo, ela pediria demissão e se recolheria ao conforto de ser apenas “a esposa do herdeiro Braga”. Mas não. Ela havia ficado. Trabalhado todos os dias. Sem privilégios.
Sem perceber, sua mandíbula se contraiu. Não era comum admitir, mas nem Marcos, seu fiel assistente, tinha sido tão diligente quanto ela.
- Está bem. - disse, por fim, seco. - Continue o trabalho.


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